RELACIONAMENTO 28 de novembro de 2017

Amizade entre homem e mulher

Group Of Friends Enjoying Drink At Outdoor Rooftop Bar

Pra quem meu o livro, sabe que meu relacionamento com o sexo feminino era muito simples, qualquer mulher do meu perfil era um alvo em potencial. Só que os anos passam, as prioridades mudam e a cabeça de cima consegue controlar melhor a debaixo.

Hoje, não tenho best friends mulheres, mas converso sem segundas intenções. E essa evolução no trato feminino as vezes gera inconvenientes. Um dos casos aconteceu com uma garota no meu trabalho que a chamarei de “alemã”.

No escritório não há lugar fixo, qualquer um pode sentar onde lhe convém. Só que após algumas semanas de trabalho já é possível identificar os chatos de galochas que sempre estão fuçando o seu computador, pessoas com tiques inconvenientes (por exemplo, uma garota que coça a garganta a cada 10 minutos), as que perdem 30 minutos relatando o sonho que tiveram na noite anterior, enfim, é necessário criar um mapa mental de pessoas a se evitar e assim grupinhos se formam por afinidades. A alemã fazia parte do meu. E apesar do silêncio que durava um bom tempo no grupo, volta e meia conversávamos sobre alguma amenidade.

Ela é uma mulher bonita, com traços físicos e psicológicos bastante marcantes, sisuda e racional como uma boa alemã. Apesar da seriedade, ela tem senso de humor. As conversas no dia a dia eram agradáveis e o papo fluía. Só que ai a coisa começou a ficar esquisita.

Toda Sexta-Feira os funcionários combinam de ir ao chinês da esquina fazer um happy-hour. Nunca fui muito fã desse lugar, onde servem cerveja morna e a mesa dividida com pombos. Maria começou a perguntar toda Sexta se eu ia no happy-hour. Na maioria das vezes eu tinha combinado algo com a minha namorada e falava que não ia, pois já tinha compromisso.

Aqui talvez seja o meu “erro” na história. Eu odeio mijação de território, aquela necessidade sem fim de falar de falar do(a) namorado(a) em cada assunto. Se depois de dois convites a pessoa recusou a saída e não deu uma alternativa, desencana que dificilmente dali sairá algo.

Porém, calhou de algumas vezes eu ficar no happy-hour pra bater papo com o pessoal, e todas as vezes que a alemã me via colava junto pra conversar. Eu não via problema, pois como disse é uma pessoa agradável, mas os papos começaram a ficar intimistas demais.

Maria começou a comentar de lugares especiais e isolados para ver o pôr-do-sol e gostaria que eu a acompanhasse, em outra ocasião comentou que tinha comprado um vinho alemão fodaço e fazia questão que eu provasse. Foi então que eu me dei conta que a alemã queria me comer.

Uma das poucas vezes na minha vida que me senti como uma mulher precisando dar um fora numa pessoa sem ferir os sentimentos e comprometer a amizade. Porém, já estava uma situação desagradável e eu precisa dar um basta naquilo.

Foi o dia que ela me chamou pra fumar maconha e acampar em um lugar x pra ver o sol nascer e que não aceitaria mais as minhas desculpas. Era um pot-pourri de erros. Além de não gostar de nenhuma dessas atrações, eu namoro e ela estava em um ataque beirando o desespero. Foi então que falei pra ela que não ia rolar, pois namoro e tal. No melhor estilo constrangedor.

Ela ficou meio puta, falou que eu deveria de ter informado desde o início que namorava e tal. Só que a garota está no meu Facebook (onde há fotos com a minha namorada) e pelas 3 ou 4 negativas anteriores, já deveria ter se dado conta que não rolaria.

Nos dias seguintes, ela passou a sentar em outros lugares e nossa conversa reduziu-se à condição climática na salinha do café.

Como eu disse no começo do texto, não acreditava na amizade entre homem e mulher sem que uma das partes não tivesse interesse pela outra em algum momento. Ai vem a maturidade e nos ensina alguma coisa sobre relações humanas, mas ai vem uma alemã e me dá um nó na cabeça.

  • Indiara Furtado

    Bom vc relatou um início de amzd que, claro, começa pelo interesse físico no outro, acredito q com todos meus amigos cogitei dar uns amassos e eles em mim, e até com um deles eu fiquei. Porém a amzd se mostra mesmo depois desse período, depois de conhecer a pessoa tão bem que a ve como seu/sua irmão/irmã. Então essa pergunta deveria ser: uma amzd entre homem e mulher se inicia sem intencoes sexuais? A resposta seria não, definitivamente. Mas se ela passar por essa fase e sobreviver, aí sim, poderemos presenciar uma belíssima amzd entre o sexo oposto.

    • http://www.manualdocafajeste.com cafa

      Ótimo comentário. Também vai da maturidade dos dois em passar pela primeira fase

      • Rebeca Silva

        perfeito o comentário….acho que todo mundo inicialmente pensa em se comer….depois que conhece…pega intimidade, aí vem a genuína amizade…tenho amigos assim!…depois que me conhecem viro o Becão, quase um homem de saia…como eles dizem…

  • Elaine

    É Cafa, tudo muda e agora é você que está do outro lado, kkkk, muito bom isso. Com isso aprendemos que é melhor deixar as coisas claras logo de início, pois sentimentos não usam a lógica das negativas ou do facebook. Ela realmente se interessou por você e sem uma resposta direta a esperança nos dá força para continuar a imaginar uma situação. Esta com certeza não será a última vez rs

  • Ana Villwock

    Interessante questão! Curto muito os seus textos e com esse não foi diferente. Talvez a alemã (se é que ela é dessa nacionalidade mesmo…) não tenha se ligado justamente pelo fato de que eles reagem e têm atitudes que são um pouco diferentes das nossas, brasileiros! Eles lidam com todo esse tipo de coisa de uma maneira, no geral, totalmente diferente da nossa. Talvez tenha sido isso mesmo!

    • http://www.manualdocafajeste.com cafa

      Sim, eu pensei ser uma coisa cultural também, mas achei meio doceira a atitude no final pra uma alemã.

  • Leitora Presente

    Cafa,
    Muio interessante essa questão. Bom, eu tenho a maior parte dos meus amigos homens. Sei separar as coisas, porém, já recebi cantadas, as quais soube me sair bem da situação e dizer que não tinha interesse
    Achei a sua colega de trabalho um bocado infantil,levar um “não” faz parte da vida.
    Bjs