Dando sequência ao processo seletivo do novo Cafa, publico uma sexta das leitoras (a mesma história para todos os cafas) do primeiro candidato.
Cafa1 > Carência sexual é um assunto complicado, pois muita vezes leva mulheres a confundirem sinais enviados pelos homens no dia-a-dia. Quanto mais aguda a carência, maiores as chances da mulher que não se presta à piriguetagem criar expectativas irreais sobre outros homens que a cercam, desde que não sejam o seu. O resultado são situações de perigo, perigo como essa que nos conta a leitora Jandira, seu namorado Sando e sua história de cinema (vocês entenderão por quê).
“Bom, tenho 20 anos – farei 21 daqui menos de 2 dias – e não sei se é pela proximidade da data, se é pela vida em geral, mas estou naquele momento de colocar a vida em perspectiva, e estou bem confusa.
Namoro há 2 anos e 10 meses, com esse cara incrível. Somos o primeiro tudo um do outro – primeiro namoro, primeira transa. Ele sempre me tratou muito melhor do que eu poderia merecer, me ama de um jeito que eu não acreditava ser possível – sem breguice, afinal, não custa reconhecer que ele me faz sentir a melhor pessoa do mundo – e eu sempre tento fazer com que valha a pena, fazê-lo sentir 1/10 tão bem quanto ele me faz.
Cafa1 > Fazendo os cálculos, você começou o “primeiro namoro”, no qual também transou a primeira vez, aos 18 anos, e ele com 20. Por um lado, é bom esperar uma pessoa bacana para ter a primeira vez, que você não esquecerá nunca, ao invés de correr para o primeiro caçador de buracos do condomínio/colégio. Por outro lado, as vezes quando a mulher demora mais a ter o primeiro relacionamento ela se apega com todas as suas forças ao rapaz como se fosse o único que jamais vai amá-la.
Afinal, a partir de certa idade a quantidade de caras inexperientes dispostos a aprender e experimentar junto com a garota, tendo paciência pra própria inexperiência dela, diminuem, e o medo de ficar “sobrando” na balada, na pegada e na vida social fala mais alto. Isso vale para homens também, vide o caso dos nerds apresentáveis mas virgens -.
Quando isso se mistura à insegurança, a mulher passa a ficar excessivamente fixada no relacionamento. Fixada, diga-se, não pelo cara em si, pela pessoa individual do namorado, mas pelos “benefícios” que um relacionamento proprociona, como “me fazer sentir a melhor pessoa do mundo”. O Sando dá à Jandira uma “referência”, certeza de colo, de companheirismo, de ser um cara preocupado com a Jandira (caso contrário, já teria deixado ele).
Essa tentatvia de “fazê-lo senti 1/10 tão bem quando ele me faz” acaba sempre em frustração. Por quê? A Jandira está tão dependente do relacionamento que se sente incapaz de retribuir ao Sando da mesma forma. Não consegue retribuir nem 10%.
Agora, coloque-se no lugar do Sando: um cara não consegue lidar bem por muito tempo com tamanha dependência. Eu já tive namorada assim, é um porre total, porque atrás to “eu te amo, vc é tudo pra mim e eu morro sem você”, tem um recado indireto, bem forte: “ai de vc se fizer qualquer coisa pra me deixar triste. A culpa será sua”.
Se morassem na mesma cidade ou tivessem mais tempo juntos, a Jandira provavelmente iria “grudar” no Sando, não por ciúmes, mas por carência.
A maioria dos homens correm desse tipo de relação, ou passam a se concentrar só no sexo se a pegada for boa. Mas o Sando está na minoria que…
Ah, mas aí você se pergunta – que diabos essa louca tá fazendo por aqui então? Bem, por dois motivos.
Claro que algumas coisas me incomodam nele, da mesma maneira que a recíproca é verdadeira, até aí tudo bem. O problema é o padrão de atitudes infantis, ou melhor, a maneira um pouco infantil com que ele lida com determinados assuntos.
Cafa1> … são homens com cabeça de adolescente, com ego infladíssimo por ter uma mulher que sempre aja como se ele fosse a última cerveja gelada da festa de 15 anos.
Jandira manda os sinais errados pro Sando. Ele tem um “padrão” de atitudes infantis, mas ele é tudo pra vc. Ele te faz a pessoa mais feliz do mundo. Vc o adora e o bajula achando que não consegue corresponder 10%. Traduzindo: “Sando, bebezão, eu adoro teu jeito criança, deixa eu apertar sua bochecha?”.
Antes que venham as leitoras com pedras nos comentários, já vou avisando: envio de sinal errado acontece com homem também. Veja o caso de profissionais bem sucedidos que ficam presos pelo sexo selvagem com piriguetes ninfetas atrás de patrocinadores. Se juntam ou até casam e depois reclamam que a mulher não é companheira, que se comporta como se tivesse 15 anos, que o gosto musical dela é Britney Spears e o que dá mais tesão nela são compras.
