Quase todo dia recebo indicações de blogs, matérias ou sites com conteúdo relacionado ao Manual. Grande parte das vezes é algo completamente tosco, sem qualidade editorial (muitas vezes com a falsa autoria do Arnaldo Jabor) ou coisas óbvias. Porém, algumas vezes a leitura vale a pena e é possível extrair algo bom (ou ruim) para a análise de comportamento das pessoas e da nossa sociedade no geral.
Semana passada, recebi indicação por uma leitora de um blog que vale a pena essa análise. Chama-se “100 homens”. Em linha gerais, a escritora pretende trepar com 100 caras em um ano. O motivo? Ela explica com muita propriedade: “resolvi colocar a tal resolução como forma de me lembrar que ter uma vida sexual plena é essencial para o equilíbrio”.
Ou seja, a garota com cérebro recheado de titica tomou para si que o “equilíbrio” da vida está diretamente relacionado a quantidade de vezes que se deita com um homem diferente em um ano. É uma Buda acefálica com seguidores no cio desesperados por uma foda gratuita travestida de um idealismo oco. Pior ainda é “como forma de me lembrar”, imagina se vira moda? Vai ter gente dando no poste para se lembrar daquilo que é importante para si. Demais.
Se a garota fosse uma Bruna Surfistinha, esse post não existiria. Não porque acho bonito o trabalho de uma puta, mas a partir do momento que a mulher é honesta com os seus propósitos, dane-se o que faz com a sua vida. O que me irrita profundamente é essa forma rasa de mascarar liberdade sexual com prostituição gratuita e vender isso para milhares de mulheres que estão começando agora sua vida sexual a acreditar que dar para um time de futebol no vestiário não passa de um fantasia sexual sem grandes consequências.
Algumas leitoras feministas podem voltar com aquele discurso chato de “é machismo só o homem poder transar com quem quiser”, mas aqui volto na tecla que sempre bati, mulher não é igual ao homem. Homem não busca equilíbrio em foda, busca tesão, alívio.
Cara, se você tiver o mínimo de atratividade (as vezes nem isso é preciso), é só ir para uma balada, sair pegando no pau dos caras e pronto, vai conseguir bater umas pelos cantos, chupar outros no banheiro e dar para vários desconhecidos. O ponto é, você realmente precisa disso? Isso faz você encontrar o equilíbrio da vida?
Veja bem, não estou falando aqui que você tem que casar virgem ou só transar com o cara que for namorar, mas a buda acefálica confunde causa com consequência. Uma coisa é você querer transar com 100 a outra é acabar transando com 100.
Se quer se igualar aos homens, então seja racional como eles. Vai dar pra geral? Cobra então. Se for uma gostosinha e rostinho bonito, pode ter certeza que pelo menos uns cenzinho vai lucrar por programa encontro. Imagina se os homens ao comer uma gostosa no final ela desse 100 reais. Ao contar isso para a roda de amigos ainda ia se passar por fodão.
Vamos ser razoáveis. Aliás, isso é o que mais falta nas pessoas. Parar, pensar e analisar criticamente seus comportamentos e atitudes. E analisar criticamente não é apenas olhar pra si mesmo e se sentir feliz com o que vê, mas se distanciar um pouco, observar outras pessoas, buscar referências, LER, enfim, abrir um pouco a cabeça. E o argumento “foda-se o mundo, o importante é o que EU valorizo”, não passa de uma falácia de uma adolescente inocente. Vivemos em sociedade e não em um aquário do peixe Beta. Há alguns códigos que ou você segue, ou vai ser tachada e humilhada.
É legal tentar quebrá-los e evoluirmos? Opa, é sim. Porém, nessas tentativas você pode ser uma referência ou pode cair no ridículo. Clarice Lispector e Gretchen estão ai pra provar (até me dói a comparação).
