Sempre me interessei pela logística dos relacionamentos e já acompanhava o blog há bastante tempo. Tenho que admitir que o universo feminino realmente me atrai, por mais transformista que isso soe.
Quando os primeiros comentários aos meus posts saíram, tive um trabalho imenso para decifrá-los. Era uma salada de informações e, após me deparar com: “escroto e ofensivo/fofo e nada ofensivo”; “prolixo/direto”; “engraçado/sem graça”; “jovem/maduro” ; “cafa/amigo gay” ; mensagens “pró-Vando/antiVando”; “pró-NelsonRodrigues/antiNelsonRodrigues” e, até mesmo, ser chamado de “Gordo”, quase tive uma crise identidade.
A verdade é que não há nada que eu coloque aqui que funcione, ou esteja certo, em 100% dos casos. É obvio.
Escrever no Manual será, para mim, uma ótima oportunidade de conhecer um pouco mais a fundo a mente feminina…seja por meio do quê vocês escrevem na Sexta das Leitoras, seja via comentários.
Comentem, o feedback de vocês é importantíssimo para mim. Por mais que os comentários custem a ser aprovados, não deixarei de ler nenhum.
Por questões paisagísticas de minha morada e na completa falta de uma melhor opção, preferi assinar os posts como “Cafa Praieiro”.
Finalizando, acompanhem e divulguem o Twitter e a página do blog no Facebook. Atualizações, novos posts, notícias explosivas e reflexões mundanas serão corriqueiras.
http://www.facebook.com/manualdocafajeste
Abaixo, a primeira parte de uma narrativa. A segunda será postada na semana que vem.
MINHA EX-MELHOR AMIGA –PARTE I
Certo tempo atrás, logo após finalmente me desvencilhar das amarras de um relacionamento muito conturbado e aprisionador, passei a experimentar uma sensação única de liberdade. Sentia-me como se tivesse acabado de fugir de uma jaula.
Digo isso para que, mais adiante, seja possível compreender algumas atitudes que tomei, ou não.
Havia uma garota chamada Liana. Era alta, magra, bonita, namorava há uns dois anos e, à época, era uma grande amiga da minha ex, que inclusive, foi quem nos havia apresentado.
Ficamos amigos em muito pouco tempo, sempre conversando bastante sobre quase tudo, a ponto de, certa vez, ela dizer que me considerava o seu melhor amigo. Isso tudo ocorreu antes mesmo do fim do meu namoro,
Desde uma experiência angustiante que tive na 2ª série do ensino fundamental, ser melhor amigo de uma mulher não me parecia algo positivo, mas como ela namorava firme e era amigona da minha, então, namorada, decidi dar uma chance à friendzone.
Finado o meu relacionamento, continuamos com nossa amizade e nos vendo praticamente todo dia, já que estudávamos italiano no mesmo curso. Na internet, ela sempre vinha falar comigo e coisa e tal.
O tempo foi passando e, certa vez, Liana começa a desabafar: seu relacionamento estava desgastado, monótono, sem emoção… Eu, no papel de melhor amigo, a escutava e até arriscava algumas palavras de consolo.
Depois de um mês reclamando do namorado, em uma manhã de sábado, acordo com uma mensagem de Liana com os seguintes dizeres: “Sonhei com você ontem…”.
Imaginando que se tratava de algo pueril e bem amistoso, provavelmente envolvendo compras de bolsas em cima de pôneis falantes, pergunto, então, sem quaisquer impurezas na cabeça, como havia sido o tal sonho.
Para a minha surpresa, minha best friend forever lança: “Estávamos eu e você em um estádio de futebol, vendo um jogo. De repente a gente se agarra. Aí a sua ex apareceu! Hihihihi ;xxxx”
Primeiramente silenciei, depois inclinei a cabeça, assim como os cães fazem quando ficam surpresos. “Ahn?! Quê?! WTF! pensei, mas decidi disfarçar com um singelo “
”
Um sonho envolvendo a minha pessoa, Liana, fluidos orais e um estádio de futebol soou um tanto inusitado e estranho, ainda mais porque ela nem ao menos precisava ter me contado. Alguma merda estava para acontecer.
Em relação ao estádio de futebol, até hoje penso o que diabos que isso significava. Anseio por bolas no gol?? Será?! Enfim, deixo às leitoras psicólogas, ciganas ou astrólogas a interpretação deste escroto devaneio.
No curso, Lianinha me abordava constantemente. Costumava conversar bem de perto…e cada vez mais perto. Ela chegava muito jeitosa, sempre revezando em mostrar/não mostrar interesse. Ficava na maior dúvida se ela queria ou não e, ainda, se eu estava fantasiando tudo. A parada tava ficando tensa.