Por exemplo, sexo. Na maior parte das vezes ele fala de sexo como se fosse um adolescente de 13 anos – mas ele tem 23. Se ele quer dizer que comprou alguma coisa no sex shop, ele fica falando com risadinhas sobre ‘coisas de sacanagem’. Se por um lado eu entendo que ele não tem muita experiência, por outro eu gostaria muito de não parecer personagem de algum filme da Disney. Óbvio que nao é por isso que nego fogo, e por nos vermos tão pouco, sempre que dá, tem. haha.
Cafa1 > Opa lá, Jandira. Você não quer parecer que está em um “filma da Disney”, mas se comporta como a princesa no castelo. Emocionalmente, tua visão do relacionamento é de uma adolescente que descobriu o que é o amor. Não espere uma vida de Sex and The City na Lagoa Azul ( piegas, mas é verdade).
Bem, eu só consigo vê-lo de final de semana, pois durante a semana estudo e trabalho em Sampa. Se tudo der certo, me formo no fim do ano, então estou tendo que correr com o TCC, fora o trabalho 10h por dia, meu cérebro frita às vezes.
Mas a confusão que me motivou a te escrever é: eu gostaria de sentir essa segurança de estar com um homem que sabe o que faz. De alguém que me pegue e me chame de lagartixa, e eu não tenha que ficar pensando sobre. Em vez de guiar, se guiada. Por*a, não tenho vocação pra papa-anjo ou professora.
Cafa1 > Jandira, sejamos honestos: você foi a primeira mulher do Sando, e sempre estiveram juntos. Como você acha que o Sando poderia ser mais experiente? Transando com outras? Assistindo putaria na Internet pra imitar com você? No mínimo, teu comportamento durante seu namoro ajudou a criar o anjinho sereno e o aluno dedicado que você agora abomina.
E aí que de uns tempos pra cá comecei a comparar meu namorado com… meu chefe.
Profissionalmente falando, sinto uma admiração enorme pelo boss. Ele é gestor do departamento – que tem 4 pessoas com ele incluso. Gosta muito do que faz, que manja muito, compentente, ético, excelente para se trabalhar – e eu nunca tinha percebido tão veementemente o quanto inteligência pode ser atraente, até esses tempos.
Para explicar: não sinto nada ‘emocional’ pelo boss. É isso que eu não entendo, e que me deixa confusa. Enquanto meu namorado me faz arrepiar de pensar nele, tremer de desejo, vontade de cuidar, de agarrar, eu me sinto atraída por esse ‘papel’ que atribuí ao meu chefe, por que a gente se dá muito bem, se zoa o tempo todo, se ajuda no trabalho, temos uma ótima sinergia no trabalho. Não somos amigos nem nada, mas se pudesse, seria amiga dele.
Cafa1 > Jandira, vc está sim emocionalmente atraída pelo boss. E a culpa é da carência, a ponto de você projetar um bom desempenho profissional em termos de desempenho sexual. No fundo, você gostaria que o Sando fosse tão cúmplice e tivesse tanta sinergia com você na cama como você tem com o chefe no escritório.
O papel dele de ser seu superior, de te dizer profissionalmente o que fazer, e te tratar como pessoa adulta na empresa te faz lembrar que nem todo homem apresentável e decente é um bebezão. Teu chefe te trata como adulta de forma real, e vc já relaciona isso com o conto-de-fadas que você vive com o Sando.
Porém, esse tipo cumplicidade adulta às vezes é uma estratégia do homem para pegar uma mulher mais nova/inexperiente. Já usei esssa estratégia mais de uma vez (nunca no trabalho): trate uma mulher mais nova que você como “adulta”, ela se sente valorizada, “muito mulher”, e aí toda a guarda abaixa. No último ano de faculdade, peguei várias bixetes (tem palavra melhor não?) tratando-as como se tivessem mais experiência e maturidade do que realmente tinham. Enquanto ela se preocupa em corresponder às minhas expectativas elevada que a valorizam, ela se descoupa de resistir ao meu avanço.
Nem estou entendo direito essa história, então vamos por partes
a) nunca ousaria trair meu namorado, a mera idéia de fazer isso me quebra em mil pedaços – agora estou sendo brega – e não
b) não sei o que é isso que me confunde tanto com o meu chefe. E não seria qualquer homem, é essa sincronia que me faz projetar.
c) não sei qual é o meu problema”
Cafa1 > Seu drama é o mesmo de muitos relacionamentos que começam antes da idade adulta. O namoro de vocês ficou preso em uma fase da vida que pelo menos você já deixou para trás.
