Com vocês a sexta das leitoras do quarto candidato. Como só consegui publicar hoje (domingo), deixarei-a no ar até terça. Ai publico a última história do quinto candidato a cafa.

Hoje na Sexta das Leitoras temos uma história bem comum de acontecer. A garota gosta do namorado, mas é atraída por algo que só os outros têm. A complicação do dia é a seguinte:

“Bom, tenho 20 anos – farei 21 daqui menos de 2 dias – e não sei se é pela proximidade da data, se é pela vida em geral, mas estou naquele momento de colocar a vida em perspectiva, e estou bem confusa.
Namoro há 2 anos e 10 meses, com esse cara incrível. Somos o primeiro tudo um do outro – primeiro namoro, primeira transa. Ele sempre me tratou muito melhor do que eu poderia merecer, me ama de um jeito que eu não acreditava ser possível – sem breguice, afinal, não custa reconhecer que ele me faz sentir a melhor pessoa do mundo – e eu sempre tento fazer com que valha a pena, fazê-lo sentir 1/10 tão bem quanto ele me faz. Ah, mas aí você se pergunta – que diabos essa louca tá fazendo por aqui então? Bem, por dois motivos.
Claro que algumas coisas me incomodam nele, da mesma maneira que a recíproca é verdadeira, até aí tudo bem. O problema é o padrão de atitudes infantis, ou melhor, a maneira um pouco infantil com que ele lida com determinados assuntos.

>Hum… Diga-me mais.
Por exemplo, sexo. Na maior parte das vezes ele fala de sexo como se fosse um adolescente de 13 anos – mas ele tem 23. Se ele quer dizer que comprou alguma coisa no sex shop, ele fica falando com risadinhas sobre ‘coisas de sacanagem’. Se por um lado eu entendo que ele não tem muita experiência, por outro eu gostaria muito de não parecer personagem de algum filme da Disney.

>Hahaha. Ok, se você acaba se sentindo como uma personagem da Disney, pode-se dizer que ele é meio pateta, certo?

Óbvio que não é por isso que nego fogo, e por nos vermos tão pouco, sempre que dá, tem. haha.

>Ou seria “sempre que tem, dou”? :P
Bem, eu só consigo vê-lo de final de semana, pois durante a semana estudo e trabalho em Sampa. Se tudo der certo, me formo no fim do ano, então estou tendo que correr com o TCC, fora o trabalho 10h por dia, meu cérebro frita às vezes.

>Isso é um tanto perigoso. Você trabalha pra cacete, está estudando (mais do que isso, fazendo TCC) e pode vê-lo somente aos fins de semana. E nessas situações, sempre que possível, o sexo acaba virando meio que uma obrigação. Não que não seja bom, evidente, mas a relação pode cair no “foda fixo”, muito mais que uma relação de amor, carinho, cumplicidade e todas essas coisas, bregas ou não, que um namoro pressupõe.

Mas a confusão que me motivou a te escrever é: eu gostaria de sentir essa segurança de estar com um homem que sabe o que faz. De alguém que me pegue e me chame de lagartixa, e eu não tenha que ficar pensando sobre. Em vez de guiar, se guiada. Por*a, não tenho vocação pra papa-anjo ou professora.

>Se você gostaria de ter essa segurança, sinto muito, mas não vejo futuro nesse seu relacionamento. A não ser que ele entre em uma máquina do tempo, adquira alguns anos de vivência com relações gerais, inclusive sexo, e volte para seus braços, muito mais maduro.
E aí que de uns tempos pra cá comecei a comparar meu namorado com… meu chefe.

>Xiiii… Diga-me mais.
Profissionalmente falando, sinto uma admiração enorme pelo boss. Ele é gestor do departamento – que tem 4 pessoas com ele incluso. Gosta muito do que faz, que manja muito, competente, ético, excelente para se trabalhar – e eu nunca tinha percebido tão veementemente o quanto inteligência pode ser atraente, até esses tempos.

>Com certeza. Inteligência atrai de um jeito diferente, muito mais instigante. Lembre-se que um cara inteligente vai saber cuidar de você e te agradar (se for do interesse dele, claro), quanto ao burro, por mais bonitão que seja, vai sempre fazer merda. Seus inconscientes sabem disso.

Para explicar: não sinto nada ‘emocional’ pelo boss. É isso que eu não entendo, e que me deixa confusa. Enquanto meu namorado me faz arrepiar de pensar nele, tremer de desejo, vontade de cuidar, de agarrar,…

>Desculpa eu interromper no meio da frase, mas parece que você é o homem e ele a menina da relação. Você quer cuidar, agarrar, treme de desejos e ele, dois anos mais velho, dá risadinhas e fica com vergonhinha. Má que porra?!

…eu me sinto atraída por esse ‘papel’ que atribuí ao meu chefe, porque a gente se dá muito bem, se zoa o tempo todo, se ajuda no trabalho, temos uma ótima sinergia no trabalho. Não somos amigos nem nada, mas se pudesse, seria amiga dele.

>Sabe qual o problema? Você, pela moral e pelos bons costumes, se impediu de admitir que, se ainda não está completamente atraída pelo seu chefe (digo, inclusive emocionalmente), está a um passo disso. Não fosse essa a questão, seu problema não seria tão grande a ponto de escrever para o Manual do Cafajeste, correto? Era só conversar com o Pateta, falar para ele ser um pouco mais Zé Carioca e pronto, tudo provavelmente ficaria bem. Mas você se dá super bem com seu chefe, ele te faz rir, vocês tem sinergia, você o admira pra cacete e volta e meia anda pensando como seria se fosse ele o cara a te chamar de lagartixa.
Nem eu entendo direito essa história, então vamos por partes:
a) nunca ousaria trair meu namorado, a mera idéia de fazer isso me quebra em mil pedaços – agora estou sendo brega – e não
b) não sei o que é isso que me confunde tanto com o meu chefe. E não seria qualquer homem, é essa sincronia que me faz projetar.

c) não sei qual é o meu problema.”

>Do fim pro começo, a hora da verdade:

C) É esse seu problema, falta admitir que o cara atrai você muito mais do que você gostaria. Sim, porque seria perfeito se você sentisse essa atração toda pelo rapaz que te faz sentir-se a melhor pessoa do mundo, só que as coisas não funcionam bem assim.

B) Pois é, sincronia demais. Você disse que gostaria de ser amiga dele, quando na verdade você gostaria é de simplesmente estar/ser mais próxima dele. Mas não se permite.

A) Nem ouse trair mesmo! Essa é sempre a pior solução (visto que não é uma solução, mas sim um problema a mais). No entanto, olhe para você mesmo e veja se você quer manter esse namoro “infantilizado”. As pessoas se iludem achando que o primeiro namoro é aquele que vai dar mais certo, que finalmente encontraram alguém para a vida toda, mas em 99,99% dos casos é exatamente o contrário. E até a ficha cair, as pessoas se recusam a admitir que algo anda mal e começam a sofrer sem saber por quê. Cuidado para não piorar as coisas. E mais cuidado ainda caso decida entrar um novo rolo. Lembre-se também que “onde se ganha o pão, não se come a carne”.

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