Como o post anterior sobre perfume deu uma repercussão bacana, farei uma reedição dando dicas de perfume que eu curto. E caso você tenha interesse neles, consegui um desconto de 10% na compra (basta clicar no perfume que curtiu ou acessar o site aqui e digitar no campo promocional “cafa”). Vamos lá:

Carolina Herrera > Pra usar esse tem que ter muita personalidade e gostar de perfume cítrico. Tem gente que acha que ele tem cheiro de produto de limpeza, eu gosto, mas definitivamente não é um perfume pra usar no dia a dia.

Hypnôse senses (Lancome) > É um perfume para o dia a dia, bem fraquinho, mas com um cheiro bem bom. Caso você queira algo mais forte, veja o Hypnôse eau du parfum que está com um mega desconto e mais o do blog fica a bagatela de R$ 89,00 (e para alguns lugares o frete é grátis).

Ricci Ricci >É um perfume bem doce. A leitora que ganhou na promoção passada pode falar melhor sobre ele. Acho que só deve ser usado a noite.

Dolce & GabbanaRose the one > Esse pra mim é um dos melhores perfumes femininos. O cheiro dele é bem exclusivo. Tem o selo Cafa de recomendado. Joinha pra ele.

Eau demoiselle (Givenchy) > Um ótimo perfume para o dia a dia. O fixador é razoavelmente bom e não é enjoativo.

E para você que gostaria muito de comprar um desses perfumes, mas a grana está apertada, eu ajudo! Calma, não vou comprar nenhum perfume pra você, mas sortearei um lançamento da Thierry Mugler (Angel Sunessence). Esse lançamenton não é aquele Angel antigo com cheiro de petshop, é coisa boa.

Como participar? Basta encontrar a palavra secreta que escondi em um post antigo do blog e colocar no comentário desse post.

A história da Potira serve como referência para muita leitora que por falta de experiência e/ou por ter sido criada no mundinho rosa da Barbie ou da Cinderela, acredita que um homem para estar apaixonado basta dizer. Não importa se as atitudes mostram o contrário. O cara dá um perdido na garota no sábado a noite, mas se no domingo fala “eu te amo”, pronto já fica babando nos pés do cidadão. Vamos a história.

“Conheço o Ramon desde os 15 anos. Superficialmente! Ele é vizinho da minha tia. Como cheguei a morar lá com os meus 18 anos, Percebi melhor a “paquera do vizinho”. Às vezes ele passava de carro bem devagar em frente pra ver se eu tava em casa (ou não), Só quando entrei pra faculdade (que por sinal era a mesma dele) é que houve uma proximidade maior.

Começamos a conversar por MSN e Orkut, nada muito profundo. Então eu ficava na minha. Ate que certo dia na faculdade ele me procurou e me bombardeou de perguntas: “Porque vc sumiu?” porque não fala mais comigo? Porque eu não te vejo mais?

Cafa > Foi o primeiro contato para tentar te comer. Essas perguntinhas para mostrar uma pseudo preocupação e saudade são manjadas. Só cai mulheres inexperientes.

Depois de alguns meses é que finalmente ficamos. Ele apareceu na internet propondo um encontro e eu fui. Porém em uma dessas nossas conversas por MSN ele veio com uns assuntos sobre sexo (?) meio que sugerindo um encontro.Quando eu comecei a ler, fiquei sem ação,nunca tinha visto isso.

Cafa > Isso é a típica atitude de moleque, que ao invés de chegar ao vivo na mulher, usa a internet e ainda fica com papinhos de putaria no MSN (no mínimo batendo uma punheta enquanto conversa com você). A sua reação deveria ter sido mandá-lo pentear macaco, mas pelo visto você não se importou com essa atitude tão tosca.

Depois de alguns dias, resolvi procurá-lo e esclarecer as coisas, por não ter respondido como deveria. Disse que na hora não soube como agir, e que ele tinha confundido as coisas, e fui clara ao falar que se a intenção dele era só essa que não me procurasse. Ele não me respondeu. Fiquei uns dias sem entrar, assim que eu entrei ele veio me procurar. Perguntando se eu estava brava (?) falei que não. Que tinha ficado decepcionada, e que achava que ele fosse de outro jeito. Ele veio:

- Eu não quero mais confundir minha vida com alguns conceitos distorcidos de religião, e pensei sinceramente que vc fosse mulher, que fosse adulta. Apenas isso’  (ele Tb já tinha sido evangélico) “

- Religião? Não. Não tem nada a haver com religião, são meus princípios mesmos.

