Algo que tenho reparado com bastante recorrência é a quantidade de relacionamentos sérios acabando. Casamentos de longa data são desfeitos, namoros duram semanas, noivados são interrompidos sem grandes explicações e cada vez mais a troca de parceiro se dá como uma troca de roupa. Isso me faz traçar uma analogia entre os relacionamentos de hoje, os términos e cachorros. Meio estranho, mas explico.
Quando você vai comprar um cachorro, geralmente analisa as características da raça, se o bicho tem as qualidades que você procura e valoriza, se é bonitinho, companheiro etc (alguns até exigem pedigree). Algumas vezes você não está atrás, mas um conhecido te apresenta e tece os maiores elogios sobre o animal que te comove e você acaba levando ele pra casa. Tal qual a escolha de um parceiro.
Quando ele chega em casa é uma maravilha. Você quer estar sempre ao lado dele, fazer seus mimos, brincar, cuidar, passear e conforme ele vai fazendo besteirinhas pela casa, você vai educando-o até ele se adaptar com suas vontades. E de acordo com as necessidades dele, você também faz suas concessões (como ter que levá-lo para passear de madrugada). Muitas vezes o cãozinho não vai se adaptar com alguém da sua família e vice-versa. Vão falar que ele não serve pra nada, que só dá trabalho e ele não fará questão alguma de ficar ao lado dessa pessoa. Pouco importa o que falam, o que importa é que você gostou dele. Tal qual o início de um relacionamento.
Bom, passam-se os anos e aquele gás inicial não é mais o mesmo. Porém, ele ainda faz festinha quando você chega, mas já não tem o gás para brincar e te dar atenção toda hora. Você o entende perfeitamente e sabe quando ele está bravo, quando está feliz e o que fazer para animá-lo. Os defeitinhos que ele tinha quando bebê se tornam inconvenientes (latir para tudo, fazer coco fora do lugar, roer suas coisas, etc) e ai você perde a paciência, dá uns berros e briga. Porém, depois de um tempo você se arrepende e volta atrás com algum mimo para ficar de bem. O processo começa a se tornar mecânico, mas o sentimento que você tem por ele é legítimo. Tal qual o amadurecimento de uma relação.
Passa-se o tempo e ele começa a ficar velhinho. Já não faz festa quando você chega. Parece que fica mais feliz com um prato de comida que os carinhos que você faz nele. Você olha os cachorros mais novos de outras pessoas e dá aquele aperto no coração, pois o seu não é como eles. Ele começa a fazer um monte de besteira, xixi fora do lugar, ronca alto, começa a ter cada hora um tipo de problema e os seus gastos (físicos e financeiros) com ele vão aumentando. Se ele não falece, você pensa em qual atitude tomar. Ele já está todo comprometido, você está se desgastando e não tem mais tempo de sobra para cuidar dele, pensa em sacrificá-lo, mas uma parte de você diz que não, pois ainda tem um sentimento muito forte por ele. Não é fácil, deixar os dois sofrendo até que o destino resolva ou tomar uma atitude dura para que o sofrimento dure apenas uma vez? A decisão é difícil. Tal qual o fim de um relacionamento.
Quando comecei a namorar eu tinha esse receio, de ser mais um desses relacionamentos contemporâneos que com o tempo fosse se desgastar e morrer. Mas, que merda seria essa vida se tomássemos atitudes somente visando o fracasso. Eu resolvi arriscar, mas semana passada tomei a decisão difícil.
É incrível a pressão que a sociedade faz para que o homem tenha um desempenho sexual de uma máquina de sexo. Letras de música (principalmente funk), revistas “especializadas” e filmes enaltecem o Homem Máquina. Aquele que dá 5 seguidas, que possui um mastro entre as pernas e faz com que a mulher tenha múltiplos orgasmos e fique literalmente arreada na cama.
Isso é muito bonito no papo e no filme pornô, mas na realidade a coisa é bem diferente. Em boa parte das vezes, na terceira seguida o meninão já dá sinais de esfolamento, a sensibilidade cai drasticamente tornando as próximas relações nada prazerosas, o mastro na verdade é um pitoco e o orgasmo da garota não está necessariamente associado ao desempenho do cara e sim da mulher que não consegue se soltar.
E é justamente sobre esse último tópico que trago a história do leitor Jocenir, sobre mulher múmia.
“Sexta-Feira uma conhecida ligou fazendo um convite para irmos a algum barzinho ou uma balada qualquer. Aceitei e no horário combinado nos encontramos.
Passamos a noite conversando e colocando os assuntos em dia. Em certo momento, a conversa acabou se dirigindo para sexo e relacionamento dos nossos últimos lanches.
