Janela Indiscreta

21.May
2007

Ontem eu dava o sábado como perdido, estava um dia chuvoso, frio, sem nada pra fazer, bem sem graça mesmo. Eis que recebo a ligação de uma amiga de faculdade (aquela que namorava e saia com dois caras da mesma classe que o namorado dela) me convidando para dar uma volta.

Fui com a cabeça cheia de segundas intenções (“vou pegá-la, fazer um agrado e ir pra um motel”, “beijar cada canto daquele corpo”, “sexo, sexo, sexo” ). No fim das contas acabamos indo na livraria do shopping comprar um livro pra vó da amiga dela e conversar tomando um café na Kopenhagen. Foi uma das conversas mais agradáveis que tive no ano com uma pessoa do sexo oposto que não terminasse em sexo.

Entre as novidades, ela me contou que havia terminado o noivado com o rapaz da faculdade(depois de vestido, apartamento e moto comprados) ao descobrir que ele a tinha traído. Em seguida conversamos sobre profissão, faculdade, amigos, etc. Fiquei surpreso, a garota está super bem (com apto próprio, ajudando nas contas dos seus pais e dando entrada pra comprar um carro) e tudo isso com 23 anos.

Em momento algum, porém, a garota mencionou das traições que cometia com o garoto. Simplesmente abstraiu isso. Só reclamava de como pode se enganar tanto tempo pelo o carinha e bla bla bla. Poxa, a garota não é nenhuma desmiolada. Pelo contrário, é uma das mulheres da minha idade mais inteligentes que conheço. Porém, fiquei cheio de questionamentos na cabeça. Por que ela fazia isso com o carinha? Ela tem todas as qualidades que um homem valoriza numa mulher, precisa disso? Por que se incomodou quando ele fez o mesmo?

Enfim, deixei ela em casa (na dela) e fui alugar um filme. Acabei pegando sem pretensão alguma o filme “Janela indiscreta” (Alfred Hitchcock). E ai encontrei algumas explicações. Apesar de ser um filme do gênero suspense, ele trabalha bem com a questão de você observar/saber tudo sobre a vida alheia e mal compreender o que se passa na sua.

Entendi que buscamos muitas explicações de por que não encontramos uma pessoa x, ou porque o namorado não é y, e na verdade esquecemos de olhar pra nós mesmo e tentar descobrir se o “erro” não está em nós. Essa minha amiga, apesar de todas as suas qualidades (ou justamente por causa delas), achou que o problema estava no outro, quando na verdade esta(va) nela.

Bom, ninguém é perfeito, mas com uma pessoa assim eu prefiro manter distância. O risco de se envolver é enorme, maior ainda o de ter uma decepção.

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