Cafa > Hahahhahaahaha. Cara, esse moleque só usa carta suja pra tentar te comer. Além do lance de “saudade”, agora esse “pensei que você fosse adulta” e o argumento com o conteúdo de um tira de gibi “ideias distorcidas de religião”, meu tu tinha que mandar o cara plantar o pipi dele na bunda de algum amiguinho desmiolado, puta babaca.

Demorou mais um tempo ate o nosso segundo encontro. Que foi bem melhor que o primeiro.Houve uma maior desenvoltura, Bem bacana! Ate que quase acontece o algo a mais. Foi quando eu revelei que era virgem. Ele me olhou espantado e perguntou se eu queria tentar, falei que era um pouco cedo. Ele virou e falou: “humm vamo namorar, então!”.

Cafa > Olha, entendo que você é nova e inexperiente, mas esse cabeça-de-bagre não deveria conseguir conquistar um plâncton. Que ideia é essa agora de “vamos namorar então” ?! Nesse momento ele jogou na sua cara que te via como um buraco (tampado, mas ainda um buraco).

A partir daí fiquei boba. Não tinha ido alem com nenhum outro homem. Comecei a pensar sobre isso. Sempre gostei dele desde a minha adolescência e sei do peso que o sexo tem em uma relação, eu queria arriscar. Se nada ocorresse bem ou se eu ficasse vitima do “amor de pica” ou algo desse tipo eu sumiria. Ele chegou a dizer que esperaria.

Cafa > Tá tudo errado. Você entende a importância da primeira vez, mas pelo visto não sabe distinguir (ou aplicar) as coisas. E você ficou boba com o que? Achou ele um fofo por ter te pedido em namoro? Se for isso, ave Jesus-Maria-José, como diz minha mãe.

Você gostou (ou gosta) dele, mas ele em nenhum momento mostrou que gosta de você, apenas quer te levar pra cama pregando discurso oco.

Sobre “se eu ficasse vitima do “amor de pica” ou algo desse tipo eu sumiria”, cara, nem mulher com mais de 30 anos consegue se livrar de um amor de pica direito. Olha você, se nem a pica bateu direito e já está ai toda com borboletas na barriga, o que te faz pensar que na hora que ela bater com vontade você sairia dessa numa boa?

No dia certo, já acordei com um friozinho na barriga e pensativa. Não gostava da idéia de planejar, queria que fosse algo mais natural. E foi o que aconteceu.

Cafa > Não aconteceu nada natural, foi planejado e mecânico do início ao fim, como você mesma pontuou.

Cheguei lá e ele quis ir direto ao ponto. Poxa, nem um filminho, nem um vinhozinho, nada que me distraísse. Ficou mecânico sabe? Na hora não consegui relaxar e não deu em nada. Tentei expliquei pra ele toda a situação (o que foi mais desconcertante) e percebi que ele ficou frustrado tb. Sumi com vergonha de mim por não ter conseguido esclarecer o ocorrido.

Cafa > Meu, se desde o começo o cara tem dado indícios que é tosco, o que te faz pensar que na hora “H” ele virá com delicadeza e sensibilidade? Homens toscos dão início da sua cabeça de vento no começo do contato, só não percebe as mulheres desmioladas ou apaixonadas (que na verdade quase sempre há uma grande zona de intersecção).

Depois fiquei sabendo através de amigas da faculdade que ele tinha me procurado, assim resolvi conversar com ele (MSN), Contei que apesar de tudo minha decisão continuava e ele extremamente frio deixou claro que a dele não. Fiquei muito surpresa com o comportamento dele e me senti muito mal. Ainda mais por eu ter tido a idéia e ter sido descartada como fui.

Cafa > Ué, e você foi tratada como desde o começo? Donzela? Minha filha, quem é tratada como lixo no começo, não vira luxo no final.