Em um desses diálogos, minha amiga, alternando olhares para os meus olhos e boca, disse que precisava muito conversar comigo, mas não poderia ser em um local público. Tivemos, então, a brilhante idéia de ir ao meu carro.
Dentro do carro, cara a cara, olho no olho, suaves mordidas nos lábios a cada fim de oração, rádio tocando Sexual Healing, aconteceu um princípio de ereção….É, a merda era iminente.
Nervosa e falando sem parar, Liana disse que gostava muito de conversar comigo; que sua admiração por mim vinha crescendo cada vez mais; que namorava há muito tempo e gostaria de experiências que temia nunca ter, sequer, a chance de experimentar…e então finaliza perguntando se eu poderia fazer um favor de amigo, seguido de um sorriso de menina má.
Diante dos fatos, minha ex, o namorado de Liana, o medo de levar bala, a gasolina na reserva, e diversos outros fatores racionalmente impeditivos foram deixados de lado. Ademais, as palavras “favor” e ”amigo”, naquela circunstância, eram praticamente um password para uma fase secreta do Mario World. Adivinhem qual era a estrela que eu tinha que pegar….
A energia sexual tava tão forte que a gente acabou se agarrando. Foram ótimos beijos, mordidas, apertões e puxadas de cabelo acompanhados de gemidos….tudo em nome da amizade!
No entanto, Liana não tinha o espírito esportivo que eu imaginava….
FIM DA PARTE I
A segunda parte deste post será colocada no ar provavelmente na segunda que vem.
Primeiramente, mais uma vez desculpem-me pelo atraso. Esse ano começou agitado e está terminando caótico, mal consigo aprovar comentários por aqui e definitivamente chegou o momento de fazer a passagem final.
Bom, os próximos Cafas da nova temporada serão o Cafa Campeiro (candidato 3, de Brasília) e o Cafa Praieiro (candidato 5, do Ceará). O Cafa Urbano (candidato 4, de São Paulo) fará uma contribuição mensal como convidado.
A periodicidade de post será semanal sendo que em algumas semanas haverá a Sexta das Leitoras. Dependendo da evolução e pedidos a periodicidade pode mudar.
Caso vocês fiquem muito angustiadas nos intervalos dos posts, uma página do blog foi criada no Facebook. Lá vocês poderão acompanhar alguns conteúdos mais instântaneos e curtos sobre relacionamento e o mundo dos homens, além de se manterem a par das atualizações no blog. Essa é a página > http://www.facebook.com/manualdocafajeste .
Um excelente Natal e Feliz Ano Novo. Aproveito para agradecer novamente os anos de leitura e espero revê-las em breve (meu outro blog ainda não saiu, mas aviso por aqui quando rolar).
Segue abaixo texto inaugual do Cafa Campeiro:
“Agora que sou oficialmente um dos escritores do Manual do Cafa, queria agradecer todas vocês que comentaram, independente se gostaram ou não dos meus textos. Li todos os comentários e é importante esse retorno. Fui bem massacrado por algumas, mas tudo bem.
Vou tentar sempre pautar os meus textos na premissa básica do Manual, que é passar para vocês um pouco do pensamento dos homens em geral. Agora vamos deixar de conversa mole e partir para o que interessa.
Semana passada surgiu um trabalho com urgência para fazermos em Salvador e então partimos para lá eu e uma colega de trabalho que começou há pouco tempo. Novata, devassa e mulata. Ahhh, as mulatas. Admito que aí é o meu ponto fraco. Sou louco por mulatas.
Chegando lá, domingo, começo da tarde e garganta pedindo uma gelada. Fomos para um barzinho quase ao lado do Farol da Barra, onde rola um Samba que é um espetáculo. Conversa vai, conversa vem, cerveja vai, cerveja vem, entramos no assunto de relacionamento, onde ela me falou que havia terminado um namoro recentemente, estava carente, ainda gostava do cara e tudo mais. Depois de um tempo nessa conversa, intimei logo para dançar um pouco. Após uma sambadinha e um papo maroto, começamos a nos beijar. Depois de mais alguns beijos e mais algumas várias cervejas, falei para irmos embora, porque no outro dia o batente começava cedo. Óbvio que a minha intenção era partir para o hotel e finalizar ela.
Aí que reside o problema, pois a bicha era das boas. Provação rolando, conversa no ouvido, e chegando na porta do meu quarto, ela me beija, vira de costas, com aquele molejo todo, e diz que tinha que dormir, porque a semana tava só começando, em todos os sentidos. Com aquela potência, quem sou eu para dizer que ela tá errada, né. Vamos dormir, então, cada um no seu quarto.
E foi aí que a mulher me ganhou, pois ao mesmo tempo em que fez doce e não deu, ela provocou deixando claro que a semana prometia.