Ela acabou confessando que estava sem fazer sexo há um bom tempo e que pra minha surpresa ela nunca havia tido um orgasmo (nem com o ultimo namorado a qual eles ficaram juntos quase 1 ano e acabou porque ela descobriu que ele a estava traindo).
Cafa > Como você disse no final da história, quando a oferta é muito atraente, desconfie da qualidade do produto. Mulher se oferecendo assim, ou está com algum problema ou você é muito foda.
Discretamente ela me convidou para ir dormir na casa dela, disse que a amiga que dividia o apartamento estava viajando por causa do feriado e ela estaria sozinha. Passamos em um supermercado 24 horas pra comprar umas coisas e outras e fomos pro ap.
Cafa > Opa, que discreta essa garota não? Fala que a amiga foi viajar, que está sozinha e te chama pra ir lá.
Depois de fazer um joguinho ou outro, dar uma de difícil e criar certo charme (abrir uma taça de vinho, colocar um som ambiente, etc.) já estávamos no quarto tirando as roupas e caindo na cama.
Pra minha surpresa [2], descobri que a guria é uma estatua, depois que se deitou na cama ficou imóvel ali esperando eu “terminar” (ou começar) o serviço. Sinceramente foi a pior transa da minha vida. Eu precisava fazer ela abrir as pernas, se movimentar, pra querer beijar ou qualquer coisa assim. Mudar de posição papai e mamãe nem pensar então.
Cafa > Sei bem como é isso. As vezes é bom você dar um tapinha na cara pra ver se ela não está dormindo ou se não desmaiou. As vezes é falta de intimidade, mas tomar algumas atitudes é o mínimo que se espera da garota. Ai depois as mulheres reclamam quando o cara pede pra “dar uma chupada”, é porque há mulheres que precisam ser avisadas, pois se não esquecem.
Enquanto EU fazia alguma coisa com a boneca de plástico, fiquei imaginando se transar com uma arvore não seria melhor do que “aquilo”, pelo menos quando desse algum vento a arvore iria se mexer pra algum canto.
Cafa > Olha, deve ser melhor mesmo. Além dela balançar com um ventinho, não vai te ligar no dia seguinte.
Por mero orgulho decidir ir até o fim e fazer à infeliz ter um orgasmo descente (começou a fazer sentido por que ela nunca tinha tido um antes e por ter sido traída). Após a bandeira da vitoria ser erguida e o meu ego aumentar de ver a guria cansada, esperei ela dormir para então virar pro outro lado e fazer o mesmo.
Cafa > Essa é a melhor parte, o ego. A transa pode ter sido uma grande bosta, mas saber que você foi O cara para a garota, já dá uma satisfação imensa. O problema é o preço que você paga por isso.
De manhã acordei com ela falando alguma coisa e querendo se aproximar de mim como uma garota inocente. Rolou um segundo round (exatamente igual à primeira vez, sem nenhuma melhora ¬¬ ) e depois do café disse que precisava ir embora. Ai veio à pior parte: Ela quis iniciar uma D.R (Discutir Relação) onde o “R” nunca existiu..
Cafa >Ah sim, é muito comum após uma transa casual surgirem esses ataques súbitos de puritanismo, “oh, eu nunca fiz isso antes”, “ai, como eu sou loca”, “O que você vai pensar de mim”, o único intuito é convencer a consciência dela que é uma santa. Sobre a DR, é típica de mulher xonadinha. Se ela não gostasse da noite, ia fazer com que você sumisse dali. DR está associada a mulher que não quer perder o cara e precisa puxar uma discussão pra saber se ele só quer farra ou algo sério. A múmia dessa história se precipitou. Carente demais a coitada.
Passei o dia recebendo sms, uns dois e-mails e mais alguns telefonemas marcando outro encontro e agradecendo pela noite com alguns mimimis a mais..
Como diria Gabriel O Pensador: “Quando a esmola é demais, o santo desconfia, essa mina deve estar com algum problema!!!”
Cafa > Essa dai definitivamente não lê o blog. Não entendo o que passa na cabeça dessas mulheres de fazerem spam quando curtem o cara. Será que acreditam que se não mandarem 4535 mensagens ele vai se esquecer dela? É muita falta de auto-estima e carência. Jocenir, se prepara. Essa dai foi acometida pelo amor de pica. Vai te dar um trabalhão. Pelo menos você sabe que se um dia estiver necessitado e não quiser ficar no 5×1, vai ter a múmia a sua inteira disposição para dar umazinha.
Para as leitoras que me lêem, vocês não recebem tanta pressão como nós homens recebemos em relação ao desempenho sexual, mas saibam que o desempenho de vocês também é avaliado e comentado. Mas veja bem, ninguém precisa ser uma máquina sexual para que uma relação seja prazerosa.
