RELACIONAMENTO 15 de maio de 2017

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

jhghj

Tentei manter a regularidade das postagens aqui, mas a minha casa/vida virou a Praça É Nossa nas últimas semanas. Alguns dias depois que meus pais foram embora, meus sogros chegaram para fazer uma visita quase surpresa. Como eu nunca os tinha visto pessoalmente, tive que dar uma atenção maior e minha rotina foi para o saco de novo.

Recentemente tenho estado um pouco reflexivo e introspectivo, parece que vida tem demorado a me dar presentes, ultimamente só pago boletos.

Como alguns de vocês sabem, abandonei a estabilidade no Brasil para me arriscar na Austrália, que funcionou por determinado tempo, mas teve seu fim. E agora tento novo recomeço em Barcelona. Os três primeiros meses não foram fáceis.

Antes de vir pra cá, tirei férias no sudeste asiático para recuperar a energia. Como viajei com empresas baixo custo e estava mochilando, não podia carregar muito peso, então em Novembro tive que despachar minha mala de navio de Sydney para Barcelona. Assim que pus meus pés em território espanhol, em Janeiro, tomei uma porrada do frio. Carregava comigo apenas uma mochila e uma jaqueta de couro inútil. Minha mala só chegou na Espanha semana passada, 6 meses depois do despacho, e ainda está presa na alfândega.

Como não tínhamos encontrado lugar pra ficar, acabamos na casa de (quase) amigos por um mês. Nos dois meses seguintes vivemos uma vida de cigano. Depois da casa dos quase amigos, fomos parar em uma semi-república dividindo apartamento com um casal venezuelano esquisito e duas americanas porcas.  No mês seguinte paramos em um apartamento em que morava um casal ok e um árabe picareta e avarento que batizava com vodca os vinhos das mulheres que ele levava pra casa e na manhã seguinte devolvia o vinho que não foi tomado de volta pra garrafa.

Quando finalmente conseguimos encontrar uma casa não compartilhada, quase caímos duro com o estado que os últimos inquilinos a deixaram (não pudemos fazer vistoria antes). Era tão nojenta que quase pedi meu depósito de volta, mas ao pensar em toda via sacra passada dos últimos meses, apenas solicitei que o proprietário contratasse uma empresa de limpeza e desse um jeito naquilo. Algumas coisas foram arrumadas, outras nem tinha como.  A pia da cozinha, se você abre muito a torneira toma-se um banho de pombo, a casa é tão pequena que se peido na cozinha, acordo minha namorada no quarto. O chuveiro precisa que o ralo seja limpo de vez em quando, pois do contrário no final da semana o box vira a piscina do Gugu e acumula uma chumaço de cabelo molhado nojento.

No último mês, depois de bater muita cabeça, arrumei trabalho numa multinacional que parece uma torre de Babel. É gente do mundo inteiro, das mais diferentes histórias de vida e perfis. Obviamente paga-se bem menos que muito trabalho ordinário na Austrália e exige muito mais, seja de capacitação como de dedicação.

Olhando essa descrição, a minha vontade é de pegar o primeiro voo e voltar para o Brasil. Porém, nesses momentos é preciso ter sangue frio e pensar racionalmente.

Li recentemente uma frase de Carlos Drummond bastante apropriada para esse momento: “A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional”.

Olhando em outra perspectiva, esses últimos meses não foram ruins.

Fizemos uma viagem inesquecível pelo sudeste asiático. Chegamos na Espanha e nos surpreendemos com a hospitalidade de pessoas que não tinham motivo algum para nos receber e ainda assim nos trataram como se fossemos da família.

Nossa vida em república não foi um mar de rosa, mas vivenciamos histórias hilárias e piadas que levamos pra vida, além de ter vivido em diferentes bairros de Barcelona e conhecer a cidade melhor.

Nosso apartamento é pequeno, mas fica a 1 minuto da praia, em um bairro pequeno e charmoso que todo mundo acaba se conhecendo e de fácil acesso aos principais pontos da cidade e trabalho.

