Dia desses fui jantar em um restaurante mais intimista (um pouco frufru, mas bom), onde o segundo andar é reservado basicamente para casais que buscam um clima de romance a meia luz com decoração a la Saigon (sim, bem música Emílio Santiago). A comida é muito boa (tailandesa), mas apesar do ambiente ser romântico e apropriado para a tática abrir-pernas-na-gastronomia, ele dá um pouco de constrangimento, pois as mesas são dispostas de forma circular e você se sente como se estivesse em uma terapia de casais e a troca de olhares involuntário é inevitável, repetitiva e incômoda.
Confesso que não sou muito social, mas depois de meia garrafa de vinho na cabeça, procuro extrair o melhor das situações e o lado bom das coisas. Aproveitei o ensejo para analisar um casal que estava a minha frente. Inicialmente achei que fossem namorados, mas com o olhar analítico cafístico em ação me dei conta que era um casal que acabara de se conhecer pessoalmente e estavam em vias de se pegar (ou não). O ponto é que o cara era um abobado e estava cometendo alguns erros amadores. Acertou alguns pontos, mas errou em outros.
Por isso resolvi escrever esse post com alguns truques dos homens no primeiro encontro.
A escolha do lugar – Isso eu já escrevi em alguns posts. Se o cara no primeiro encontro te leva para comer no Mc Donald´s ou no bar da Tia da Esquina, você é um nada pra ele. Se ele te leva para o motel ou pra casa dele, você é alguma coisa – provavelmente um buraco. Veja bem, restaurante bom não é restaurante caro, você pode comer bem até em São Paulo e gastar pouco. O ponto é o cuidado do cara em te levar em um lugar especial, isso mostra preocupação sobre o que você vai pensar a respeito dos gostos dele. No caso do nosso amigo abobado, ele acertou a mão nesse quesito.
A preparação – Homem não vai ficar horas no banho e olhando o guarda roupa para escolher a melhor combinação pra ver a garota, mas se ela vale o jantar no lugar bacana, não tenha dúvida que ele vai colocar uma de suas melhores roupas para encontrá-la. E ai se o cara apareceu com uma roupa de time de futebol e/ou de regata, boa coisa você não pode esperar quando sair pra um lugar mais tranquilo. No caso do nosso amigo abobado, o cara parecia um coxinha. O cabelo divido ao meio parecendo o Beiçola, camisa social por dentro da calça e sapato. Estava over para o lugar. Porém, vamos dar uma trégua, melhor pecar pelo excesso a pecar pela falta.
O assunto – Se o cara não conhece a garota direito, é fundamental evitar assuntos polêmicos/controversos. Não é hora de mostrar atitude e dizer que é vegetariano, de repente a garota ama churrasco e vai achar o cara um eco-mala. Evita-se também assuntos relacionados a relacionamento. Os dois estão se conhecendo, não tem relação ali e fica uma situação meio estranha falar de algo que pode ou não ocorrer entre os dois. No caso do amigo abobado, não consegui pegar direito o assunto especificamente, mas só ouvi a garota dizer com muita veemência “Não concordo” e fechar o bico. Obviamente que o papo entre os dois não tem que ser aquela coisa teatralizada e política, mas é melhor deixar a atitude e polêmica para um segundo momento, de preferência depois que o cara mostrar pegada.
Assuntos que colam muito bem são relacionados a animais de estimação e criança. Obviamente a mulher não vai querer ter um filho de um cara que acabou de conhecer, mas saber que ele gosta de cachorrinhos, que se diverte com o seu sobrinho no fim de semana, o pontua na categoria “fofo” e um fofo geralmente não irá tratar uma mulher mal ou usá-la.
A comida – No primeiro encontro não é recomendável restaurante japonês ou culinária que libere gases (como a mexicana e alemã). A primeira deixa pedaços de peixe e alga pela boca e um gosto forte para beijar, a segunda infla o intestino provocando reações químicas gasosas em momentos inapropriados. Porém, no primeiro caso o paladar e o gosto de resíduos podem ser mascarados com uma bebida forte (como saquê ou vinho). O grande lance aqui é tirar proveito da situação e usar o alimento a seu favor. E aqui entro no ponto importante, o ataque.