Desapareci por umas duas semanas.Logo que eu apareci, ele veio falar comigo como se nada tivesse acontecido e perguntando o porque do sumiço. Fui inflexível e disse algumas verdades. Até que ele abaixou a guarda e retomamos a conversar (quase que diariamente). Sempre me chamando pra sair e eu só o enrolava (apesar de querer ir). Essa “insistência” em um prazo de um mês, então aos poucos ele foi desistindo. Assim Percebi que ele já não vinha mais falar comigo, somente eu. E as poucas vezes que conversávamos ele fazia charme e dava um jeito de colocar o assunto “sexo” de novo, às vezes ele era direto demais “queria fazer amor com você” isso me incomodava.

Cafa > Cacete, eu não te entendo. Desde quando esse cara foi romântico com você? Tá se iludindo de boba que é.

O que ele queria que eu respondesse? Ah claro, pode vir me buscar garanhao. Será que ele não podia me levar pra algum lugar que não fosse somente a casa dele? E ainda, Será que ele tinha esse mesmo comportamento com outras mulheres?

Cafa > Ai meu pai, você ainda espera romantismo do cara? Sério isso? Você se propôs a ser uma foda casual e concordou com o absurdo de ser namorada para ele te tirar o teu cabaço. Quer receber flores agora? Pff.

Sobre o comportamento com outras mulheres, acredito que não. Cada mulher recebe um tratamento direcionado ao seu comportamento. Se você sempre “se vendeu” como uma foda casual, não vai ser prospect de namorada.

A questão é que eu não iria cometer o mesmo erro que antes. Todo nosso contato era exclusivamente pela internet e sempre nesse joguinho constante, Ele me tirava do sério “você é louca pra fazer amor comigo” e eu não deixava por menos.

Cafa > Não deixava por menos, fazia um doce e depois saia com ele de novo.

Porem quando nos encontrávamos (seja na faculdade ou em outro lugar) ele ficava bobo me olhando.

Cafa > Não ficava, ele é bobo.

Era nítido o interesse, mas não passava disso. Nossas conversas aos poucos foram diminuindo ate que ficamos um mês inteiro sem nos falar. (e ver) Quando eu o reencontro em um desses barzinho da vida. Me surpreendi. Ele veio todo simpático me cumprimentar, Veio até justificar a companhia, me puxou e ficou ali, me olhando sem dizer nada!

Cafa > Tem dúvida que é bobo? É o machão (bobo) da internet.

Mais uma vez então, ele vem no MSN falando que estava com saudades.

Cafa > Traduzindo, ficou com vontade de terminar o serviço.

Como ficamos um mês inteiro sem nos falar. Não dei tanta bola. Aí fiquei com peso na consciência e fui atrás. Pra dar o troco ele fez doce e disse que eu era complicada e que já tinha tentado demais. Me irritei e desisti.

Cafa > HAHAHAHAHa…”peso na consciência” do que?! Pobrezinho, você ficou sem falar com ele e depois deu remorso. Para, né?

Eis que ele surge de novo e com a cartada final:

- Eu tô quase namorando

Cafa > Pronto, aqui ele foi condecorado com a coroa do otário.

Curiosa perguntei o porquê dele me falar isso, disse que era não ter nenhum mal entendido (?).Tive que procurá-lo pra realmente entender, se resumiu a dizer que eu era inteligente e que era pra eu esquecer. Esse cara tem algum problema pensei.  Nosso ultimo contato foi ele me chamando pra sair, dei corda e disse que iria sim. Antes se sair, lá vem ele com os papos dele: “Quero fazer amor com vc! Vc deixa? Não acreditei no que li, não respondi e disse q estava pronta. Resultado: ele não veio.

Cafa > Sério, eu to me segurando aqui pra não te dar um esporro, Po, você achou tua periquita no lixo? Esse cara é um idiota e você está agindo errado o tempo todo, cai fora.

Considerando o fato de não ter acontecido nada,de eu ser virgem, e de ter ficado somente 3vezes! Porque ele não me larga de uma vez?

Cafa > Sendo bem franco, por que você tem um buraco entre as pernas e ele o vê com fácil alcance.

Assumo minha parcela de culpa por ter dificultado o começo (aquele 1 mês). O resto foi aqueles papos furados de sexo.

Cafa > Culpa por ter dificultado? Olha, se você fez algo de errado aqui, foi ter insistido com esse vegetal.

A questão e que eu quero entender e dar um basta nisso! Já pensei em cortar relações definitivamente e esquecer, como em ter uma conversa muito clara sobre (mas acho q soa mto desesperador) e de preferência pessoalmente.