Enfim, se tudo o que eu disse não faz nenhum sentido e/ou trata-se de uma mente machista, respeito a opinião contrária. Só peço que todas que concordam com a proposta da garota coloquem seus emails nos comentários para que os leitores homens (e meus amigos) possam te ajudar.
Dia desses fui convidado a participar de um evento da Renault para o lançamento de um novo carro, o Renault Duster (carro pra fazer frente a Ecosport).
Infelizmente não pude comparecer no dia, mas mandei um enviado especial que me representou muito bem por lá (obrigado, WJ).
O evento pelo visto foi bem bacana, o layout do Manual foi elogiado (obrigado, Domenico) e houve uma série de atividades para mostrar como o carro é fodão. Além desse lance do design (um diferencial do carro), teve uma partida de Rugby (para mostrar a força) e uma brincadeira com super-heróis e aqui entra o lance da minha imagem.
Quando fui chamado para o evento, me solicitaram algumas fotos. Fiquei com medo, pois tento manter ao máximo minha identidade secreta, mas fui surpreendido com o que fizeram. Uma réplica do Cafa no corpo do Juggernaut, meu herói favorito. Revelaram minha identidade secreta!
Olha só como ficou:
E ai? Parecido?
Eu achei que ficou uma mistura de Luciano Huck com Rodrigo Faro, um Luciano Faro com chapéu sergipano na mão. Enfim, mas foi fofa a iniciativa, por isso mereceu um post. Se ficou curiosa sobre o carro, acesse aqui.
Sempre que vejo nas bancas revistas femininas com títulos como: “100 formas de trepar na árvore”, “20 dicas para dar de ponta cabeça”, “10 frutas para se masturbar” entre outros temas apelativos, dois sentimentos passam por mim. O primeiro é uma natural repulsa pelo editorial da revista que vende uma fórmula barata para enganar mulheres desesperadas em agradar seu homem a qualquer custo. O segundo é uma mescla de pena com raiva por uma mulher dessas ter um senso crítico de uma lagosta e acreditar que fazendo malabares na cama vai recuperar um relacionamento deteriorado por n fatores que um boquete gelado não recupera.
Posto isso, semana passada recebi dezenas de solicitações para emitir minha opinião sobre uma matéria recente da Nova, “30 manobras sexuais extra hot (sem usar as mãos!)“. Na hora me veio a mente a música do Claudinho e Bochecha sobre controlar o calendário sem utilizar as mãos (uma façanha, não?). Passado o susto inicial, me deparei com uma matéria com algum conteúdo útil e muita porcaria. Vamos às principais dicas ruins:
> Enrole o cabelo no pênis dele e puxe os fios para cima e para baixo. Ele nunca mais vai se esquecer dessa sensação – Nem ele, nem você, né? Imagina enrolar o cabelo na piroca e depois ficar puxando? Vai sair com a cabeça completamente dolorida. Além disso, imagina como não ficará o estado do cabelo depois de tanta hidratação peniana.
> Tire a roupa, deite-se em cima dele e coloque um vibrador entre vocês. Usando apenas seu corpo, faça o brinquedinho chegar até a zona sul – Não é possível que uma matéria como essa seja escrita por um heterossexual. Desde quando dá tesão sentir um pinto (ainda que artificial) entre sua mulher e você? Coisa escrota.
> Durante o sexo oral, coloque o pênis inteiro na boca e, depois, faça barulho de motor para criar vibrações – Cara, como assim a garota imitar o motor de popa de um barco com o pirulito na boca? É patético. Deve fazer cosquinha, mas é patético. Nesses casos é melhor deixar o cara de sobreaviso “olhe, vou fazer uma coisa ridícula, mas você vai gostar”. Ai sim.
> Quando estiver por cima, use um colar bem longo para fazer cócegas no peitoral dele – Pra que fazer cócegas no peito do cara? Se isso é um grande barato, melhor jogar pó de mico nele ou então pegar uma pena de pomba e ficar passando pelo corpo dele.