Não é necessário dar de ponta cabeça, fazer sumir o membro do parceiro dentro da boca ou grã-mestre em pompoarismo para que você seja boa de cama. Basta agir com naturalidade, fazer o que tiver vontade e deixar o negócio fluir. É um conselho bobo, mas que poucas mulheres seguem justamente por ter a cabeça povoada por leituras podres, músicas ordinárias e referências questionáveis.
Semana passada estava em um barzinho com dois colegas de trabalho e no meio da conversa surgiu o assunto “como terminar com a namorada”. Calma, não fui eu quem iniciou o assunto. É que um deles está de saco cheio da namorada e cada dia vem com uma história diferente de putaria que fez com alguma garota x por ai. O outro companheiro de mesa já tinha passado pela mesma situação e contribuiu para que eu me desse conta de um tema que nunca fez parte da minha realidade.
Nunca fez parte porque meus namoros duraram no máximo 4 meses. Quando começava a encher o saco era simplesmente “não dá mais, abraço” e dia seguinte estava tranquilão na balada. Só que quando o tempo junto com uma pessoa entra no período de anos, ai complica. Você cria um hábito, um vínculo que vai muito além do sexo e atração carnal, é meio que uma forte amizade. Complicado falar “acabou” e tocar a vida numa boa.
Esse meu amigo namora há 3 anos e me contou que desde o começo desse ano nunca havia traído a namorada. Não por falta de oportunidade, mas de vontade mesmo. Porém, no reveillon ele acabou traindo e esse foi o primeiro passo para muitas outras traições. Perguntei a ele qual tinha sido o motivo, ele deu algumas voltas, enrolou, e no final filosofou colocando a culpa no tempo que deixa as relações desgastadas e sem graça (se isso procedesse ninguém falaria com seus pais e odiaria seus irmãos). Não insisti.
Após o quarto chifre, ele ficou com pena, decidiu terminar e ai vocês conhecem bem o script. A garota chora, diz que mudará, que o ama muito e mimimi´s. O cara se vê numa situação constrangedora e maçante e acaba voltando. Ai passam quinze dias, surge uma nova gostosa na faculdade dando mole e o looping de traições retorna. Nesse momento os homens apertam o botão do “foda-se” e caem de vez na traição e passam a ser frios e destratar a namorada. Eles gostariam que nessa hora terminar fosse tão simples como o jogo “Imagem e ação”, o cara dá as dicas, faz macacadas, a garota adivinha e ai termina. Mas a vida não é tão simples.
A coitadinha tenta realmente mudar como se de fato ela sempre fosse a responsável pelo desencanto. Passa a ser mais flexível, deixa o cara mais “solto” e se dedica a agradá-lo, enfim, vira uma tonta sem personalidade. Não há muito que fazer. O cara já está em outra e vai enrola-lá e sacanea-lá até ela abrir o olho, decidir recuperar o amor próprio e tomar uma atitude.
Só que boa parte das mulheres apaixonadas é boba. A garota quando finalmente consegue terminar ainda dá umas recaídas. Um belo dia o cara está na seca, não tem opções na geladeira e quem vai procurar? A boba apaixonada para petiscar. Ela fica toda feliz achando que voltaram, mas ele volta para o looping de traições e assim segue o ciclo.
No meu ponto de vista, brigas e desentendimentos sempre vão existir em um relacionamento. As vezes eles serão fraquinhos e as vezes pesados. O problema é eles se tornarem constantes. Como homem não suporta DR e dramas, quando eles começarem a ser recorrentes ou ele vai pular fora, ou vai fazer com que você termine, ou sua cabeça vai coçar.
Eu parto do pressuposto de que uma “relação séria” existe quando você se dedica para determinada pessoa, dá satisfação sobre sua vida e em contrapartida faz exigências /cobranças. Já um relacionamento casual é pautado pelo sexo, encontros esporádicos e sem compromisso. Para o primeiro caso, as DR’s são meio que inevitáveis, agora para o segundo não tem o menor cabimento.
Ao contrário do que muitas pensam, o verdadeiro cafa não mente sobre os seus propósitos, no máximo omite. Eu não faço promessas de namoro, não exijo “fidelidade”, nem cobro satisfação das lanchinhos que saio. Mesmo tomando essas precauções, fui vítima esse mês de duas DR’s em relações casuais.
