Antes de continuar a história, agradeço todas as brasileiras e brasileiros que contribuíram com o seu ponto de vista e experiência fora do Brasil. Muito bacana os comentários e saber que tenho leitores em vários países
(Continuando…)
A parte onde ficam os vinhos, água e refri é na traseira do avião e logo ao lado da mesinha fica um dos banheiros. Ao chegar nessa parte, a garota disse que iria ao banheiro, mas que estava receosa, pois os banheiros de avião costumam ser sujos e perigosos (uma grande baboseira, pois nem que ela quisesse seria sugada pela privada). Enfim, ela pediu para que eu entrasse antes para verificar. Minha vontade era falar para ela que eu não era faxineiro, nem comissário de bordo, mas seria muita acidez para uma garota que estava criando uma situação para levar vara a 10.000 metros de altitude. Falei para ela ficar tranquilona, pois eu estaria logo ali na porta caso ela ficasse entalada. Deu uma risadinha e entrou sozinha.
Quem diria, após uma séria de viagens malfadadas, cafa finalmente estava dando um fora. Rá.
Bom, por sorte eu não ouvi ruídos flatulentos e pude tomar meu vinho numa boa até ela sair do banheiro. A primeira pergunta que ela fez ao sair foi se eu era realmente brasileiro e morava no Brasil. Afinal, poderia ser a chance de ela arrumar um marido e ganhar cidadania européia (óbvio que o objetivo dela não segue essa sequência). Fui respondendo o questionário que toda piriguete aplica para detectar seu macho até me encher o saco e eu devolver algumas perguntas para detectar uma puta disfarçada.
Ela disse que fazia mestrado em publicidade numa cidade italiana (não falarei o nome, mas essa cidade é conhecida por abrigar a maior comunidade chinesa na Itália e por ter centenas de putas brasileiras), que trabalhava em uma ótica e vivia com o seu “namorado”. Fiz mais algumas perguntas indiretas e descobri que o “namorado” nada mais é que um malandro italiano responsável por ela e por regularizar a sua situação no exterior. Trocando em miúdos, um cafetão. Depois eu fiz mais algumas perguntas pra pegá-la na mentira e deu certo. Por exemplo, perguntei se a pós-graduação dela era muito puxada e ela saiu falando da sua pós, sendo que antes tinha dito mestrado. Já de saco cheio da situação e mentiras, resolvi mudar de assunto e perguntei sobre onde ela passaria carnaval. Salvador, claro.
Disse que seu vôo faria escala em São Paulo e que ficaria 4 horas sem fazer nada e perguntou o que eu poderia sugerir (no mínimo esperando ouvir “vai pra minha casa”). Falei para ela ficar no aeroporto ou redondezas para não perder o vôo no trânsito de São Paulo. Ela insistiu no convite para fazer algo em conjunto e voltei ao tema do carnaval para desconversar. Foi então que tive meu primeiro (e infeliz) contato com a música Rebolation. Não aguentava mais aquela conversa e de me sentir como uma garota difícil e chata. Voltei para a minha poltrona e ela voltou a atacar o judeu ao lado dela.
Ao longo do vôo tiveram outras situações adversas. Como dois travestis me cortejando e uma puta brasileira que trabalha na Espanha e contou sua vida para o vôo inteiro ouvir. Essa última me deixou profundamente incomodado. A mongol está há 10 anos na Espanha e trouxe 2 espanhóis para conhecer no carnaval no Brasil. Fiquei de cara, pois a garota não conseguia formular uma frase simples em espanhol sem cometer um erro grotesco. Quer ser puta no exterior, seja, cada um sabe o que é melhor pra si, mas pelo menos aprende alguma coisa fora da cama.
Desembarcando do avião, fiz amizade com uma velhinha que tinha ido estudar italiano em uma cidade italiana (óbvio) e já na fila da alfândega começamos a falar sobre a quantidade de puta e travesti no vôo. Sim, não é um tema muito bacana pra conversar com uma velhinha fina, mas eu precisava desabafar com alguém. Comentei em particular da garota que foi atrás de mim no avião e a velhinha começou a descer a lenha nela. Ela tinha prestado atenção na garota e disse que ficou com vergonha na condição de mulher e brasileira diante de tanta vulgaridade. De garota difícil e chata, eu virei uma velha reclamona e fiquei tricotando com a minha “nova” amiga na fila da alfândega.
Foi então que ao dobrar a fila, vi que a oxigenada-salto-alto-barriga-de-fora-masca-chiclete estava atrás da gente e escutou todo nosso diálogo. Morri de medo de um barraco, mas pelo menos nesse momento ela ficou quieta e eu com pena. Dei uma enrolada no Dutyfree para evitar um encontro fora do saguão e ao sair para retirar dinheiro no caixa eletrônico, vi a garota no guichê ao lado junto com dois italianos. Mais uma brasileira fazendo nossa fama.
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P.s Não consegui pensar em nada criativo para a promoção, mas nessa semana ainda posto.