> Faça sexo como o cabelo encharcado e balance-o, deixando o rapaz molhado com os pingos de água – Não vi onde que está o tesão nisso, mas se for algo bacana, certifique-se que só há água no seu cabelo. Mulheres adoram passar um monte de meleca na cabeça e coloremes da vida não são nada bons melando a cara.
> Enquanto ele se masturba nos seus seios, use a ponta da língua para acariciar a glande – Isso aqui não tem nada de novo, é a famosa “espanhola”. Faltou uma ressalva, as mulheres não conseguem fazer isso com homens que tem pitoco. Nesses casos eu recomendo que você utilize uma língua de sogra.
> Puxe o pênis do seu amor e faça sexo oral nele por trás – Não pode ser verdade. Primeiro, puxar o pau pra trás só travesti e homem que esconde a cobra fazem. Outra, ficar com a bunda virada para a cara da namorada enquanto ela faz um oral no meninão é uma indiretinha pra tomar uma lambida na bunda.
> Na transa, quando estiver por cima, fique de costas para o gato e chupe os dedos do pé dele. A visão do seu derrière vai fazê-lo gemer – Sim, a visão derrière é bem bacana, MAS não saia por ai chupando dedos alheios. Você não sabe se o cara tá com fungo na unha, se tem frieira, se tá com pelão no dedo, enfim melhor chupar o pirulito a buscar Kinder ovo nos dedos.
> Masturbe-o colocando o pênis embaixo da sua axila. Ele vai adorar a alta temperatura – Aqui fica meu apelo. NÃO FAÇA ISSO. Que ideia imbecil é essa de enfiar o pau no suvaco? Chegamos ao absurdo de que mãos, boca, vagina, fio-o-fó não são suficientes para o prazer sexual. É preciso colocar o pau no suvaco, gozar na orelha, tomar uma chupada no rabo cabeludo para diversificarmos as posições. Menos inovação e mais bom senso, gente.
Ai para fechar a matéria eles dão alguns testemunhos super válidos de “homens” que resolveram inovar e se deram muito mal, coitados. Veja esse:
“Uma ficante se ofereceu para me masturbar usando apenas os pés. Adorei a ideia. Até sentir o calcanhar áspero da moça e ver seu esmalte todo descascado…”
O menine ficou enojada porque a garota tinha o calcanhar duro e o esmalte do dedão da unha do pé descascado. Ah pa porra, nego tá precisando de uma boa enxada pra ver se vira macho.
O placar foi bem disputado na enquete que fiz aqui do lado a respeito de quais assuntos vocês gostariam que o cafa escrevesse. “Livro” ganhou com uma pequena margem em relação a “Filme”. Porém, caso você seja uma cinéfila e queira saber dicas de filmes, veja os posts que já fiz com dicas aqui.
Bom, se você espera ver nessa lista coisas como “5438 dicas para você fisgar um homem”, “Verônica decide se casar” ou “Homens são de Marte e mulheres de Júpiter” pare de ler aqui. Isso pra mim é puro lixo, leituras baratas que escritores medíocres encontraram para lucrar com o desespero alheio.
Claro, todo livro tem o seu valor por ser a porta de entrada para uma literatura mais refinada. O problema é ficar estacionada nos que listei acima. Por isso, se você não é muito afeita a ler livros, os melhores para começar são os da coleção Vagalume.
E aqui vai um puxão de orelha para essas leitoras mais preguiçosas. A leitura de livros te traz mais vocabulário, permite o contato com o estranho, estimula a imaginação, te faz abrir novos canais e melhorar as sinapses do cérebro. E antes que você diga “ai, que papo chato de Drausio Varela”, saiba que essa é a forma mais econômica e eficaz de colocar alguma coisa nessa cabecinha. Dessa forma você terá mais assunto e bagagem para conversar com um cara que pense além dos centímetros de bíceps e da marca de gel que usa.