O ataque – O cara calculista e com bom senso sabe esperar o momento certo para dar o bote na garota. É o clímax da noite, o momento pelo qual todos esperam. Ambos os lados estão com vergonha, mas se rolou o clima, basta um contexto para o beijo rolar. Nada de selinho quando for cumprimentar a garota no início, ela precisa se sentir a vontade e acreditar que o único propósito do cara é estar com uma companhia agradável.
E nessas situações, nada como usar o bom humor pra tascar um beijo. No caso do nosso amigo abobado, ele pediu a sobremesa (era um sorvete com creme). A garota provou , disse estar ótimo e ofereceu sorvete na boca do cara. Era o momento dele pegar a colher na sequência, dar na boca dela e falar “deixa eu provar agora”, ou então deixar um restinho de creme no canto da boca e esperá-la avisar que estava sujo para sugerir que ela limpasse. Beijo gelado, doce e com um contexto, metade do caminho traçado. Mas o que ele fez? Baixou o espírito quero-minha-mãe e ficou um dando sorvete na boca do outro sem nenhuma malícia, só de fanfarronice.
O pós – Qualquer homem com o mínimo de testosterona no sangue quer jantar com a garota e depois jantá-la. Papinho de “quero respeitá-la” é pra homem que não gosta muito da coisa. Ter atração sexual pela mulher não é desrespeito, é tesão. Ai cabe a mulher dar um freio ou não. Geralmente o convite do cara tem que ser algo discreto do tipo, um convite para continuar o papo em casa enquanto vêem o dvd “y”(isso para casos em que gostos musicais combinem) ou assistirem o filme “w”. Sexo não pode ser o fim, a preocupação tem que ser (ou aparentar ser) o meio.
E o que nosso amigo abobado fez? Ligou para o seu brother para saber como estava a fila da balada “x”. Ah pa porra. Sai com a garota e liga para o brother engendrar uma baladinha a três? No mínimo queria emprestar a garota para o amigo.
Sempre que faço um post ácido, criticando atitudes femininas ou apontando alguns estereótipos, é batata, surgem comentários do tipo “ai cafa, mas como eu faço para agir bem?” ou “e qual o estereótipo de uma mulher bacana?”. É difícil fazer esse tipo de post por dois motivos. Primeiro, o que pode ser uma atitude bacana pra mim, não é para o pedrinho da padaria. Segundo, tenho mais facilidade para criticar.
Porém, como estou em uma fase mais light, creio que esse post ajudará um pouco a essas leitoras curiosas que buscam qualidades das mulheres interessantes.
Não é uma santa > Esse é um dos grandes tabus. A maioria dos homens hoje em dia não está atrás de uma santa. O cara de 20 e poucos anos ou mais, não tem paciência pra ensinar a garota a rebolar, de pedir para que ela esconda o dente quando for chupar, que não passe o dedo polegar com força pela cabeça , enfim algumas sutilezas que uma mulher mais experiente já aprendeu. O cara quer se preocupar em sentir e proporcionar prazer, e aula particular de como trepar invariavelmente vai quebrar um ou outro.
Não é uma vagabunda > É, parece incoerente, mas não é. Apesar do cara procurar uma mulher experiente, ele não quer uma vagabunda. Ilustro com um exemplo prático. Uma mulher de 25 anos que já transou com 10 caras, mas que 4 eram namorados, 4 eram rolos e 2 amigos, tem mais moral que aquela de 20 anos que transou com apenas 3, sendo que um foi com um cara que ela conheceu no risca-faca, o outro ela deu no ônibus do churras da facu e o terceiro, bem, ela não se lembra. O que caracteriza uma vagabunda não é a quantidade de horas-cama e sim a qualidade delas.