Falando em trabalho, por ser uma torre de babel, pratico espanhol, inglês e francês o tempo inteiro, o que em breve me fará poliglota. O salário não é bom, mas a perspectiva de crescimento é enorme e as minhas contas são pagas.

Atualmente, minha vida não é maravilhosa e está longe do que eu planejava, mas eu ainda olho pra trás e tenho orgulho dos tropeços e conquistas. Sem dúvida, a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional.

  • Tatiane Moura

    MT bom

  • Sagitariana

    Cafa,
    Que bom que você apareceu. Espero que você seja bem sucedido e feliz.
    Poste com mais frequência, se puder.
    Abro o blog sempre pra ler os comentários.
    Bjs

  • Indiara Furtado

    Isso q eh ser otimista cafa. Vem te embora pro Brasil, vem ser feliz!!!
    Que sofrencia gente. Mas me pergunto: essas furadas q vc entrou, foi pra economizar? Ou realmente a vida eh difícil assim ai?

    • http://www.manualdocafajeste.com cafa

      Ser feliz é relativo, como falei no texto. No Brasil eu teria outro tipo de problema. Não acho que vale a pena, ainda. Sobre economizar, eu poderia gastar mais e ter mais conforto, mas isso criaria um déficit no meu budget e comprometeria planos futuros e maiores. Não é o momento.

      • Indiara Furtado

        Sim, eu falei pra voltar mas foi super irônico, na verdade tenho uma certa admiração por quem tem a coragem de sair da zona de conforto e começar uma vida nova!! Desafios estão aí para isso, e eu sei que você vai olhar pra trás e ficar orgulhoso de não ter desistido!! Toda sorte!! :*

  • Fabia Caus Amorim

    Parabéns mais uma vez!! E boa sorte !Aki no Brasil emprego não tá fácil viu…melhor fikar por aí!

  • Maria Silva

    Cafa, também moro na España e me identifico muito com seu texto e momento de vida. Também larguei tudo no Brasil onde tinha uma carreira estável na minha área de estudo, mas era infeliz por que vivia para trabalhar, não tinha qualidade de vida nem tempo para curtir o fruto do meu trabalho, era do trabalho para casa e trabalhar muito para morar num local seguro e comodo, e só isso. As coisas aqui são difíceis para estrangeiros no início, mas com o tempo e esforço vão melhorando aos poucos. Você tem formação, experiência e fala idiomas ( o que mais valorizam aqui, até para ser caixa no mercadona pedem inglês kk), com o tempo e contatos trabalhos melhores vão surgindo. E os bônus de viver aqui, mesmo num trabalho ruim, são muitos: ter segurança, saúde e lazer sem ter que matar um leão por dia. Eu sempre digo, prefiro ser garçonete na España, do que arquiteta ( minha ex profissão) no Brasil, porque aqui como garçonete eu tenho mais qualidade de vida do que tinha lá como arquiteta. Boa sorte na sua jornada.

    • http://www.manualdocafajeste.com cafa

      Obrigado, Maria! Haha Mercadona é meu mercado favorito :)

  • Débora Cardoso

    Cafa bota esse blog pra bombar (ok não foi a melhor expressão) e monetiza ele, em pouco tempo vc nem vai precisar trabalhar ai em Barcelona, vc se lembra da epoca de ouro do blog (essa saiu pior) isso aqui era super movimentado pq vc ouvia e respondia as mulheres
    vc tem experiência nisso, sabe escrever bem tenho ctz que vc quiser esse blog volta a ser como era antes e vc ainda ganha dinheiro com isso

    • http://www.manualdocafajeste.com cafa

      Eu sei, mas me falta inspiração. Minha rotina não me deixa concentrar muito :(

      • Sagitariana

        Poxa :(
        Sinto falta de novas postagens. Quando puder, atualize.

  • Elaine

    Muito bem Cafa. Fico feliz que você esteja vivenciando tantas experiências, a começar por um relacionamento estável. Realmente a dor é inevitável assim como a alegria e a felicidade nas pequenas conquistas. Quando vier ao Brasil avise suas leitoras.