Me chamou a atenção um comentário no post passado de uma leitora questionando se eu não acreditava no “amor pra sempre” por ter sido tão frio no desfecho do post.
Pieguices a parte, claro que procuro acreditar no “amor pra sempre”, ninguém inicia um relacionamento achando que em um ano ele vai acabar. Óbvio que no começo de um namoro você não vai fazer planos para casar, mas crê que a pessoa ao seu lado ficará com você uma boa parte da sua vida. Só que apenas com o tempo você saberá que o pra sempre, quase sempre acaba.
No início de um namoro bacana tudo é paixão (frase brega, mas ok), sexo, sorrisos, felicidades, blablabla. Esse mix de sentimentos positivos ofuscam quaisquer defeitos das pessoas. Ela é imatura? Ah, com o tempo isso resolve. Ele é teimoso? Ah, com o tempo isso muda. A família dela é maluca? Ah, o que importa é o sentimento entre os dois. E por ai vai, a paixão sempre fazendo o papel de apaziguadora.
Só que ai as coisas começam a mudar. Os cientistas dizem que após 2 anos de relacionamento, a paixão acaba e o que fica é o amor. Não posso confirmar isso de forma empírica, mas garanto que após 6 meses de namoro, bastante coisa muda em relação ao início.
Como eu disse no fim do post passado, para mim um relacionamento é construído sobre dois pilares, sintonia sexual e afinidade.
A sintonia sexual não tem segredo. Geralmente ela já dá indícios no primeiro beijo, no encaixar das bocas e termina com uma boa primeira vez que vai se aprimorando mais pra frente. Algumas vezes ela não começa bem, o beijo sai torto, o sexo é mais ou menos, mas com algumas instruções e insistências o negócio pega no tranco e ai fica uma maravilha. Ela não exige estudo, família, repertório, faculdade ou maturidade, a atração é meramente física.
Após algum tempo há dois caminhos para a sintonia sexual, ou ela cai na rotina e o sexo vira um saco ou se aprimora a cada vez a ponto de cada noite ser especial, não é aquela coisa da primeira vez, mas a qualidade só aumenta.
Só que afinidade sexual, você encontra com o porteiro do prédio, com a copeira do escritório, com uma aeromoça, com o barman da balada. Não tem segredo. É um sentimento da época das cavernas, que não vê classe social e estudo. E aqui reside o grande erro de parte das mulheres, de se apaixonarem pela pegada do cara e se esquecerem do outro ponto tão importante quanto, a afinidade.
A afinidade, diferentemente da sintonia sexual, ocorre na primeira conversa. Pelo primeiro papo dá pra perceber se a garota é uma mula, se o cara é um babaca, se os papos só se resumem a previsões meterológicas, o tamanho do biceps dele ou a bolsa recem comprada por ela.
Após algum tempo há dois caminhos para a afinidade, ou você passa a admirar a pessoa cada vez mais pela sua inteligência, determinação, maturidade, garra ou ao passar do tempo você percebe o quanto a pessoa é egoísta, imatura, fraca e todos os defeitos de uma forma geral que a paixão inicial mascarava.
Nesse mesmo post passado levantei um tema que nunca tinha abordado aqui no blog e as leitoras mais ligeiras logo sacaram que o post não era apenas filosofia e análise distanciada. Porém, quem não sacou que o cafa se referia ao momento que estava passando, relaxe. Meu intuito aqui nunca foi expor diretamente pessoas com que eu me relaciono e gosto. Porém, como agora o momento é outro, anuncio às minhas leitoras que estou solteiro novamente.
Já até posso imaginar as reações. As leitoras reclamonas vão ficar felizes pela possibilidade de eu voltar com os posts mais apimentados e as mais românticas ficarão tristes por não ter dado certo meu namoro e com receio de que o blog vire um diário vazio e superficial das aventuras de um homem solteiro. Mas relaxem, a temática do blog mudará um pouco, mas não cairá apenas no vazio de relações superficiais.
O que me incomoda um pouco são as reações das pessoas quando eu anuncio o término: “Ahhh, que pena”, “Você está bem?”. Porra, morreu alguém? É ridícula essa percepção de que para alguém ser realmente feliz é preciso estar com um parceiro fixo. Namorar é bom? Po, pra caralho. A pessoa amadurece bastante, mas instituir isso como o encontro da felicidade plena, é exagero. Quem depende do outro para alcançar a felicidade na vida é um(a) coitado(a).