A primeira foi de uma garota que conheci de uma cidade bem longe da minha. Apesar de ter gostado bastante dela, o relacionamento não iria adiante devido a distância, pois por mais que eu tenha receio da proximidade fazer com que um namoro caia na rotina, por outro lado ficar mais de um mês sem ter a presença física de alguém, é insano (além da falta de um ombro amigo, a ausência de sexo por tanto tempo não tem masturbação que resolva). Enquanto estivemos juntos, foi tudo muito bom e intenso, mas eu jamais assumiria um namoro desse tipo. A solução foi levar casualmente. Porém, como foi muito bem pontuado pela leitora Adriana no post passado, pouquíssimas mulheres têm estrutura emocional para levar um relacionamento casual quando se encontram envolvidas. E ai o que fazem? Cobram e iniciam Dr’s. O pior é que as Dr’s são mascaradas de desabafos, “eu não estou discutindo, apenas desabafando”. Uma ova. Que homem vai ouvir críticas a seu respeito e ficar quieto? Tentei ser educado e acabar com aquele assunto, mas a cada frase que eu falava, era mais lenha pra fogueira, ai resolvi bloqueá-la no MSN.
A segunda foi uma garota que conheci certa vez numa balada em sampa (a simpática). Ela é bem agradável, inteligente, bonita, gostosa e blablabla, mas faltava aquela química para que o negócio engrenasse. Depois daquele último post, só saímos mais uma vez. E foi suficiente para eu desencanar de manter algo casual com ela. Porém, como eu gosto de preservar a amizade com pessoas inteligentes e agradáveis, fui puxar assunto com ela ontem no MSN (sem segundas intenções, só pra saber se ela estava bem mesmo). Pra que? Ela veio com um papo manjado que conseguia enxergar muito além das minhas atitudes e que não seria mais uma em minha “prateleira” (se ela falasse geladeira eu juraria que ela leu o blog). Depois de despejar um monte no meu ouvido (ou melhor, nos meus olhos) ela falou que precisava sair (e acredito que deva ter me bloqueado).
Pra mim, muito mais eficiente que uma DR de relação casual é ser prática. Não está satisfeita com aquela relação? Não saia mais com o cara. Se ele te curtir, numa hora vai perguntar por que você não aceita mais os convites dele e ai é o momento de dizer que não quer continuar sendo só mais uma em sua vida. Se isso descambar para uma DR, ok, foi ele quem pediu. Agora encher o saco do cara para assumir um relacionamento que ele não está a fim, não dá certo.
É engraçado como os homens gostam de contar vantagens para seus amigos na mesa de bar, “Ah, por que ontem fulana me chupou no carro”, “Pô, não aguento mais a ciclana, olha só meu celular, 10 mensagens dela”, “Cara, essa semana transei com 3 garotas diferentes, tá foda”. Só que aquela broxada, ejaculação precoce e foras raramente entram na pauta. Dessa vez foi o aprendiz de cafa quem quis se passar pelo durão e acabou de quatro por uma mulher.
Nessa semana reparei que ele andava meio cabisbaixo, com meias-palavras, taciturno, enfim, estava tristonho. Eu suspeitava que tivesse mulher na história. Batata. Estávamos na cafa-sala quando ele lançou do nada: “mulher não presta né cara?”. Indaguei o motivo daquela frase profunda e ele contou sua decepção com a miss cafeteira.
Pra quem não se lembra, na última vez que eles discutiram o aprendiz saiu por cima e prometeu pra mim que não ia mais sair com aquela “maluca”. O fato é que após algumas semanas separados, eles voltaram a sair e ela voltou a figurar na cafa-house (dessa vez deu um copo de cerveja pra ele). Obviamente que eu tirei um sarro da cara dele, e o aprendiz dando uma de pseudo-cafa disse que ela era só um lanchinho sem perspectiva de virar namorada.
O motivo da sua chateação foi que a garota não se definia a respeito da situação deles. Fiquei curioso e pedi para ele me explicar melhor. Ai ele contou que na festa de aniversário da garota, ela “não dava atenção” pra ele, que deixava ele de canto “e não demonstrava” que tinham algo a mais. Porém, o estopim foi na faculdade quando na frente do aprendiz um amigo da cafeteira pediu o Orkut dela e ela disse para ele procurá-la no profile do aprendiz (*porém, ela o adicionou antes). Ele achou aquilo um ultraje. “Qual que é a dela?”, me questionava o aprendiz fazendo me recordar das perguntas idiotas da coluna cafa-responde de leitoras que acham que sou mãe Diná.
Como sempre, fui bem sincero e um pouco grosso. Ele estava agindo como uma adolescente apaixonada, pondo tudo a perder e rompendo um dos principais mandamentos dos cafas, não ser grudento. Bom, ai sobra pra mim como sempre.
Depois de meses sem querer sair no sábado, hoje ele veio todo amigão perguntando qual a baladinha que eu pegaria hoje (mesmo com a cidade embaixo de um pé d’água). Só que hoje é dia de visitar a geladeira, e como diz aquele clichê: ele que aprenda que bonzinho só se f*.
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A coluna “Cafa responde” está sendo reestruturada. Tinha muita porcaria por lá e a barra de rolagem estava gigante. Em breve haverá uma nova organização das perguntas.
*atualizado pelo aprendiz