O placar foi bem disputado na enquete que fiz aqui do lado a respeito de quais assuntos vocês gostariam que o cafa escrevesse. “Livro” ganhou com uma pequena margem em relação a “Filme”. Porém, caso você seja uma cinéfila e queira saber dicas de filmes, veja os posts que já fiz com dicas aqui.
Bom, se você espera ver nessa lista coisas como “5438 dicas para você fisgar um homem”, “Verônica decide se casar” ou “Homens são de Marte e mulheres de Júpiter” pare de ler aqui. Isso pra mim é puro lixo, leituras baratas que escritores medíocres encontraram para lucrar com o desespero alheio.
Claro, todo livro tem o seu valor por ser a porta de entrada para uma literatura mais refinada. O problema é ficar estacionada nos que listei acima. Por isso, se você não é muito afeita a ler livros, os melhores para começar são os da coleção Vagalume.
E aqui vai um puxão de orelha para essas leitoras mais preguiçosas. A leitura de livros te traz mais vocabulário, permite o contato com o estranho, estimula a imaginação, te faz abrir novos canais e melhorar as sinapses do cérebro. E antes que você diga “ai, que papo chato de Drausio Varela”, saiba que essa é a forma mais econômica e eficaz de colocar alguma coisa nessa cabecinha. Dessa forma você terá mais assunto e bagagem para conversar com um cara que pense além dos centímetros de bíceps e da marca de gel que usa.
Vamos lá:
Justiceiros – Esse foi o livro que fez com que eu me começasse a ler pra valer. Sempre fui fã de filme suspense-terror e nunca pensei que um livro poderia dar tanto medo quanto um filme, mas esse consegue. Sob o pseudônimo de Richard Bachman, Stephen King escreveu uma das obras que mais mexeu comigo e que me despertou o interesse pela leitura de livros. Se você gosta do gênero, é um prato cheio. Se não gosta, pode ter certeza que é um bom presente para um cara que curte.
1984 e Revolução dos Bichos – Coloco os dois juntos, pois fica difícil escolher entre as duas obras de George Orwell qual a que mais se destaca. 1984 foi um dos livros que fez com que eu entrasse no personagem. É bem perturbador. Uma curiosidade para quem gosta de BBB, ele foi o responsável pelo nome desse programa tão bacana. Revolução dos Bichos é um pouco mais leve, mas ainda assim um clássico que mostra como o socialismo é bonito só na teoria. Outra curiosidade para quem gosta de Engenheiros do Hawaii, a música “Todos Iguais” veio daqui.
A Insustentável Leveza do ser – Se você gosta de livros românticos, pare de ler lixos como os que listei acima e leia esse daqui. Kundera relata de forma cativante a questão da liberdade vs compromisso e todos os problemas/benesses que decorrem de cada uma dessas escolhas nas nossas vidas. Tem vários conceitos filosóficos nas histórias, mas o livro não é pedante e no final você consegue fazer uma reflexão bem bacana sobre relacionamentos.
Cem anos de Solidão – É um livro extenso e que requer um caderninho de anotações para que você não se confunda com os nomes que se repetem nas histórias, afinal são “100 anos de narrativa” sobre algumas gerações de uma família colombiana bem peculiar. Gosto dele, pois foge do comum. Quando você está pensando em uma história linear e real, vira algo “caótico” e fantasioso.
Crime e Castigo – Hoje é cool falar “já li Dostoievsky”, mas sendo cool ou não, esse livro é foda. Recomendo a leitura quando você estiver muito bem com a vida, pois é tão denso que é um convite ao suicídio. Exageros a parte, Dostoievsky foi um dos escritores que melhor conseguiu ir a fundo no psicológico dos personagens. Em linhas gerais, esse livro conta a história de um jovem pobre que mata uma velha e na sequência vive um conflito psicológico pela punição do assassinato.
Madame Bovary – Uma das piriguetes mais famosa mundialmente. Brincadeira. Madame Bovary foi um livro que marcou uma época e a transição entre as escolas literárias românticas e o realismo. O cara que escreveu esse livro, Flaubert, jogou na cara da sociedade o quão tosca eram as mulheres burguesas criadas a base de literatura sentimental e sonhos de ascensão social, sem contar a crítica ao seu marido fracote que a pediu em casamento e não teve pulso para se desenvolver profissional e pessoalmente. Sim, nenhuma relação com o que vemos hoje. Vai por mim, difícil não gostar desse livro.