Tem paixão pelo que faz > É muito atraente ver uma mulher que tem paixão pelo que faz. Seja na faculdade ou no mercado de trabalho, não há homem que não resista uma mulher apaixonada e confiante na sua área de atuação. Veja bem, não é ser aquela caxias chata que fica cagando lei e falando bonito para mostrar que é foda. Mulher sem essa paixão geralmente a canalizará em outro lugar e ai é comum ver uma coitada na carreira, ser uma desesperada no amor. E só um cabeça de vento ficaria bravo com uma mulher que divide a paixão por ele com o trabalho, são coisas completamente distintas, e na minha opinião, complementares na mulher moderna.
É independente > Óbvio que para um garoto de 18 anos essa qualidade não será diferencial, mas me refiro a homens de 25+. Nessa faixa etária, o cara já é meio que dono do seu nariz, não mora com os pais, costuma fazer planos para viajar no feriado ou fim de semana e ai não tem coisa mais sacal que a garota não poder acompanhá-lo, pois mora com os pais e eles jamais permitiriam que ela viajasse com “um estranho”. Ou então em um dia que a solidão batesse e o cara quisesse dormir acompanhado e novamente, não. Ai a garota tem que bolar mil planos, dizer que vai dormir na casa da amiga e blablabla-sou-teen. E além da independência financeira, há a independência sentimental. Mulher que faz o homem o centro do universo é um porre. Parece que nasceu faltando uma peça fálica pra funcionar.
É feminina > Sempre enalteci aqui no blog essa qualidade. Acho muito legal a mulher buscar igualdade na profissão, salário, etc, mas mulher NÃO é igual ao homem, nem nunca vai ser. Ainda bem. Mulher delicada, que se preocupa com aquele detalhe bobo na cor da unha, que enrola pra ficar pronta, que se lembra de datas x, sabe fazer milhares de coisas ao mesmo tempo, enfim, coisas meio bobas, mas que são praticamente únicas do sexo feminino são realmente atraentes. Esses pequenos detalhes constroem esse ser tão especial. E como sempre repito, o dia que mulher negligenciar isso e homem passar a cuidar dos detalhes da unha, melhor virar gay, ao menos homem não sofre com TPM.
Se impõe > Ser feminina não é ser boba. É preciso saber ser delicada e se impor quando preciso. Por exemplo, o cara combina de ir com a garota no cinema e do nada muda pra ver jogo de futebol em casa. A garota mongol aceitaria numa boa, a barraqueira faria um escândalo e a que se impõe saberia argumentar para dissuadir o cara. Mulher que se impõe, não é truculenta, é persuasiva. A mulher que aceita tudo geralmente acaba sendo feita de boba e algumas vezes até traída.
Cuida do cara > Essa é uma característica que está bastante ligada a feminilidade, mas que merece uma menção especial. Apesar de as vezes ser um saco ouvir que a roupa não está combinando, que é pra fazer a barba que está feia, a unha mal cortada, que o cabelo está grande, enfim coisas que os homens costumam negligenciar, mas que algumas mulheres adoram cobrar, no final é até bacana, pois mostra uma preocupação da garota com o cara. E geralmente essas mulheres são aquelas que vão ser um ótimo ombro amigo quando cara estiver pra baixo.
Conversa sobre qualquer assunto > A garota pode ser gata e gostosa, mas se não sabe conversar nada além de A Fazenda, moda e a condição climática, vai ficar pra lanchinho. A mulher que conhece músicas além das que tocam na Jovem Pan, que sabe ser engraçada e que tem um bom conhecimento sobre cultural geral (sem precisar bancar a professora), sai na frente de um monte de modelo.
Sabe socializar > Essa característica geralmente está ligada à anterior, pois para socializar, a garota precisa falar e para falar algo que não seja só asneira, precisa ter repertório. Quando eu digo “socializar”, não estou me referindo a “se jogar” ou bancar a fantasminha camarada (“quer ser meu amiguinho?”). É saber cavar assunto e conseguir conversar com os amigos do cara, por exemplo. É muito ruim chegar a uma roda de amigos, apresentar a garota e ela na sequência ficar muda. A garota quando consegue socializar bem com os amigos, já ganhou aliados valiosos para conquistar o cara. Por outro lado, sempre tem a fantasminha camarada que quer chegar bancando a descolada e amigona da galera e fica forçando uma amizade que não tem, forjando uma liberdade que não foi concedida e ai ao contrário da outra garota, vai ganhar bons inimigos e alguns apelidinhos.