Cafa > Gente, porque vocês mulheres tem esse problema de “papo pessoal” com alguém que não tem uma relação? Você não é nada dele, quer conversar o que? Pedir consideração? Faz favor. Já falei e repito, esquece esse mané e conheça alguém que te trate como mulher e não como um buraco.

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Quer tentar participar da Sexta das Leitoras? Envie sua história para cafa@manualdocafajeste.com. Quer ter a certeza que sua história será comentada pelo cafa? Conheça a coluna Cafa Responde

Já disse em alguns posts atrás (e põe atrás nisso) que não suporto motéis. O principal motivo é a essência dele em si, um lugar que você vai meramente pra trepar. A coisa boa do sexo é quando ele ocorre espontaneamente, a pegação rolando solta e de repente “puff” tá rolando. Além disso, eu sempre desconfiei da limpeza do lugar, não se deixe enganar que um lençol limpo e um banheiro seco são sinais de limpeza.

Onde você pensa que o cara que acabou de gozar e tirou a camisinha do pau melado coloca a mão? Se ele for porco, vai dar um nó e jogá-la no chão e na sequência liga a TV (mão no controle remoto) ou no rádio (mão nos botões); se for limpo, vai abrir a porta do banheiro (mão na maçaneta) e jogar a camisinha no lixo. Nessa brincadeira o cidadão já semeou literalmente o quarto inteiro com sua prole.

Ai você acha que a faxineira vai limpar maçanetas e controle-remoto / botões?  E a água de bunda que fica acumulada no encanamento da jacuzzi? E o esperma nadando na piscina? Ficam por lá! Como se isso não fosse pouco, há outras coisas bizarras que acontecem em um quarto de motel. Tenho um amigo que possui uma rede e disse que não é incomum pessoas se suicidarem ou cometerem assassinatos nesse ambiente. Além disso, tem aqueles porcos que gostam de ser cagados e mijar nos outros, impossível a coitada da faxineira conseguir tirar os resquícios de cocô do tapete e mijo do colchão.

Fiz essa delicada introdução, pois fim de semana passado meu amigo contou uma história de arrepiar que ele passou com uma garota no motel e que ajuda a ilustrar essa minha ojeriza pelo ambiente. Vamos lá.

Naquele dia o cara tinha ficado a tarde inteira em um churrasco, mandado ver na linguiça, pão-de-alho, vinagrete e demais alimentos que ajudam a compor a bomba relógio flatulenta. Era uma dessas caloradas, repletas de bebida, mulheres e putaria. Numa dessas, ele conheceu uma garota, ficaram, trocaram contatos e combinaram de fazer algo a noite.

Como ele ainda mora com os pais e a garota não é do tipo que se leva para um drive-in, foram para um motel. O problema é que no caminho toda aquela mistura que ele comeu no churrasco foi para o intestino e ele ainda tinha que comer a sobremesa. A vontade dele era tamanha em fazer o número 2 que se pudesse escolher trocaria a garota por 10 minutos no vaso. Só que essa opção não estava disponível.

A solução era pegar uma suíte relativamente grande, dar uma rapidinha para justificar um banho no chuveiro e na verdade afundar o charuto no vaso. Porém, as suítes grandes não estavam disponíveis, apenas as menores. Enfim, ele deu a rapidinha e foi ao banheiro.

Só que o banheiro do lugar é daqueles com vidro translúcido, em que é possível ver se o cidadão está sentado no vaso ou em pé tomando banho. Por sofrer da patologia Cutímido, ele não iria conseguir afundar o navio sabendo que teria uma plateia no camarote. Qual a solução? Fazer o número 2 em pé dentro do box e amassando o cacau com os pés no ralo do chuveiro. Nojento.

Ao sair do banheiro, a garota decidiu tomar banho também. Obviamente que ele ficou quieto e esperou na cama por ela. Só que alguns minutos depois ele foi acometido pela síndrome da dor-de-barriga-residual e necessitava voltar para o trono. Contudo, a garota estava dentro do banheiro, o rei estava destituído do trono. Solução? Se você já está com nojo, pare por aqui.

Bom, nesse motel a pia fica do lado de fora do banheiro. Sim, ele fez isso. A pia virou um bidê-sanitário. Para ajudar, não havia sabonete no lugar e ele teve que se virar lavando a mão com o halls preto que tinha em seu bolso. Bom, deu mais uma antes de ir embora e a garota, safada que era, pediu para que ele gozasse no rosto dela. Ele o fez.