Sabe aquela melhor amiga que você tinha no ensino fundamental, que juravam ser para sempre amigas, mas que depois cada uma tomou um rumo porque você vocês mudaram muito ao crescer? Pois então, namoros sérios começados antes da idade adulta tem esse mesmo risco. Pela sua própria natureza, homem em geral tem menos neuras em terminar relacionamentos presos no passado adolescente, exceto se o homem for Sando.
Você namora um Sando (versão masculina da Sandy). Tudo é romantismo, paixão, dedicação. Ele é fofo, provavelmente apaixonado por você, e adora ser o centro das suas atenções. Se cutucar, ele desmancha.. À exemplo do que ocorre com mulhers, uma vez Sandy por muito tempo, é difícil virar Letícia Spiller, mesmo que você tenha corpo e idade para isso.
Talvez ele também esteja frustradíssimo por se prestar a esse papel de príncipe, mas goste do sexo fácil que vc oferece, ainda tomando toda a inicitiva!
O seu “problema”, vamos dizer, é que você está apegadíssima ao suporte emocional que ele te dá. O sexo é uma porcaria, a pegada é ruim, as atitudes são de um molecão. Mas o molecão te aceita incondicionalmente, dá colo e ombro. E você não quer abrir mão disso.
Estou dizendo pra vc terminar? Não, não posso recomendar algo assim. Mas até que ponto seu relacionamento tem bases pra continuar existindo de forma saudável, tenho sérias dúvidas. É uma pergunta honesta que vc precisa responder.
Primeiramente gostaria de agradecer a todos os leitores que mandaram suas histórias para tentar ser o próximo Cafa do blog. Pensei que o número de leitoras fosse pequeno, mas fiquei bem surpreso (e feliz) ao receber 21 histórias de candidatos.
Pré-selecionei 5 e postarei uma vez por semana a história de cada um (segunda-feira) e uma sexta das leitoras comentadas por eles (na sexta, claro). Com base no comentário de vocês escolherei 2 ou 3 candidatos. Aguardo os comentários!
“Entrei cedo na faculdade, sempre tive muito mais falhas que sucesso na vida sexual-afetiva, e tenho um talento enorme para ficar amigo de mulheres que me interessam. Esse ano, ao pintar uma oportunidade para trabalhar fora do país, fui.
Já sabia, por experiência da faculdade, onde eu era o mais novo da turma, que a primeira impressão que as mulheres de um círculo social fazem de mim acaba se alastrando. Os colegas de turma que chegaram pegando geral na calourada continuaram em geral os pegadores até a formatura, e eu infelizmente não estava incluso naquele grupo. Resolvi que aqui as coisas seriam diferentes!
Lá fui eu, então, explorar a noite europeia pela primeira vez, com amigos que fiz na empresa. Chegando à balada, surpresa: mesmo não sendo rave ou balada eletrônica, 80% do povo dançando sozinho. Na pista, mulheres lindas: eu gosto de mulheres magras e esguias, nunca fiz questão da “bunda brasileira avantajada” e nem de peitão, então, estava no paraíso.
Meu amigo, o Sjoerd, gente boa e responsável, estava com a namorada, e chamou mais duas mulheres que ele conhecia para a mesa. Bonitas e inteligentes, mas a conversa ficava nas amenidades, só… Como é difícil a azaração internacional…
Já pensando que eu iria voltar para casa frustrado, a minha colega (Vivian, namorada do Sjoerd) veio com um papo de “vamos esticar a noite lá em casa”. Ela era mais que pegável, mas eu sempre fui da filosofia de “mulher de amigo, para mim é homem”.
Achei estranho, perguntei se ela não namorava o Sjoerd mas aí veio a resposta: “ah, sim, mas nosso relacionamento é aberto”.. Nisso chega o Sjoerd na mesa, e na frente dele ela diz: “ah, Sjoerd, ele está preocupado com o que vc vai pensar”. Eu não sabia onde enfiar a cabeça, já ia jogar a desculpa (esfarrapada, já que todos falamos inglês) de que era um mal-entendido linguístico, mas daí ele diz que a sugestão partiu dele mesmo (!), que ele estava pensando em dormir fora com outra mulher (a que eu estava interessado!!) e que ele me achava um cara legal pra quase-namorada dele ter uma experiência diferente (!!!). E aí, como se fosse a coisa mais natural do mundo, ela estava contando para mim, na frente dele (!!!!) que em uma viagem para o Chile ela tinha pegado dois sul-americanos e tinha gostado deles.
Para! Para tudo que eu não estou entendendo nada… Será o tal Sjoerd era bissexual interesado em mim? Que conversa toda era aquela?