Vamos lá:
Justiceiros – Esse foi o livro que fez com que eu me começasse a ler pra valer. Sempre fui fã de filme suspense-terror e nunca pensei que um livro poderia dar tanto medo quanto um filme, mas esse consegue. Sob o pseudônimo de Richard Bachman, Stephen King escreveu uma das obras que mais mexeu comigo e que me despertou o interesse pela leitura de livros. Se você gosta do gênero, é um prato cheio. Se não gosta, pode ter certeza que é um bom presente para um cara que curte.
1984 e Revolução dos Bichos – Coloco os dois juntos, pois fica difícil escolher entre as duas obras de George Orwell qual a que mais se destaca. 1984 foi um dos livros que fez com que eu entrasse no personagem. É bem perturbador. Uma curiosidade para quem gosta de BBB, ele foi o responsável pelo nome desse programa tão bacana. Revolução dos Bichos é um pouco mais leve, mas ainda assim um clássico que mostra como o socialismo é bonito só na teoria. Outra curiosidade para quem gosta de Engenheiros do Hawaii, a música “Todos Iguais” veio daqui.
A Insustentável Leveza do ser – Se você gosta de livros românticos, pare de ler lixos como os que listei acima e leia esse daqui. Kundera relata de forma cativante a questão da liberdade vs compromisso e todos os problemas/benesses que decorrem de cada uma dessas escolhas nas nossas vidas. Tem vários conceitos filosóficos nas histórias, mas o livro não é pedante e no final você consegue fazer uma reflexão bem bacana sobre relacionamentos.
Cem anos de Solidão – É um livro extenso e que requer um caderninho de anotações para que você não se confunda com os nomes que se repetem nas histórias, afinal são “100 anos de narrativa” sobre algumas gerações de uma família colombiana bem peculiar. Gosto dele, pois foge do comum. Quando você está pensando em uma história linear e real, vira algo “caótico” e fantasioso.
Crime e Castigo – Hoje é cool falar “já li Dostoievsky”, mas sendo cool ou não, esse livro é foda. Recomendo a leitura quando você estiver muito bem com a vida, pois é tão denso que é um convite ao suicídio. Exageros a parte, Dostoievsky foi um dos escritores que melhor conseguiu ir a fundo no psicológico dos personagens. Em linhas gerais, esse livro conta a história de um jovem pobre que mata uma velha e na sequência vive um conflito psicológico pela punição do assassinato.
Madame Bovary – Uma das piriguetes mais famosa mundialmente. Brincadeira. Madame Bovary foi um livro que marcou uma época e a transição entre as escolas literárias românticas e o realismo. O cara que escreveu esse livro, Flaubert, jogou na cara da sociedade o quão tosca eram as mulheres burguesas criadas a base de literatura sentimental e sonhos de ascensão social, sem contar a crítica ao seu marido fracote que a pediu em casamento e não teve pulso para se desenvolver profissional e pessoalmente. Sim, nenhuma relação com o que vemos hoje. Vai por mim, difícil não gostar desse livro.
Tai um tema que eu jamais pensei em escrever. Não é que sou contra o casamento, mas ele parecia algo tão distante, que nunca me motivou a escrever a respeito. Porém, Cafa já não é mais aquele garotinho de 20 e poucos anos, atrás de farra e marotice. Com quase 30 anos de idade, os amigos e familiares próximos já começam a casar e aquilo que antes parecia algo completamente estranho e longínquo passa a bater na porta, e em eventos familiares parece que a porta é esmurrada com aquelas tias te perguntando se você será o próximo.
Tendo esse cenário de fundo, fui convidado pela Lidi e Carol do site Coisinhas de Noiva a escrever uma carta aberta às leitoras noivas ou que tem em mente se casar.
Se você quiser ler o texto na íntegra, publiquei o post lá no blog delas. Acesse lá e aguardo o comentário dele aqui.