E em que lugar ela limpou a cara? Bom, o grosso foi no travesseiro do motel e o restante no bidê-sanitário.

Você gosta de motel?

Os sinais de que eu passaria maus bocados na Romênia já foram dados no aeroporto de Istambul, onde eu pegaria o avião para Bucareste (capital da Romênia). Na fila para passar no raio x, bem na minha frente, tinha um romeno completamente bêbado, falando alto e querendo interagir com os outros (inclusive comigo que estava atrás).

Bom, eu não entendo um cacete de romeno, no máximo conheço a língua devido a música do bunda lêlê (Dragostea Din Tei – Ozone), mas tentei ser simpático como todo bom brasileiro e gesticular que não entendia patavinas. A “conversa” durou alguns segundos, suficientes para quase me fuder. A jovem anta romena tinha alguma coisa metálica no corpo e sempre que ele passava pelo raio x o negócio apitava. Na terceira vez ele deu piti e ficou berrando “what a problem?”, “What a problem?”. O policial foi ter com ele e o cara quase deu na cara do homem. Eu estava ali atrás só na butuca quietinho até que um deles perguntou se era meu irmão. Minha vontade era mandá-lo comer Kebab. Po, não sou um príncipe, mas me confundir com aquilo foi demais. Enfim, mostrei meu passaporte brasileiro e me safei daquela.

Ao chegar ao aeroporto de Bucareste o policial federal fez centenas de perguntas para mim. O que eu ia fazer no país, onde ficaria, por que estava visitando logo a Romênia, o que eu levava na mala e demais perguntas idiotas que até o mongol mais mal intencionado jamais revelaria. Passeio pelo primeiro filtro.

Peguei minhas malas e quando estava quase respirando o ar gélido romeno surgiu mais um policial e pediu para que eu o acompanhasse. Medo. Cheguei a uma salinha onde estava apenas uma africana que não falava quase nada de inglês (apenas “I have money”), segurava um lenço de papel com várias pontinhas de sangue e de tempo em tempo levava-o ao nariz. Medo [2].

O policial chamou outro colega, mostrou meu passaporte e ambos deram uma risadinha. Juro, eu esperava a velha e comum frase clichê de gringo que vê brasileiro “Futebol? Bebeto, Romário, Ronaldo? Hehe”, antes fora isso. Depois da risadinha o cara disse que gostaria de ver minha mala. Como eu só tinha chá turco, souvenirs, roupas, meias e cuecas sujas, falei que ok. Ele assoviou, veio um cachorro simpático, fuçou minha mala e se foi. Depois disso o cara nem me encheu o saco e desejou boa viagem.

Fui conhecer a famigerada “Paris do leste” e de Paris a cidade só tinha um arco do triunfo mixuruca e algumas construções grandiosas (bem bonitas até), mas completamente ocas conceitualmente. Algo que me marcou bastante (e minhas roupas) foi a fumaça de cigarro por todos os cantos. Era praticamente impossível comer em um lugar sem levar junto como acompanhamento dióxido de carbono.

No final do dia voltei para o hostel e me dei conta que havia esquecido minha toalha na Turquia. Desci para a área “social” do hostel para solicitar uma e me deparei com uma senhora romena na faixa dos 50 anos tomando cerveja. Ao me ver ficou toda feliz e perguntou de onde eu era. Ao ouvir “Brazil”, ficou mais feliz ainda e disse que queria aprender a sambar, se eu poderia ensiná-la. Disse a ela que eu tinha o suingue de uma passista alemã e que não rolava. Ainda assim insistiu para que eu tomasse um pouco daquela cerveja vagabunda com ela e contasse sobre o Brasil. Fiquei lá um pouquinho e depois de alguns minutos me pirulitei.

Dormi. Acordei lá pelas 3 da manhã com vontade de ir ao banheiro. Estava sozinho no meu quarto (a velha ocupava o quarto ao lado). Levantei da cama e a porcaria do chão de madeira rangeu alto, fui indo na ponta do pé para o banheiro (que se situava na área social do hostel). Porém, ouvi um barulho de porta abrindo e decidi parar onde eu estava e não abrir a porta do quarto. Medo. Fiquei ali 10 minutos até não ouvir mais nada. Abri devagar a porta do quarto, tranquei e sai correndo para o banheiro.