Já posso imaginar um monte de leitora falando “ahhh, eu tenho todas as características e continuo sozinha. Qual o meu problema?”. Eu arrisco dizer, falta de homem interessante.
É comum nos posts que faço criticando certas atitudes femininas aparecerem leitoras perguntando qual seria a forma correta de agir, que dicas eu daria de comportamento, o que fazer para atrair mais homens, etc. O ponto é que não há o certo e o errado, pois isso vai da perspectiva e vivência de cada um. O que para mim pode soar como mau gosto, para uma pessoa pode ser atraente.
Porém, se eu fosse escrever tal qual um jornal, procurando sempre ser imparcial e sem emitir minhas opiniões, isso aqui não seria um blog e eu teria 10 acessos perdidos. Tendo isso em mente, resolvi fazer esse post traçando um paralelo sobre relacionamento e trabalho na minha perspectiva.
Aparentemente não possuem muita relação, mas a mecânica entre eles tem tudo a ver e se você ainda se pergunta por que nunca teve um relacionamento bacana e duradouro, com essa analogia as coisas vão ficar mais claras.
Primeiro de tudo e o mais óbvio, encontrar um bom emprego / relacionamento não é fácil. A menos que você tenha herdado a empresa do pai isso não será um problema. E este é o caso das pessoas que encontraram um cara bacana quando novinhas e passam praticamente a vida inteira com ele. Acontece, mas não é comum.
Se o seu caso não é esse e você vai ter que ralar pra encontrar algo bacana, seguem minhas dicas:
Experiência / Base – Para você se destacar entre as demais, precisará ter uma base teórica boa e acrescentar diferenciais no seu currículo.
Ou seja, você precisa entender o básico de como funciona a cabeça de um homem para não cometer bobagens como chicletices e mumices. Além disso, precisa ter conteúdo dentro da cachola que não seja as fofocas da última novela e tendências da próxima estação, isso é saber conversar sobre(quase) qualquer assunto.
A aparência de um CV – O seu cv é o cartão de apresentação para quem for te contratar. Ele precisa ser impecável, bem formatado e coerente. Se ele estiver todo mal ajambrado, provavelmente a pessoa será igual e você não será considerada no processo.
Ou seja, a aparência conta muito. Você não precisa ser o broto do pedaço (como diz a minha mãe), mas se não cuidar do cabelo, pele, unha, roupa, etc mostrará que você não se cuida como um todo e nenhum homem (que preste) te considerará como uma boa opção.
Saber onde anunciar – Depois de ter uma base teórica bacana e deixar o cv arrumadinho, é hora de procurar onde anunciá-lo. Se você colocar seu cv em sites de emprego vagabundo ou enviar para qualquer anúncio de emprego que aparece, muito provavelmente só aparecerão umas porcarias de vaga.
Ou seja, um relacionamento bacana dificilmente começará em lugares improváveis como micareta, baladas e botecos risca-faca. Geralmente os melhores empregos vêm por indicação, assim como relacionamentos.
Estágio – Depois de desenvolver a teoria e começar a anunciar é hora de estagiar, isso é, colocar na prática tudo o que você aprendeu. É fundamental procurar um estágio que agregue conhecimento, que não faça com que você execute apenas trabalhos braçais, é preciso uma troca, onde os dois lados ganham. Nesse momento errar não é um grande problema, pois você não tem grande vínculo com o lugar e está se desenvolvendo. Se perceber que o estágio é uma porcaria, saia logo de lá e vá atrás de outro, pois do contrário você perderá seu tempo precioso com algo que não te acrescenta e desqualifica o seu currículo.