Outro ponto que enche o saco é o “Por que você não dá uma chance?”. Quando você é garotão (garotona), quer só saber de curtição e o namoro é aquela coisa descolada, pra preencher o tempo. E ai no primeiro término, sempre rola esse “dar uma chance”.
Só que em uma determinada idade, você não pensa somente no hoje. Você já começa a pensar em planos maiores como casar e ter filhos. E ai você analisa todos os fatores e se pergunta, “eu vejo essa pessoa como minha mulher (marido)?”, “Imagino filhos com ela (ele)?”, se a resposta for negativa, não há ”chance” que resolva. É melhor você cortar a relação antes que ela crie raízes e os dois saiam ”machucados” no término.
Há também aqueles caras mais sacanas que me sugerem, “Para que terminar, Cafa? Continua namorando, tenha uma foda segura e fixa e sai pesticando por ai”. Sim, de fato seria uma solução interessante pensando racionalmente, mas não dá pra ter uma atitude assim com alguém que foi importante na sua vida e te respeitou.
Enfim, é isso. Acabou a fase romântica. Acabaram as histórias floridas. Cafa está de volta a ativa.
Recentemente tenho conversado com algumas amigas sobre essa questão, “dar um tempo”. É meio que unânime entre elas que isso não existe, que os homens apenas usam esse artifício para enrolar a coitada. Porém, posso dizer com muita confiança que em metade dos casos não é enrolação.
Claro, para uma parte dos homens essa é a melhor saída para dar um fora na garota sem ter o desgaste de ficar discutindo uma relação desgastada e não ter que aturar chororo. A maioria deles é covarde mesmo, não tem coragem de dizer ”acabou” e ai fica cozinhando a garota até ela se encher e desistir. Para outra parte dos homens, simplesmente a relação com a garota não foi tão intensa a ponto dele ter a consideração e saco para ouvir lamúrias.
Porém, quero me atentar aqui aos homens que ”dão um tempo” com intenções legítimas.
Como em todo relacionamento saudável, discussões e desentendimentos sempre vão ocorrer. É por meio deles que os mal entendidos se resolvem e obstáculos são ultrapassados. O problema é que nem sempre algumas coisas são resolvidas, mas por serem pequenas, são deixadas de lado.
Só que chega em um determinado momento que são tantas coisinhas deixadas de lado, que juntas e em um instante viram um pequeno monstrinho. E ai não tem jeito, o cara vai colocar na balança se ele realmente gosta o suficiente da garota para conviver com o monstrinho ao lado. E aqui reside a principal divergência entre o modo de agir de homens e mulheres e que as faz com que não acreditem no “dar um tempo”.
Para mulher tudo se resolve conversando. Só que nesses casos elas se esquecem de que a conversa não funcionou anteriormente e não vai ser em uma rave de DR que o monstrinho vai embora. O negócio é mais embaixo. Problemas e defeitos todo mundo tem, mas alguns deles são estruturais e não há conversa que resolva.
Ai o cara precisa desse tempo para poder avaliar o que sente pela garota com um certo distanciamento. E isso não quer dizer que ele vai pra balada na primeira noite e comer umas vagabundas. As vezes até ocorre, mas não é regra. Geralmente o cara vai retomar os hábitos de solteiro, como ouvir o seu som alto no carro, beber no bar com os amigos e fofocar sobre as piriguetices de uma conhecida, ir ao jogo de futebol sem dar satisfação a ninguém, dormir estatelado na cama e soltar pum na hora que quiser, passear sozinho no fim de semana e fazer planos pra noite, enfim, vai tentar tirar a namorada de foco e ver se dali um tempo o coração não aperta e ele não tenha vontade de voltar correndo pra garota.
Se o cara voltar, é pra ficar bem feliz, pois ele realmente sente algo muito forte. Se não voltar, paciência. Não existe alma gêmea, cara metade e demais babaquices de música romântica brega. Existe afinidade e sintonia sexual e depois de determinado momento, elas podem se enfraquecer e acabar, mas nada que não possam ser encontradas com outra pessoa.
No post passado algumas leitoras chiaram dizendo que estou muito ácido, que só falo de mulher tosca e que esqueci de enaltecer as mulheres bacanas que existem por ai.
Elas têm razão, anda faltando um açúcar no blog, um confete, um algodão doce, enfim, algo que faça com que elas se apeguem a algumas qualidades desses perfis “bacanas” e fiquem otimistas acreditando serem um partidão, tal qual uma garota que descobriu em um teste da revista Capricho que é um “Mulher sexy”.