Assim que fechei a porta do banheiro ouvi novamente o barulho de porta abrindo. Medo [2]. Depois de alguns segundos alguém tentou abrir a porta do banheiro que eu estava. Inicialmente minha vontade era de fazer o número 1, mas mudou subitamente para o número 2. Não sou do tipo medroso, mas 3 da manhã, sozinho em um hostel em um país do leste europeu com alguém tentando entrar no banheiro, é um belo script pra filme de terror e maldades alheias.

Fiquei uma meia hora lá até cessar barulhos estranhos (não de mim, mas lá fora). Abri a porta do banheiro devagar sai correndo para o meu quarto e quando estava destravando a porta a velha abriu repentinamente a porta do seu quarto. Que horror. A mulher estava com uma tolha enrolada no corpo, completamente embriagada e soltou um “hi brazilian!” que me deu calafrios até no dedão. Dei um “hi, bye bye” e me tranquei no quarto as pressas. Dia seguinte me mandei para a Transilvânia para conhecer o castelo do conde Drácula.

Para chegar na cidade que ficaria hospedado (Poiana-Brasov), teria que além do trem em Bucareste, pegar dois ônibus na cidade. Paguei o trem e fui. Ao chegar no ponto do primeiro ônibus vi que ele funcionava como na maioria dos países europeus, você compra o tíquete em um guichê na rua e depois tem que validar no ônibus (não tem cobrador). Ou seja, se você quiser bancar o brasileiro exxperrrto, pode viajar sem pagar. Porém, há fiscais que aparecem do nada e pedem para mostrar o tíquete, e se você não tem paga uma (boa) multa.

Eu paguei o primeiro. Porém, ao chegar na parada final vi que o segundo ônibus estava quase saindo e resolvi não perder tempo indo comprar outro tíquete e adivinha? Apareceu a fiscalização. Não deu nem tempo de explicar qualquer coisa, foi uma berração de “contraventional, contraventional!” durante 5 minutos, até eu perguntar (mimicamente) quanto era a caceta da multa. Respirei aliviado ao saber que era cerca de R$20,00 (na Itália é mais de R$200). Paguei e fui o restante da viagem recebendo olhares de reprovação dos passageiros. Cheguei ao destino.

Nesse lugar acabei reservando um hotel bem bacanudo para me recuperar das noites mal dormidas nos hostels da Turquia e Bucareste. O que mais me cativou nesse hotel foi a imensa piscina aquecida e acomodações. Puff. Ao entrar no quarto ele realmente era igual ao da foto na internet. Ai decidi abrir a varanda e respirar o ar das montanhas, a porcaria ficava no segundo andar e a única vista decente que tinha era para o estacionamento do hotel e a pior para uma caçamba de entulho e uma lojinha de souvenir. Briguei 2 dias para conseguir trocar por uma lugar decente.

Estressado com a vista do quarto e multa paga, fui “relaxar” na (imensa) piscina. Me senti no filme Cocoon. Era um monte de velho romeno fazendo lava-bunda na piscina e algumas crianças berrando e obviamente mijando na piscina. Morri de nojo com a qualidade da água e achei melhor não entrar.

Dia seguinte fui finalmente conhecer o castelo do Conde Drácula, que não tem nada a ver com o Drácula. A história do livro “O Conde Drácula” na verdade é um retalho de várias histórias diversas e sem relação uma com a outra, ali quem viveu foi uma rainha x. De qualquer forma, alguns amigos me “aconselharam” a tomar cuidado para não ser mordido pelo conde Drácula, só que eu quase fui mordido por um Gay Drácula. Achei que o romeno solícito estava sendo simpático comigo me explicando algumas peculiaridades do castelo, até me chamar pra jantar. Acho que teria sido melhor virar vampiro. Fui embora.

Dia seguinte fui tentar esquiar na cidade que me hospedei. Só que a mesma caceta de neve que me fez passar mal bocados na Turquia resolveu não aparecer na cidade romena e o pouco que tinha de neve da semana anterior só permitia descer de trenó em um morro. Foi o que fiz.

