Algumas leitoras criticam, outras elogiam o fato de eu ter começado a namorar e a temática dos meus textos ter mudado. As que criticam dizem que eu fiquei sério demais e chato, as que elogiam dizem que estou mais maduro.
Ambas estão certas. Na verdade chato eu sempre fui, mas com o namoro fiquei mais sério e mais maduro. Sinceramente, não vejo problema algum nisso. O que se espera é que as pessoas evoluam com o passar dos anos e com algumas situações (faculdade, trabalho, relacionamento sério, paternidade, etc). Só uma mula ou alguém alienado do mundo conservaria a mesma forma de vê-lo e de se relacionar com as pessoas após cursar uma faculdade, o primeiro estágio e namorar.
No meu namoro, uma das coisas que mais tenho aprendido e observado em um relacionamento sério é a questão do “ceder”. Algo que em um relacionamento casual não ocorre e motivo pelo qual futuros namoros não vão adiante.
Recentemente protagonizei e presenciei essa questão em duas situações.
A primeira delas foi de um conhecido que estava de rolo com uma garota há 3 meses e em vias de namorar. No segundo mês desse relacionamento surgiu uma festa de aniversário do chefe da garota. Era aquelas festas bem chatas, onde todo mundo finge que se gosta, faz piadinhas de escritório e bajula o chefe. Como em algumas empresas ter um relacionamento sério pressupõe comprometimento e maturidade, ela pediu para que o cara fosse com ela como namorado. Apesar da festa ser em uma quinta e de todo esse cenário carregado, o cara, por gostar dela, topou e foram juntos. A festa conforme esperado foi uma bomba, mas ele ganhou muitos pontos com a garota.
Porém, semana passada foi aniversário de um amigo em comum nosso. Esse cara é o típico putanheiro, que nunca namorou, extremamente machista e sempre buscando levar seus amigos que namoram para balada. Traduzindo, a pessoa mais querida pelas namoradas dos amigos. Com a ficante desse conhecido do parágrafo passado não foi diferente. Eles já tiveram muitas discussões anteriormente e não se bicam, porém é o melhor amigo do cara, nasceram juntos. Ele pediu para que ela o acompanhasse, mas a garota negou até o fim, deu um chilique porque ele disse que iria sem ela e como resultado o cara deu um chute (no sentido figurado) na garota.
A segunda situação foi comigo. Como vocês sabem, adoro filmes e o gênero que eu gosto não apetece muito o gosto feminino (adoro terror e guerra e abomino comédia romântica e animações). Porém, toda vez que eu alugava um filme ou ia ao cinema com a minha namorada, no final de tudo era eu quem decidia. E como típico representante da classe homem, não dava conta que eu desprezava as indicações da minha namorada.
Na semana em que fiquei de quarentena pela gripe do porco na casa da minha mãe, nos últimos dias de isolamento ela quis ir ao cinema comigo ver um filme de comédia romântica. Eu aceitei sem pestanejar (mas com máscara no rosto). No dia seguinte contei para minha namorada do filme e ela deu um pequeno escândalo por “sempre assistir filme cabeça e chato com ela”.
Entendido o recado, ontem fui assistir “Up, altas aventuras” com ela. Claro, fui muito a contragosto. Primeiro, pelas ilustrações do filme na porta do cinema, parecia uma coisa meio boboca ao estilo daquela antiga novela do SBT “Vovô e eu”. Segundo, era dublado (em 3D) e repleto de crianças escandalosas na sala. E terceiro, era animação. Porém, só foi o filme começar para a sala ficar inteira em silêncio, a animação se mostrar um puta filme e o cafa se encontrar com os olhos marejados em algumas cenas. O saldo foi positivo. Minha namorada ficou bastante feliz por eu ter cedido e quebrei um preconceito.
Com essas duas situações deu pra entender a importância de ceder em um relacionamento. Aquela garota da primeira história perdeu um cara bem bacana por ter sido egoísta, intransigente e consequentemente imatura.
Isso serve para algumas pessoas que comentam aqui. As mesmas leitoras que não possuem essa percepção para compreender que as pessoas precisam evoluir e mudar em um relacionamento para que ele dê certo, são as mesmas que criticam a mudança nos meus textos e as mesmas que precisam de fórmulas prontas para fisgar o cara que curtem.