O problema é que não estou com ânimo e pegada para escrever sobre coisas leves e fofas. E para piorar, me deparo com um texto para a Sexta das Leitoras que beira o surreal. Como não tem muito que comentar, fiz um bem bolado da Sexta das leitoras com a Rapidinha do Cafa.
O texto abaixo foi transcrito da mesma forma que foi enviado a mim (custei a acreditar que fosse verdade).
“Olha cafa, eu estou sempre lendo seu blog, e lendo a sua atualização do dia 7 de maio sobre passado, resolvi conta uma história minha.
Eu um dia dei bobeira de fala do meu passado pra um cara que eu tava ficando, contei das loucuras que fiz em um dos carnavais da minha vida.
Estava no meu primeiro dia de carnaval em cabo frio, eu e duas amigas, e resolvemos entra na onda do coletivo (Cafa > Adorei essa expressão), tudo que o cara fazia com uma, tinha que faze com a outra também. Se o cara mim beija se tinha que beija também as outras duas, e assim vice e versa, mas acontece que tudo isso fico serio de mais com um cara lindo de mais que encontrei La (Cafa > Imagino o grau de seriedade da situação), e as duas caíram e cima dele, i eu nem pude fala que nele eu não queria coletividade (Cafa > Fantástico), por que elas caíram em cima dele de um jeito, que quando eu comecei a fala que nele não tinha coletividade, uma delas já começo a explica pra ele como que funcionava com nos três.
Resumindo tudo isso, fomos nos três mulheres pra um motel (Cafa > Adorei a solução), só com ele de homem pra da conta de nos três, i ele foi o meu segundo homem, pois o carnaval foi em fevereiro i eu tinha perdido minha virgindade em janeiro do mesmo ano.
Foi incrível, tudo foi muito bom.
Ai, eu ingênua de mais, chego na minha cidade, vou sai com um cara, e do a besteira de conta dessa historia pra ele, e o pior que contei pra ele da primeira vez que sai com ele. Tola de mais NE? Pois e!
Eu com essa besteira minha, o cara simplesmente mim propôs de um dia i nos dois mais um amigo dele, só pra mim, ou então pra mim leva uma amiga minha e ir eu essa amiga minha e ele a um motel.
Eu não aceitei, pois isso foi uma experiência na minha vida que foi boa, eu não posso nega isso! Mas não quero BIS” (Cafa > Está certa, que absurdo esse rapaz achar que você é uma qualquer. Deveria ter te pedido em namoro.)
Olha, realmente não tem muito que eu falar aqui sem ser grosseiro, repetitivo e amargo, mas pqp…bom fim de semana vai.
É incrível a pressão que a sociedade faz para que o homem tenha um desempenho sexual de uma máquina de sexo. Letras de música (principalmente funk), revistas “especializadas” e filmes enaltecem o Homem Máquina. Aquele que dá 5 seguidas, que possui um mastro entre as pernas e faz com que a mulher tenha múltiplos orgasmos e fique literalmente arreada na cama.
Isso é muito bonito no papo e no filme pornô, mas na realidade a coisa é bem diferente. Em boa parte das vezes, na terceira seguida o meninão já dá sinais de esfolamento, a sensibilidade cai drasticamente tornando as próximas relações nada prazerosas, o mastro na verdade é um pitoco e o orgasmo da garota não está necessariamente associado ao desempenho do cara e sim da mulher que não consegue se soltar.
E é justamente sobre esse último tópico que trago a história do leitor Jocenir, sobre mulher múmia.
“Sexta-Feira uma conhecida ligou fazendo um convite para irmos a algum barzinho ou uma balada qualquer. Aceitei e no horário combinado nos encontramos.
Passamos a noite conversando e colocando os assuntos em dia. Em certo momento, a conversa acabou se dirigindo para sexo e relacionamento dos nossos últimos lanches.
Ela acabou confessando que estava sem fazer sexo há um bom tempo e que pra minha surpresa ela nunca havia tido um orgasmo (nem com o ultimo namorado a qual eles ficaram juntos quase 1 ano e acabou porque ela descobriu que ele a estava traindo).
Cafa > Como você disse no final da história, quando a oferta é muito atraente, desconfie da qualidade do produto. Mulher se oferecendo assim, ou está com algum problema ou você é muito foda.
Discretamente ela me convidou para ir dormir na casa dela, disse que a amiga que dividia o apartamento estava viajando por causa do feriado e ela estaria sozinha. Passamos em um supermercado 24 horas pra comprar umas coisas e outras e fomos pro ap.