Aluguei um bóia-treno e fui lá brincar um pouco. A pista tinha 3 níveis (básico, intermediário e avançado). Inicialmente comecei pelo intermediário, o trenó desceu rápido, deu uns solavanco, mas deslizou macio, foi legal. Ai decidi botar ousadia e descer no nível avançado. Dei um impulso forte e o negócio desceu que nem um bodsled em um terreno acidentado com um brasileiro tonto pilotando. Não demorou muito para eu perder o controle do trenó e me arrebentar no chão, partindo meu óculos em 3 e sendo motivo de galhofa para a platéia romena. Como se não fosse pouco, quando estava me recompondo fui atropelado por outro trenó fazendo com que eu desse uma pirueta no ar, tal qual uma vídeo-cassetada de 1986 exibida até hoje no Faustão.

E assim se encerrou minha viagem. Antes que alguém comente que só teve momento de desgraça, ressalto que teve ótimos momentos (seja em relação a culinária como lugares que visitei), é que se colocasse todos, o post ficaria gigantesco. De qualquer forma, fica a lição, até nas experiências negativas é possível extrair algo bacana. Tudo depende da forma com que você as observa. Para mim foram ruins na hora, hoje me divertem.

E como não poderia ser diferente, lembrei das minhas leitoras na viagem e trouxe esse presentinho:

Achei bacana e a vendedora me garantiu que a mulherada adora. Bom, para concorrer basta formular uma frase utilizando algumas expressões próprias do blog. Só isso. A frase mais engraçada e criativa leva o kit. Segunda publicarei a vencedora (lembrando que só participa leitora do Brasil).

Resultado: A ganhadora da promoção foi a Paula com a frase:

“O cafa estava perdido, teve SÍNDROME DO BOM PARTIDO, não queria PERIGUETE, corria de MULHER-CHICLETE, cansou de MULHER-LANCHINHO que não valia nem o VINHO, fazer um BOOTY CALL já não era tão legal e com uma decisão certeira aposentou a GELADEIRA e hoje é um cara mudado, o cafa está regenerado, e, quem diria, é um bom namorado!”

Cafa na Turquia

13.Feb
2011

Antes de iniciar o post gostaria de avisar que ele não tem nenhuma dica de relacionamento. Ele apenas faz parte da diversificação do conteúdo que pretendo aplicar gradualmente no blog. Ah, não me esqueci do pedido do post com meus comentários sobre lingeries e ornamentos femininos. Em breve escrevo.

Bom, como algumas de vocês já sabem, sai de férias em janeiro para a Turquia e Romênia. Sim, a primeira coisa que vem na cabeça é: Por que esses países?  Primeiro que não tenho saco para países CVC com aquele turismo de massa que você quase não absorve nada e tem que aturar um monte de brasileiro farofa berrando e se comportando como se estivesse em um churrasco; segundo que ano passado fui para alguns países do leste europeu e curti bastante. Dessa vez não foi diferente, mas os apuros não deixaram de me acompanhar.

A experiência na Turquia foi excelente, mas teve lá seus percalços. O vôo de ida pra Istambul foi muito bom (tiro o chapéu para a Turkish Airlines , deixa no chinelo muita companhia maior), porém de Istambul para Izmir (meu destino final) eu voei com a “Pegasus” (impossível não associar com os Cavaleiros do Zodíaco) e ai a coisa pegou.

Naquele vídeo inicial sobre o procedimento de emergência caso dê merda com o avião, era um bando de crianças caóticas fazendo travessuras e explicando como usar uma máscara de oxigênio, bem apropriado e reconfortante. Em um determinado momento do vídeo aparece um garoto alucinado brincando com o manche do avião. E eu pensei que ele tivesse de fato assumido o comando do avião no pouso. Faça o sinal de “mais ou menos” com mão, fez? Foi assim que ele pousou.

Nesse vôo eu já estava acompanhado de um amigo que mora na Europa e ia viajar comigo pela Turquia. Ele tinha me assegurado que um cara que trabalhou com ele nos abrigaria em sua casa. Fiquei com certo receio, pois o cara não era um amigo e ouvi um monte de comentários que turco é mal educado. Uma grande bobagem.

O pai do cara tinha deixado tudo preparado para a gente, fez café da manhã e se esforçava para conversar em inglês com a gente. Foi uma experiência bem bacana. Só que um dia o nosso amigo turco acabou miando sem querer a noite do meu amigo brasileiro.

