Durante algumas semanas aquele encontro se repetiu. A intensidade do ato se tornava cada vez maior, de modo que, inevitavelmente, precisávamos ir à próxima base. Não havia como parar naquele ponto.
Em determinada sexta-feira, dia de análise musical no curso, cansados de ouvir Laura Pausini, decidimos fazer uma aula de campo.
No estacionamento por trás do curso, mais uma vez no meu carro, que, desde o primeiro incidente, estava religiosamente abastecido o suficiente para aguentar horas com ar condicionado ligado, a safadeza começou a rolar.
Estávamos a poucos passos daquele imperdoável deleite carnal e, portanto, da cornificação total do namorado de Liana.
No meio de toda essa selvageria, começa a bater um arrependimento. Será que já não havíamos passado dos limites? A fronteira entre favor e putaria já não havia sido cruzada? E se o corno fosse eu? Um momento reginaldorossiano tomou conta de mim.
Infelizmente, ou não, já era tarde demais para voltar. Acabei com a dúvida me convencendo de que se não fosse comigo, ela o estaria traindo com outro.
De fato, a opção de chifrar veio da própria, que, sedenta, praticamente se atirou em mim. Nunca havia dado em cima dela e até estava começando a acreditar na amizade homem X mulher sem segundas intenções. Ledo engano. De qualquer forma, tenho a impressão que, desse dia em diante, meu karma deu um grande e irreversível salto rumo ao padrão babilônia de qualidade.
Totalmente preparada e sem receios para chegar à “fase dois” do Projeto Amizade, Liana, incontrolável, continuou me beijando corpo abaixo.
Passou pela barriga, desceu a boca por fora da minha calça, desabotoando-a aos poucos para, então, começar a fazer aquilo que os italianos chamam de un bello pompino (Google it!).
Começou com uma voracidade nefasta, de um jeito que, de início, só faltava encostar seus molares e, por muito pouco, também os sisos! Terrível, mas conforme ela se acalmava, a perfomance foi melhorando, ainda bem! Bem que a professora dizia: Lianinha tinha mesmo facilidade com línguas!
Depois de vinte minutos de lavoro, o sexo acabou rolando lá mesmo.
Era uma delícia ver o sorriso na boca dela e sentir na pele e no p. a vontade com que ela fazia tudo. Para deixar ainda mais claro o que pensava, ela sussurava no meu ouvido.Voltei pra casa cheio de arranhões nas costas.
No fim de semana, viajo para uma praia aqui perto e acabo não conversando com ela em nenhum dia.
Na segunda, uma surpresa: Liana me conta que havia pensado bastante e, então, decidiu acabar o namoro ainda naquela sexta. O ex estava arrasado e não havia entendido o porquê do fim. Estava decidida, ela dizia. Fez questão de repetir várias vezes que tinha certeza do quê estava fazendo.
Não sabia ao certo o que pensar naquele instante. Algo me dizia que eu não havia ajudado porra nenhuma e, ainda, era o responsável pelo fim do relacionamento deles. Mas como? Aquilo era ou não um favor entre amigos? Será que ela havia acabado o namoro por mim? Achou que eu corresponderia mais do que sexualmente? Ou será que ela acabou simplesmente porque não gostava mais dele e eu estou escrevendo merda?
Todas essas dúvidas, somadas ao fato de que ela não parava de me perseguir pelo curso, e, ainda, mandava mensagem atrás de mensagem, fizeram-me ficar um tanto preocupado com as possíveis consequências da nosso caso.
O sexo, os beijos, as chupadas, eram excelentes! Foi uma decisão dura.
Com muito esforço e uma baita dor nos testículos, optei por me distanciar um pouco e, ao fazer isso, ela notou.
Questionado e acuado, disse o quanto sentia carinho por ela e pela nossa relação, mas que, apesar das últimas concessões, ainda era uma amizade. Em uma mistura de sinceridade, desleixo e tentativa de elogio, acabei dizendo que ela “aliviava bastante meu stress!”
Fui mal interpretado. Na decodificação de Liana, o que eu disse era uma expressão de conotação orgasmatórica. Um olhar repleto de desprezo me cercou naquele instante!
Qual o problema em falar que ela aliviava meu stress? Digo isso para o pessoal da banda, do futebol, do frescobol, do paintboll… e ninguém reclama. A diferença é que ela não se considerava mais uma simples amiga e, portanto, enxergava-se na condição de exigir tratamento especial.
A pergunta é: Se ela não estava disposta a aturar um rolo casual, por que o fez? Por que o propôs?
Não cedam privilégios para, em seguida, cobrar atenção. O caminho correto é exatamente o contrário!
Ela que havia me procurado, toda cheia de mácula, implorando por um “favor de amigo”! A razão de termos feito tudo aquilo não era exclusivamente para saciar o tesão, a devassidão, a volúpia com alguém em que confiávamos? Então qual era o problema de eu ter dito que isso me “aliviava o stress”?!
Já dizia Rita Lee, “Sexo sem amor…é vontade”.
Como não vim ao mundo para ficar adulando mulher, ainda mais quando não há razão, disse: “Aliviou mesmo! Era essa a minha intenção e deveria ter sido a sua também”, sem trepidar, já esperando um tapa na cara, mas que, por muito pouco, não houve.
Depois da conversa, a relação entre mim e Liana mudou completamente. Ainda éramos amigos, mas não tínhamos mais a mesma intimidade, muito menos as conversas obscenas que naturalmente fluiam. O Projeto Amizade havia fracassado.
Cerca de um mês depois, soube que Liana havia pedido para voltar com o seu ex, que, prontamente, recusou. Agora era ela que estava arrasada.
Hoje, quando lembro do assunto, penso como Liana foi burra. Tentou remediar sua vida monótona tendo um “casinho” com um amigo que, além de tudo, era ex de sua amiga. Não soube lidar com a pegação casual (assim como a imensa maioria das mulheres não sabe), xonou-se, acabou um namoro de dois anos, colocou-me contra a parede e, por fim, pediu para voltar com o ex, de quem percebeu, mais a frente, que gostava…
Confusão é pouco. Isso é praticamente uma novela mexicana dentro da programação do Animal Planet. É putaria explícita.
Ainda digo mais: não havia a menor chance de eu me envolver, fora da zona da amizade, com uma mulher com aquele retrospecto.
A vida com o namorado está sem emoção? Converse com ele, preparem algo novo, combinem uma viagem, um salto de pára-quedas, uma corrida de avestruz…pense qual é e qual pode ser sua colaboração para que a situação melhore. Dificilmente a culpa é só de uma das partes.
Não acabe um namoro só para curtir uma aventura, a não ser que você esteja convencida do que quer e consciente de que provavelmente não haverá volta na sua opção.
Tenha em mente que a sua “aventura” pode querer apenas lhe comer.
Reflita sobre seus sentimentos e sobre a importância do relacionamento em que se encontra para seu crescimento pessoal. Antes de qualquer decisão, pense bem e esteja bem resolvida consigo mesma. Convicção é tudo.
Hoje em dia, muito provavelmente Liana não me considera mais seu melhor amigo. Aliás, tenho a leve impressão de que, na verdade, ela me odeia, já que quase não fala mais comigo e, vingativa que é, por diversas vezes teve a cadelice de atrapalhar outros rolos que tive com amigas dela. Pegou pesado, Cagna!
Para variar, quase reprovo o curso por faltas. Maldito karma.
Cafa Praieiro