Ou seja, é hora de começar a se relacionar com alguém. E para esse relacionamento ser bacana, ele não pode se limitar a atração física e sexo, pois se isso ocorrer, não é relacionamento, é putaria. O cara precisa contribuir para o seu crescimento como pessoa e você para o dele, é uma troca onde os dois lados ganham. Por ser o início de uma relação, não tem problema se não der certo, afinal você está apenas no início de um envolvimento, é possível terminar antes que evolua para algo mais sério. Se perceber que o cara é uma meleca, vaza. Homens assim vão te deixar pra baixo, fazer mal e você poderá perder ótimas oportunidades ficando com um cara tosco.
Pular de emprego em emprego – É interessante você acumular algumas experiências práticas, pois poucas empresas terão saco de treinar um funcionário nas coisas mais simples. Por outro lado, você ter uma grande quantidade de experiência no CV picadas e com pouco tempo de duração, mostra que você tem algum problema de adaptação pra ficar em um ambiente só por muito tempo e ai você acaba se queimando no mercado.
Ou seja, é interessante você ter relacionamentos prévios com outros caras, pois poucos terão saco para ensinar as coisas mais simples de sexo ou de um relacionamento para uma pessoa que nunca teve experiência com outros homens. Por outro lado, você ter uma quantidade imensa de experiências com dezenas de caras e com baixa duração, mostrará que você não consegue se manter fiel a uma pessoa e não inspira confiança e ai você acaba se queimando com outros homens.
Foco na área que pretende atuar – Você precisa ter foco no seu objetivo profissional e moldar seu currículo com base nisso. Se você, por exemplo, quer trabalhar como engenheira automobilística, estágios em engenharia de alimento vão praticamente minar a oportunidade de você trabalhar com carros, pois toda sua experiência mostrará que você não é apta para esse tipo de trabalho.
Ou seja, se você gosta de homens mais bonzinhos, quietinhos, românticos e certinhos, dificilmente você atrairá esse tipo de homem vestindo roupas sensuais, indo pra balada ou com uma vasta experiência sexual.
As vezes o maior não é o melhor – Não se admire com estágios em grandes multinacionais que pagam um excelente salário, possuem renome, muitos benefícios e aparentemente excelentes oportunidades de crescimento. Muitas vezes nessas grandes empresas você será apenas uma pequena peça da imensa engrenagem, você não será relevante para ela e assim que você cair um milímetro no rendimento, ela te põe na rua. As vezes uma pequena / média empresa que tem planos ambiciosos, que se preocupa com o desenvolvimento dos seus funcionários e os valoriza, bem como permite seu crescimento, te dará melhor oportunidade que uma multinacional.
Ou seja, não se admire tanto com aquele cara boa pinta, rico, com um ótimo emprego, que te enche de presentes caros e a leva para bons restaurantes, o que aparentemente mostra que ele se preocupa com você. Muitas vezes você será apenas mais uma “coisa” na vida dele, não terá tanta relevância e assim que você não atender mais as necessidades dele, o cara termina sem mais nem menos. As vezes um cara mais simples, que não tem tanto dinheiro, mas é inteligente, ambicioso e que se preocupa com o seu bem estar (que não está relacionado a presentes e restaurantes, mas carinho e atenção), vai te fazer muito mais feliz.
E os consultores? – Muitas pessoas não suportam a ideia de ficar presas em um escritório ou mesma companhia a vida inteira. Não querem a mesmice de fazer praticamente o mesmo tipo de trabalho sempre, de saber que dia seguinte verá as mesmas pessoas, rotina e stress. Querem algo dinâmico, fazer o seu próprio horário, comer a hora que quiser, dormir a hora que quiser e se não estiver satisfeita com determinado trabalho, recusá-lo e mandar passear. Essas pessoas são os consultores. Apesar dos benefícios que esse trabalho possui conforme citado, o consultor não tem segurança sobre o dia de amanhã. Hoje, ele pode ter centenas de trabalhos divertidos, amanhã ele não tem nenhum. Se ele adoece, não tem nenhuma empresa para ampará-lo e se ele para, não ganha, se complica. Além disso, por estar cada hora em um trabalho diferente, ele não cria laços fortes com as pessoas ao seu redor e nesse momento de fraqueza ele acabará esquecido e contará no máximo com alguns amigos pessoais, mas que nem sempre conseguirão ajudá-lo.
