Ouvi dizer que praga de ex é pior que costurar a boca do sapo e jogar pimenta no formigueiro do cemitério. O que eu sempre considerei uma grande bobagem. Porém, pelos fatos recentes começo a desconfiar que há algo de verdade nessa crendice popular ou que espíritos zombeteiros andam me assolando.

Primeiro, logo após a primeira saída com uma garota que não fosse a minha ex, entrei em mal bocado que já relatei aqui no blog. Está certo que no fim de semana seguinte sai com uma leitora bacana de Santos e deu pra curtir um pouco. Porém, acabou por ai a marola de felicidade.

No feriado passado (no meu aniversário) eu já tinha feito uma série de planos para sair arrepiando com meus amigos solteiros na cidade que fomos visitar, mas acabei arrepiando o dono da pousada. Calma, eu não ataquei o velhinho. É que no lugar só tinha casal e mulher feia. Não tínhamos opção a não ser encher a cara e conversar. Só que eu passei do limite, fiz uma série de merda que deixaria o capeta envergonhado e tive que lidar com a ressaca física e moral no dia seguinte, tendo olhos de reprovações por todos os cantos que eu passava.

No dia do meu aniversário resolvemos ir comemorar no Baile de Aleluia da cidade. A única atração decente que tinha lá.  O lugar estava infestado de gente brega, adolescentes e caipiras briguentos. Não deu pra ficar meia hora no lugar e tivemos que vazar antes de tomar um pau da cidade. Apesar de ter passado o feriado com as pessoas que eu gosto, todos estávamos na expectativa de tirar uma casquinha caipira e voltamos praguejando a cidade interiorana e os infortuitos passados.

Domingo, de volta a São Paulo, tentei recuperar o tempo perdido e me encontrar com uma leitora que já tinha me dado bolo em 2 encontros marcados na cafa-house. Tínhamos marcado dela vir a noite. Eis que no meio da tarde cafa pai resolve aparecer do nada em casa dizendo que ia dormir aqui. Expliquei a situação pra ele e muito contrariado voltou pra sua casa.

Bom, estava tudo combinado, cafa cheirosinho, casa arrumada e vinho na adega. E…a ordinária deu o terceiro bolo. Puto, resolvi trabalhar o resto do domingo que faltava e esquecer tantas provações.

Pois bem. Pensei que nessa semana nada poderia acontecer de errado, afinal cafa fica adormecido em dias úteis, mas não. A praga pelo visto foi feita na cabeça de um bode morto com velas para Iansã e posta na encruzilhada da Avenida Ipiranga com a São João.

Começou ontem a noite. Voltei da aula de boxe suando feito um porco e tudo o que eu queria era me enfiar embaixo do chuveiro, tomar aquela banhão e depois comer meu sanduiche preferido. Não é pedir muito, né? Mas é. Comecei a me ensaboar, xampu no cabelo e quando estava uma espuma ambulante…pum! A água ficou fria justamente na semana que começou a  nevar em São Paulo. Sai correndo  até a caixa de força, como a minha mãe me trouxe ao mundo só que cheio de sabão, desliguei toda a chave e religuei, mas o chuveiro não voltou. A resistência tinha queimado. Tomei a outra metade do banho sambando no meio do box, tremendo de frio. Fui preparar meu sanduíche e o pão de forma tinha embolorado. Tive que fazer pequenos enrolados de peito de peru com queijo e considerar isso minha janta.  Fui deitar e lá pelas 2:00 da manhã acordo com ligações mudas e mensagens no meu celular de alguma abobada dizendo que estava com saudades de mim (e que eu não tenho a mínima idéia de quem seja). Só que não acabou por ai.

Hoje, tinha combinado de ver um filminho em casa com uma leitora das antigas e o que aconteceu? Não, essa não me deu bolo, mas o cafa pai novamente resolveu fazer picardias e apareceu em casa de supetão. Tive que cancelar o encontro. Puto [2], fui pra aula de boxe descontar meu stress. Voltando lembrei que a porra do chuveiro estava queimado e fui até a loja de construção comprar a resistência.

Não sou eletricista, mas tenho noção básica de uma caixa de luz. Desliguei todas as chaves que vi pela frente, mas não observei duas pequeninas que eram justamente as do banheiro / chuveiro. Por um milagre de Deus (e acredito que aqui a praga começou a perder o efeito), eu troquei a resistência sem tomar choque. Porém, observei que tinha um frio atrás do chuveiro meio pretinho e fui passar o dedo pra ver o que era. Era um frio desencapado e tomei um PUTA choque. Meio atordoado, terminei o serviço e consegui tomar meu banho. Só que não acabou por ai [2].

Fui para o meu quarto ficar quietinho no computador trabalhando, por meu pijama de frio, abrir um vinho pra esquentar e uma taça de água para não ficar doidão. Não há riscos aqui, certo? Errado. Juro, do nada um souvenir que eu trouxe da Argentina (um obelisco) que fica em cima da minha adega caiu na taça de água e a fez quebrar. Metade da água foi parar na minha declaração de renda e a outra no meu pc. Por sorte consegui salvar ambos. Só que não acabou por ai [3]. Meia hora depois eu bati sem querer na taça de vinho e essa se quebrou e esparramou vinho pelo carpete e no meu tênis que estava do lado. Depois da pequena faxina, recebi mais mensagens da abobada misteriosa.

Enfim, é melhor eu parar por aqui antes que o PC exploda na minha cara ou que eu me engasgue com o amendoim. Mas ó, se algo acontecer comigo, podem ir na esquina da avenida São João com a Ipiranga que vocês descobrirão o motivo. E chega desse assunto, próximos episódios voltaremos a saga de solteiro.

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