Estávamos jantando em um barzinho e o brasileiro resolveu colar com o turco em duas mulheres que estavam em uma mesa do lado. Eu fiquei lá na minha comendo o meu Kebab sozinho e observando tudo de camarote. A coisa estava evoluindo bem e pude notar risinhos das turcas e certa abertura. Porém, em um determinado momento o turco foi comprar um chopp e quando voltou acabou se engasgando com a espuma e ai já viu. Ele parecia aqueles caras que cospem fogo, mas ao invés de querosene flamejante era um spray de chopp com baba na cara dos 3. Eu quase tive um treco na minha mesa e inevitavelmente as 2 garotas se retiraram do lugar.

De Izmir visitamos algumas cidades na redondeza, Pamukkale e Capadócia. Desta última pegaríamos outro vôo com a famosa Pegasus pra Istambul. Eu estava bem preocupado, pois nevava forte e eu sabia que a habilidade do piloto era bem próxima do garotinho alucinado do vídeo. Só que (in)felizmente o vôo tinha sido cancelado por causa da neve e o que era pra ser uma noite agradável em Istambul acabou sendo uma das maiores experiências antropológicas que vivi.

Não tínhamos outra opção a não ser pegar um ônibus em Kayseri (a segunda maior cidade muçulmana da Turquia) para Istambul. Chegando à rodoviária, só havia uma companhia no meio de trocentas que tinha um ônibus as 3:00 da manhã e chegaria as 15:00  em Istambul (sim, 10 horas de ônibus) e ninguém falava inglês, a comunicação era por mímica e desenho. Eu senti algo estranho no ar.

As 3:00 da manhã nada do ônibus, 3:30 nada. Fomos até o guichê e o cara pediu para o seguirmos. Ele saiu da rodoviária, foi até uma avenida e no mesmo instante surgiu um ônibus do nada que ia pra Istambul. Bizarro. Entramos e quando o motorista partiu percebemos que só havia um lugar vago no ônibus. Pra eles corredor também é assento e assim meu amigo viajou durante 3 horas até alguém descer em uma cidade.

Quando finalmente sentei e guardei minhas coisas percebi o pau de arara que estava. Sabe aqueles ônibus podres de filme com música local (ruim), farofada, gente estranha e galinha voando? Pois bem, tirando a galinha era o ônibus que eu estava.

Do meu lado estava um homem com o bafo do leão. Sabe aqueles que cheiram-bosta? Que só com a respirada vem uma lufada fétida na cara? Era isso que eu estava sorvendo. No banco do outro lado tinha uma senhora que não parava de espirrar, tossir, fungar o catarro e engolir. Na minha frente, tinha uma família que parecia ter vindo de um filme, todos completamente caricatos. O pai da família saia pra fumar em qualquer paradinha e voltava com um ranço de cigarro terrível; a mãe mal cabia no banco e a cada meia hora abria o saco de pão pra comer doce (fazendo bastante barulho, claro); eles tinham 3 filhos e um deles (o menor) viajava no colo da mãe e na metade da viagem se cagou e nada da mãe limpar. Ou seja, pela união dos seus poderes eu tinha o Capitão Sujeira presente.

A minha única alternativa para fugir daquela situação era dar uma bela dormida. Tirei o tênis para ficar mais confortável e o rodomoço (algo muito comum na Europa) quase me deu um puxão de orelhas dizendo que não era permitido e os populares me olharam com reprovação. Deu vontade de perguntar se fizer coco nas calças e não limpar podia, mas não queria confusão.

Consegui a dormir e quando foi lá pelas 7/8 da manhã começou a tocar uma música turca insuportável no ônibus. Não entendi um cacete. A sorte era que tinha tampões de ouvido que tinha ganhado no avião e isso me garantiu algumas horas de sono.

Antes da parada o rodomoço começou a jogar na mão das pessoas um líquido incolor. Pensei comigo, “agora sim, estão preocupados com a assepsia antes de comer”, pode até ser, mas o líquido era um perfume com cheiro de alfazema vagabunda. Minha mão ficou pegajosa e com cheiro de flor do campo turco.

Eu achava que já tinha vivenciado muita coisa para uma viagem só, mas o pior estava por vir na Romênia. Conto no próximo post e faço a promoção com um prêmio BEM bacana.