Todo ano é a mesma coisa. Dia dos Namorados se aproxima e as leitoras já começam a ficar em polvorosa pedindo posts com dicas de presente, dicas de balada, dicas de como arrumar um namorado, dicas, dicas, dicas…Sem dicas esse ano. (quem quiser dar uma olhada nas dos anos anteriores clique aqui e aqui).

Não darei dicas porque esse Dia dos Namorados está acabando comigo. O único alento é que a Copa se avizinha (adoro essa expressão) e os jornais e revistas estão dando um foco maior a isso. Porém, sempre aparece um anunciozinho de um casal juntinho aqui, uma diquinha gastronômica ali e casais de namorados fazendo seus planozinhos. Por mais que você encare essa data como uma simples convenção comercial, é inevitável que ocorra aquela reflexão, “porra, to sozinho(a) de novo”.

Particularmente tive um combo de reflexões nesse feriado passado que fizeram com que eu ficasse mais deprê.

Acabei viajando com os meus amigos para a cidade serrana de Campos de Jordão (para quem não conhece é a cidade que faz mais frio no estado de São Paulo e é famosa por suas atrações gastronômicas). Foram 3 casais e 3 homens solteiros (eu era um deles). Obviamente que só fui pra lá por causa dos outros dois (sem piadinhas de duplo sentido), pois haviam me cantado a bola que lá as mulheres são muito bem vestidas, lindas e de bom trato.

Só que chegando lá as mulheres na verdade eram praticamente idênticas, pré-moldadas (botinha + meia calça + casaquinho + pozinho + fresquinha), sem personalidade, na faixa dos 16/18 anos e completamente fúteis. Decidi curtir a cidade com os meus amigos, fazer os tours gastronômicos e desligar a minha cabeça do trabalho. Atingi esse objetivo, mas não consegui me desligar da parte afetiva.

Somando-se o fato de estar em uma cidade com média de 4 graus celsius, sem companhia feminina e cercado de 3 casais bacanas, comecei a refletir sobre essa porcaria de dia dos Namorados e mais especificamente sobre a minha situação (o que creio que boa parte das leitoras e leitores solteiros e que já tiveram histórico de namoro bacana também o faz). E nessa reflexão temos 3 perigos que nos cercam:

1-) Voltar com a ex – Essa é clássica. O momento em que um homem decide entrar em contato / voltar com a ex está diretamente ligado a quantidade de bebida alcoólica ingerida, às baixas temperaturas e referências de casais bacanas ao seu redor. Como vocês observaram, o cenário estava perfeito para eu pegar o telefone ou o computador e buscar contato com a minha ex. E na cabeça do bêbado é algo super nobre e gentil essa atitude, o capeta fica ali no ouvido “ah, não pega nada ligar. Você só quer saber como ela está, dizer que tem saudades dos bons momentos e falar algumas coisas que não teve a oportunidade “. ESQUEÇA!  No mínimo você irá bancar a(o) ridícula(o) e se arrepender profundamente no dia seguinte.

2-) Companhias duvidosas – Você está lá carentona, teu ex já está namorando ou no mínimo dormindo com alguém (dificilmente você pensará que ele também está sozinho e talvez pensando o mesmo de você) e tudo o que você quer é ter um cobertor de orelha, alguém para conversar e esquecer o que o ex está fazendo. Ai você começa a maquinar (ainda que inconscientemente) em quem dos seus atuais contatos seria a pessoa mais indicada para assumir tal posição. E ai se você for uma pessoa agradável, provavelmente aparecerá umas duas na cabeça. Você abaixa a guarda, retira alguns filtros, fica mais permissiva e pronto….arrumou alguém. Bacana? NÃO! Se a relação com essa pessoa não evoluiu antes, não é porque você ficou mais permissiva que dará certo. Quando a carência baixar, vai perceber que se meteu em uma furada e ai é mais um desgaste pra se livrar do traste que se apegou a você.

3-) Descambar pra putaria – Outra solução muito comum. Já posso imaginar os comentários de algumas mulheres “bem resolvidas”:  “Ai, amiga. Dia dos Namorados tá chegando e você já sabe, né? São as melhores baladas meeeu. Fala sério! Bora pra pista!”. Descontada a riqueza do vocabular, essa alternativa é uma das mais procuradas por quem quer esquecer a data. Fácil, né? Vai pra balada, arruma uma ordinária / pinto solto, leva pra casa, dá uma (ou várias se quiser mostrar que aguenta) e problema resolvido, certo? ERRADO! Vai acordar dia seguinte com uma tremenda mala do lado e o vazio de não ter alguém bacana por perto vai bater em dobro.

E as mais afobadas vão falar, “Ai, então devo ficar sozinha e chorar”. NÃO! O lance é simplesmente abstrair o Dia dos Namorados, aproveitar os bons e verdadeiros amigos para conversar, falar sobre assuntos aleatórios e não tomar atitudes precipitadas por uma mera circunstância.

É, eu sei. Falei que não ia dar dicas e acabei dando algumas. Não resisto.