Cafa > Opa, que discreta essa garota não? Fala que a amiga foi viajar, que está sozinha e te chama pra ir lá.
Depois de fazer um joguinho ou outro, dar uma de difícil e criar certo charme (abrir uma taça de vinho, colocar um som ambiente, etc.) já estávamos no quarto tirando as roupas e caindo na cama.
Pra minha surpresa [2], descobri que a guria é uma estatua, depois que se deitou na cama ficou imóvel ali esperando eu “terminar” (ou começar) o serviço. Sinceramente foi a pior transa da minha vida. Eu precisava fazer ela abrir as pernas, se movimentar, pra querer beijar ou qualquer coisa assim. Mudar de posição papai e mamãe nem pensar então.
Cafa > Sei bem como é isso. As vezes é bom você dar um tapinha na cara pra ver se ela não está dormindo ou se não desmaiou. As vezes é falta de intimidade, mas tomar algumas atitudes é o mínimo que se espera da garota. Ai depois as mulheres reclamam quando o cara pede pra “dar uma chupada”, é porque há mulheres que precisam ser avisadas, pois se não esquecem.
Enquanto EU fazia alguma coisa com a boneca de plástico, fiquei imaginando se transar com uma arvore não seria melhor do que “aquilo”, pelo menos quando desse algum vento a arvore iria se mexer pra algum canto.
Cafa > Olha, deve ser melhor mesmo. Além dela balançar com um ventinho, não vai te ligar no dia seguinte.
Por mero orgulho decidir ir até o fim e fazer à infeliz ter um orgasmo descente (começou a fazer sentido por que ela nunca tinha tido um antes e por ter sido traída). Após a bandeira da vitoria ser erguida e o meu ego aumentar de ver a guria cansada, esperei ela dormir para então virar pro outro lado e fazer o mesmo.
Cafa > Essa é a melhor parte, o ego. A transa pode ter sido uma grande bosta, mas saber que você foi O cara para a garota, já dá uma satisfação imensa. O problema é o preço que você paga por isso.
De manhã acordei com ela falando alguma coisa e querendo se aproximar de mim como uma garota inocente. Rolou um segundo round (exatamente igual à primeira vez, sem nenhuma melhora ¬¬ ) e depois do café disse que precisava ir embora. Ai veio à pior parte: Ela quis iniciar uma D.R (Discutir Relação) onde o “R” nunca existiu..
Cafa >Ah sim, é muito comum após uma transa casual surgirem esses ataques súbitos de puritanismo, “oh, eu nunca fiz isso antes”, “ai, como eu sou loca”, “O que você vai pensar de mim”, o único intuito é convencer a consciência dela que é uma santa. Sobre a DR, é típica de mulher xonadinha. Se ela não gostasse da noite, ia fazer com que você sumisse dali. DR está associada a mulher que não quer perder o cara e precisa puxar uma discussão pra saber se ele só quer farra ou algo sério. A múmia dessa história se precipitou. Carente demais a coitada.
Passei o dia recebendo sms, uns dois e-mails e mais alguns telefonemas marcando outro encontro e agradecendo pela noite com alguns mimimis a mais..
Como diria Gabriel O Pensador: “Quando a esmola é demais, o santo desconfia, essa mina deve estar com algum problema!!!”
Cafa > Essa dai definitivamente não lê o blog. Não entendo o que passa na cabeça dessas mulheres de fazerem spam quando curtem o cara. Será que acreditam que se não mandarem 4535 mensagens ele vai se esquecer dela? É muita falta de auto-estima e carência. Jocenir, se prepara. Essa dai foi acometida pelo amor de pica. Vai te dar um trabalhão. Pelo menos você sabe que se um dia estiver necessitado e não quiser ficar no 5×1, vai ter a múmia a sua inteira disposição para dar umazinha.
Para as leitoras que me lêem, vocês não recebem tanta pressão como nós homens recebemos em relação ao desempenho sexual, mas saibam que o desempenho de vocês também é avaliado e comentado. Mas veja bem, ninguém precisa ser uma máquina sexual para que uma relação seja prazerosa.
Não é necessário dar de ponta cabeça, fazer sumir o membro do parceiro dentro da boca ou grã-mestre em pompoarismo para que você seja boa de cama. Basta agir com naturalidade, fazer o que tiver vontade e deixar o negócio fluir. É um conselho bobo, mas que poucas mulheres seguem justamente por ter a cabeça povoada por leituras podres, músicas ordinárias e referências questionáveis.