Ou seja, muitas mulheres não suportam a ideia de ficar presas em um relacionamento. Não querem ter que transar com o mesmo cara a vida inteira. A mesmice de ter praticamente o mesmo sexo, cair na rotina e ter o mesmo tipo de discussão sobre a sogra que vive enchendo o saco, por exemplo. Querem experimentar diversos tipos de homens, não dar satisfação sobre a sua vida, explicar por que ficou na casa da fulana até tarde. E se o cara encher muito o saco, manda passear e abraço. Apesar dos benefícios que uma vida assim traz, a pessoa não tem segurança sobre o dia de amanhã. Se ela estiver pra baixo, depressiva, brigado com alguma amiga ou familiar, não vai ter alguém ali 100% com ela. No máximo uma amiga para consolá-la, mas que nem sempre conseguirá ajudá-la.
A leitora Edileuza me procurou angustiada, pois não sabia o que fazer (como 90% das mulheres que me procuram) com a escassez de homem interessante. Ela é o típico caso de mulher que começa a ficar na seca e põe em xeque se não está sendo exigente demais ou chata.
“Eu sou uma curva de rio! Meu primeiro namorado dizia me amar, mas gostava de
sair sozinho para “paquerar” (!?), do tipo “eu não presto mas eu te amo”.
Cafa > Não. Ele não te amava e me admira você ter um relacionamento com
alguém com essa mentalidade. Na primeira já era pra botar o cara pra rodar.
Em seguida conheci uma cara legal, inteligente, bem vivido e tals, mas ele
morava em outra cidade e porque tinha um nível social altíssimo já viu, ne?
Claro que não deu certo! Ele até tentou me fazer de lanchinho, mas não cai
na dele. Resolvi desencanar e ficar sossegada.
Cafa > Não entendi a relação do dinheiro e não dar certo. A pessoa ter
muito dinheiro é ruim? A não ser que ela seja uma ameba. Agora se ele te
tratava como mais uma e não queria namoro, ai sim você fez certo em sair
fora.
Desde então eu conheço alguém que parece ser legal, começamos a namorar,
mas ai vejo que o cara não tem nada a ver! Ou o camarada fala “para mim
fazer” e “estou brincano” e coisas do tipo e/ou quer casar daqui dois meses
e ter filhos. Se não é isso acabo saindo com umas tranqueiras nada a ver
que, ou usam drogas, ou bebem horrores…
Cafa > Nossa, quanto extremo. Onde você está saindo? Na sambão risca faca
da vila?
Enfim, não consigo encontrar ninguém legal. Até já encontrei um cara bem
legal, mas ele disse que a química não rolou apesar de ter ficado um bom
tempo me perturbando querendo namorar…Não tenho nenhuma dificuldade para
arrumar alguém, mas justamente o cara que eu escolho é uma tranqueira ou se
o cara é legal “não rola química”. E tem mais: não consigo me apaixonar por
mais ninguém! Não tenho mais paciência, mas ao mesmo tempo quero ter
alguém. Por que será que eu arrumo caras tão diferentes? Será que estou
(sempre estive) em crise?Hahahahahaha. Beijos e obrigada!”
Cafa > Relaxa, esse é um mal que eu também passo.
A gente vê casais por ai aos montes, pessoas que terminam um namoro e já
encaixam em outro, namoros começando com uma semana de relacionamento,
enfim, parece que é muito fácil encontrar uma pessoa bacana e que o problema
está em nós. E ai costumamos a nos perguntar, “será que estou fazendo algo
errado?” “Será que estou sendo muito exigente?”.
De fato algumas vezes o problema é com a gente que não percebe que não
existem pessoas perfeitas e completamente moldadas de acordo com os nossos
gostos e vontades. Porém, o principal problema aqui (que na verdade não é
problema) é que investimos demais em nós mesmo. Veja você (a leitora me contou seu histórico), foi estudar fora,
deve falar várias línguas, ter um emprego bacana, fez mestrado, é bonita,
blábláblá. E ai consequentemente o seu nível de exigência aumenta. Você sabe
do valor que tem e um cara que fala errado é simplesmente inaceitável.