Fiquei bem empolgado com esse lance, e na segunda, terça, e quarta feira, após vários beijos depois do trabalho e umas saidinhas para se divertir pela cidade, não logrei êxito nas tentativas de possuir aquela delícia.
Eis que na quinta feira, com quintas intenções, já com vontade de tocar o foda-se e me arrumando para curtir sozinho, recebo uma ligação no quarto, e quando atendo, para surpresa, era a dita cuja, me chamando para ir no quarto dela, pois havia comprado algo para me mostrar.
Chegando no quarto, eis que a mulher me atende, só de lingerie, e diz que aquilo era o que ela havia comprado, querendo saber se eu tinha gostado. Os detalhes do gran finale não precisam ser contados, claro, mas garanto que foi um negócio espetacular.
Na sexta feira, antes de virmos embora, ainda rolou novamente.
Já aqui em Brasília, anteontem, ela ma chamou para conversar, pedindo que eu mantivesse a discrição e não contasse nada para ninguém. Evidentemente que eu não iria contar para ninguém do trabalho sobre o que rolou e só confirmei isso.
Para minha segunda grande surpresa em menos de uma semana, a tarde ela passa em frente a minha mesa, pede caneta e papel emprestados, escreve “Fuck Buddy ?” e entrega na minha mão.
Ao final de tudo, indo embora, parado no trânsito engarrafado, meu pensamento era um só: ESSA MULATA SEDUZIU !”
E com vocês o terceiro e último candidato. Já tenho em mente uma definição, mas gostaria do feedback final de vocês para fechar essa série.
“Paulista que mora em Fortaleza. De dia, bebe café e trabalha no setor jurídico de uma incorporadora, de noite, bebe schweppes citrus com rum e toca na balada. Entusiasta do empirismo, tem entre 20 e 60 anos, faz miojo em menos de três minutos, é degustador de cerveja, não é virgem, abre potes de azeitona como ninguém, manja muito de rock e surf music, mexe as duas orelhas (individualmente), troca idéias com cães, garante que compra revistas masculinas só por causa das entrevistas, sabe decorado diálogos obscuros da trilogia “O Poderoso Chefão”, é fã incondicional do Clint Eastwood e só está se descrevendo porque mandaram.
COMO NÃO CONQUISTAR RESPEITO
Nayana é daquelas meninas que sempre estão namorando. Acaba um romance para engatar em outro. Entre cada galho (ou seria cipó?), fica no máximo dois meses solteira e, nesse curto período, faz questão de ir atrás de me tentar. O comportamento é tão padrão que eu já noto: se ela vem puxando assunto ou mandando alguma mensagem, com certeza está solteira; se desaparece, provavelmente já começou outro namoro. Acho coisa de mulher folgada, mas, por conta de seus vários atributos, tentava relevar.
Certa vez, em algum momento de alguma festa que, definitivamente, não me recordo o nome, estava completamente perdido, avulso e ébrio, até que me deparo com Nayana. A morena, dona de fala delicada, sorriso cintilante e uma bunda DA BAHIA, chegou sozinha e cheia de maldade pra cima de mim. Como não poderia ser diferente, segundos depois estávamos nos beijando.
Na semana seguinte, saímos duas vezes para beber e outra só para se agarrar. Na volta, pegação rolando dentro do meu carro, intercalada por cada farol vermelho que, a propósito, eu fazia questão de parar. Então ela disse: “Já é quase de manhã, mas eu não estou nem um pouco a fim de ir pra casa”. Na minha cabeça, ou melhor, nas minhas cabeças, isso era uma deixa clara para irmos a um motel, levando-se em conta o nível dos amassos e, também, diante da impossibilidade de irmos à casa dela, onde seu pai estava, ou à minha, que estava bem distante.
“Finalmente o reconhecimento veio! Depois de anos de banho maria, finalmente vai rolar! Hoje tem filme inédito!”, pensava eufórico, com o p. tão duro que só faltava apertar a buzina.
Porra nenhuma. Na porta da casa do Seu Mota, eis que a bendita resolve dar um pití. Minha primeira reação foi achar que havia aparecido alguma barata no meu carro, mas então me é jogado um balde de água fria: “Você tá me levando pra onde? Não, não!”. Surpreso e um tanto confuso com a reação dela, ainda pensei em perguntar “Para onde você achou que eu estava te levando a essa hora, meu bem? Para fazer cooper?!”, mas preferi contar até dez, cantar mentalmente uma música do Bob Marley e levá-la de volta para casa, sem insistir. Só de lembrar isso me dá alergia.