Tudo pareceu estranho, mas a cabeça de baixo falou mais alto, eu voltei pra casa da Vivian, o mais bizarro – sem ter trocado um beijo sequer na balada -. Nervoso e meio constrangido, demorei um pouco a engrenar, mas aquele corpinho maravilhoso era irresistível. Pedi para bater uma para ela, e ela quase teve um orgasmo ainda nas preliminares com um “nossa, onde vc aprendeu a ser tão bom só com os dedos?”. Aí, eu quis chupá-la, e ela perguntou se podia trazer um brinquedinho. Idea broxante, mas ainda bem que eu disse melhor não. Imagina, eu chupando o clitoris e ela com um pau de plástico que vibra ali na minha boca. E ela me disse que tinha 3 brinquedos! Eca – eu me sentiria chupando um pau de plástico, vade retro!
Quando eu a estava chupando, ela fazia uns movimentos estranhos, parecia que estava com muito tesão, mas aí pedia pra trocar de posição, pra eu chupar de lado, no 69, com ela sentada na beirada da cama. Ela parecia meio bipolar, não sabia se estava fingindo, comecei a achar que sim mas relevei.
Preocupado com o que ELA faria ao me chupar, resolvi partir logo para o ataque. Mas ao invés de evoluir naturalmente nas posições, ela parou enquanto eu estava colocando a camisinha e perguntou: o que vc acha de a gente começar no papai-e-mamãe, depois a gente fica em pé e aí volta pra cama e eu faço cavalgada? (tudo com os termos em inglês). Achei estranho meio mecânico, mas quando a ação começou (e eu estava quase a ponto de broxar, mas a seca falou mais alto) ela começou a gostar, dar umas arranhadas leves em mim, lamber meu pesoço, dar uns beijos bem dados. Então, no meio da diversão ela parava como se fosse uma diretora de filme pornô (existe?) e “agora vamos mudar de posição”.
Sem entender o que acontecia, comecei a querer gozar logo antes que eu me sentisse em uma aula de educação sexual ao estilo “programa brega-mas-que-se-acha-descolado de sexo da MTV”. Quanto tudo terminou, eu estava feliz por ter transado depois de um tempo na seca, mas eu não entendi a reação dela. Primeiro ela disse que tinha adorado a transa, que eu era muito bom porque eu tinha iniciativa e ela nem precisou dizer tudo o que eu devia fazer porque eu adivinhei (oi?).
Depois, começou com comentários: seu corpo é bom, só acho que vc precisa depilar um pouco mais o peito. E aí perguntou se eu tinha alguma sugestão para ela melhorar, perguntando abertamente se eu estava encanado com o tamanho supostamente pequeno do clitoris dela. E aí começou a fazer umas comparações com o namorado, do tipo “o Sjoerd gosta dos pêlos assim, por isso que eu tirei, mas meu outro ex prefere mais raspado, o que você me diz”? E dizendo ia pedir ao Sjoerd para pegar nos peitos dela como eu peguei enquanto estava no papai-mamãe. Daí, ela me falou da mulher que eu estava interessado na balada, era uma amiga deles e o Sjoerda já tinha pego ela antes duas vezes nos últimos 6 meses. Sem saber o que fazer (no idioma Cafa, “Quero que a Vivian vire uma pizza!”), tentei fugir do assunto, afinal, que coisa mais broxante há que ficar sendo comparado com namorado?
Enfim, fui para casa, e na segunda-feira, eu encanadíssimo com a ressaca moral: “putz, transei com uma mulher, ela e o namorado trabalham no andar debaixo, e agora”? Os dois vieram me cumprimentar normalmente, na boa, e ao fim do expediente, como se nada mais pudesse ocorrer, eu encontro dos dois no caminho do metrô e eles, na maior naturalidade do mundo, começam a conversar sobre a “experiência”, e ele me diz que quer assistir eu transando com ela da próxima vez. Aparentemente, já fizeram isso antes. E ele ainda disse que pode trazer a outra mulher (em que eu estava interessado na balada), para fazer uma troca de casais, porque ela disse ao Sjoerd que ela gostou de mim e transaria comigo, mas que eu estava invadindo o espaço corporal dela na balada.
Achei tudo muito bizarro, muito estranho. E vamos ver o que a Europa me reserva, tenho muito para aprender por aqui ainda, mas por enquanto, a ideia de “mulheres-europeias-lindas-liberais-e-disponíveis” não foi bem aquilo que eu esperava. Mesmo sendo muito experiente (em termos do que a Vivian já fez ou diz que fez), ela me lembra uma guria estabanada dos tempos do ensino médio”.
Ainda estou pensando no nome do meu novo blog, mas até o final da seleção do novo cafa já terei definido e comunico por aqui. Aproveito a oportunidade para agradecer todos os comentários do post passado, bem legal ler tanto reconhecimento e mensagens de apoio. =)