Aquele que te trata como uma qualquer e vai pegar maloqueira na balada que
mal tem fluência no português, também não merece você. Enfim, filtros vão
sendo criados e ai o número de homens que te agrada reduz drasticamente. E
qual a solução? Baixar o seu nível para não ficar sozinha ou continuar
buscando alguém bacana? Eu sugiro a segunda opção. Você não precisa de
alguém que te complete e sim alguém que some.
Só toma cuidado para não ficar buscando alguém sem defeitos e ficar sozinha
ad aeternum. Todo mundo tem defeitos, o problema é que alguns são
intragáveis, outros você consegue conviver
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ps2 Quer tentar participar da Sexta das Leitoras? Envie sua história para cafa@manualdocafajeste.com. Quer ter a certeza que sua história será comentada pelo cafa? Conheça a coluna Cafa Responde.
Uma pergunta muito recorrente que me fazem a respeito do Manual é por que um blog com um layout fraquinho, pouco atualizado e sem recursos visuais nos posts é tão acessado e comentado considerando que há milhares de blogs do gênero por ai.
Acredito que são 3 os principais motivos. O primeiro é a participação das leitoras que por meio dos comentários ajudam a enriquecer os textos e geram uma relação escritor / leitor raramente vista em blogs. A segunda é a eterna busca feminina em saber o que os homens pensam. E a terceira (que está diretamente relacionada com a segunda) é a transparência e objetividade com que exponho os temas. Não me preocupo em agradar determinado grupo de mulheres ou em ser politicamente correto em temas mais delicados. Procuro sempre passar uma visão fria e racional dos assuntos, a visão de boa parte dos homens.
Só que relacionamento, amizade, amor, etc não são uma ciência exata. Por mais que eu queira procurar a objetividade e racionalidade nos temas, tudo pode mudar. Além do que, e por mais clichê que isso possa parecer, sou humano. As vezes pela forma como exponho os assuntos, parece que sou uma pessoa que não erra, uma máquina, que tenho a resposta na ponta da língua e firmeza em todos os assuntos abordados. Mas não sou assim.
Faço toda essa introdução porque esse período em que estive afastado da minha namorada me ajudou a repensar algumas atitudes e rever a forma de encarar os relacionamentos.
Como eu havia falado, dei um tempo, sai com os amigos solteiros, segui as 6 dicas para me manter afastado da minha ex e estava decidido no meu propósito.
Só que em uma bela sexta-feira, a saudade bateu. Ainda assim me mantive firme, pois poderia ser um sentimento de posse que estava me tomando ou apenas algo físico. Fui ao supermercado comprei um vinho, pistache e decidi passar a noite inteira bebendo, comendo porcaria e trabalhando para tirar a ex da cabeça. Só que ao chegar em casa me deparei com uma carta dela.
Não quis abri-la. Pensei em queimá-la sem ler. Mas tomei banho, jantei e decidi abrir de uma vez. Não entrarei no detalhe do conteúdo da carta, mas digamos que me tocou profundamente. Não tinha pieguices, lugar-comum, perfume ou demais patetices que mulher apaixonada enfia em carta romântica. Tinha rasuras, letra torta e alguns erros, mas o conteúdo era sincero e de alguém que havia reconhecido seus erros, apontado os meus e mostrado que a vida / um relacionamento não é uma fórmula matemática. Pensei, repensei e decidi que deveria dar “uma chance” pra nós.
Sim, eu sei que pode parecer incoerente, pois há dois posts eu disse que não acreditava em chances. Mas, como eu mencionei nesse post, é muito fácil tomar uma decisão apenas pensando racionalmente, seguir uma fórmula e esquecer a emoção.
Talvez amanhã eu possa ver que errei, que deveria ter queimado a carta e partido para outra. Só que eu também poderia olhar pra trás e falar “eu deveria ter dado uma chance”. E o que fazer? Não sei vocês, mas eu prefiro relevar alguns dos meus princípios e pecar por ter tentado a ter desistido na primeira dificuldade.