Semana seguinte, chega o excelente “Festival do Escargot”, que acontece anualmente em uma praia perto de Fortaleza. É uma festa libertina daquelas repletas de diversões de toda sorte de esbórnias. A única coisa que não se vê por lá é, pasmem, o escargot.
No segundo dia de festa, em meio ao álcool e à perdição mundana, finalmente aparece Nayana, com seu sorriso dissimulado. Fomos para um lugar menos barulhento, conversamos por aproximadamente 45 segundos e começamos a nos agarrar. Depois do segundo beijo, a jovem olha fixamente para mim e, em tom intimidador, solta a máxima: “Vem cá, o que você achou que estava fazendo naquele dia? Você acha que eu sou o quê?”
Após cinco minutos de puro “Blá-blá-blá whiskas sachê” e uma súbita vontade de cometer suicídio, dei uma olhada ao redor, deslumbrei-me com toda aquela putaria que me rodeava. Eu a estava perdendo. Tantas mulheres lindas à vista, disponíveis, esbaldando-se em pândega e eu, lá, levando bronca por razões absurdas e ilógicas, e pior, de uma peguete! Eu não merecia aquilo. Nunca tinha desrespeitado ela e nem a havia iludido quanto às minhas intenções.
Colocar um homem contra a parede e arguí-lo sobre seus sentimentos é sempre uma péssima idéia. Confie no seu taco que ele vai se expressar alguma hora pra você. Se ele não for, tente não dar a mínima e siga em frente. Deixe-o na dúvida quanto ao seu interesse. Por mais escroto que isso pareça, funciona para os dois lados.
Após a epifania, dei “tchau” e a deixei falando só.
No dia seguinte, em conversa com meus amigos, descobri que, logo após o monólogo que rolou, Nayana, a Pura, havia ficado com um amigo meu, que estava por fora da história toda. Detalhe: ela que havia chegado nele (fato confirmado por alguns amigos).
Nos dias seguintes, Nayana mandou mensagens, ligou e até mesmo me enviou email pedindo desculpas, dizendo que só havia feito aquilo (se entregou!) porque parecia que eu não tinha consideração por ela e, ainda, disse que não tinha ido ao motel, naquele outro dia, pois não era vagaba. Não respondi nada, obviamente.
Não, eu não estava tristinho. Nem ao menos havia sentimentos de verdade para que isso acontecesse. Simplesmente achei infantil o que ela fez e não estava mais interessado.
Eis o saldo do sacômetro: primeiro, fez aquela cena maligna na frente do Motel, lugar onde eu tenho certeza que ela sabia que eu estava indo, e pior, havia me instigado a ir lá com várias insinuações desavergonhadamente pervertidas (que, por sinal, sou fã). Segundo, justo no sagrado Festival do Escargot, veio me dar lição de moral sem nem ao menos ter nada sério comigo! Ainda, não bastando a merda acumulada, que já era o suficiente para eu não ir mais atrás dela, jogou tudo no ventilador ao pegar um amigo meu para fazer ciúmes (ela sabia que me contariam). Eu tinha, sim, bastante consideração por ela, mas, depois de tudo isso, foi pro ralo.
Existem várias maneiras de se conquistar o respeito de um homem. Acho justíssimo que as mulheres sejam cautelosas quanto a quem adentra sua vida (ou suas pernas), mas manha tem limites. Não é na base da falácia que se consegue um bom tratamento. Não é dizendo “eu não sou vagabunda”. É no comportamento em geral, não apenas em relação ao sexo, mas também na maturidade das atitudes e no bom senso. O charme é essencial, mas na medida certa, por favor.
Ela poderia ter simplesmente dito “Acho muito cedo para a gente dar esse passo” ou, talvez, deixado claro que não iria a um Motel naquele dia, sem sermões. Também, poderia ter evitado aquela desnecessária DR, já que, nem ao menos, existia o R e, certamente, não ter ficado com um amigo meu logo após ficar comigo. Menos pior talvez fosse se tivesse ficado com um desconhecido.
Um tempo depois, em um aniversário na casa de praia de um amigo, reencontro Nayana que, a princípio, finge não me conhecer. Adulta como sempre.
Passou a festa conversando de forma bastante íntima com vários homens e, segundo amigos, olhando sempre pra mim, provavelmente esperando uma reação irritada ou qualquer esboço de ciúmes. Sinceramente. Eu estava indiferente.
Ao final do dia e da garrafa de tequila, começou subitamente a me dar mole. Conversa vai, conversa vem, vai e vai, vai e vem….. e acabamos dentro de um quarto. Dessa vez, o fuck rolou sem chilique.
Na hora de irmos embora, Nayana me beija e pede para que eu a ligue depois. Confirmei com a cabeça, mas, depois de tanto joguinho, ligo é porra”.