É comum nos posts que faço criticando certas atitudes femininas aparecerem leitoras perguntando qual seria a forma correta de agir, que dicas eu daria de comportamento, o que fazer para atrair mais homens, etc. O ponto é que não há o certo e o errado, pois isso vai da perspectiva e vivência de cada um. O que para mim pode soar como mau gosto, para uma pessoa pode ser atraente.
Porém, se eu fosse escrever tal qual um jornal, procurando sempre ser imparcial e sem emitir minhas opiniões, isso aqui não seria um blog e eu teria 10 acessos perdidos. Tendo isso em mente, resolvi fazer esse post traçando um paralelo sobre relacionamento e trabalho na minha perspectiva.
Aparentemente não possuem muita relação, mas a mecânica entre eles tem tudo a ver e se você ainda se pergunta por que nunca teve um relacionamento bacana e duradouro, com essa analogia as coisas vão ficar mais claras.
Primeiro de tudo e o mais óbvio, encontrar um bom emprego / relacionamento não é fácil. A menos que você tenha herdado a empresa do pai isso não será um problema. E este é o caso das pessoas que encontraram um cara bacana quando novinhas e passam praticamente a vida inteira com ele. Acontece, mas não é comum.
Se o seu caso não é esse e você vai ter que ralar pra encontrar algo bacana, seguem minhas dicas:
Experiência / Base – Para você se destacar entre as demais, precisará ter uma base teórica boa e acrescentar diferenciais no seu currículo.
Ou seja, você precisa entender o básico de como funciona a cabeça de um homem para não cometer bobagens como chicletices e mumices. Além disso, precisa ter conteúdo dentro da cachola que não seja as fofocas da última novela e tendências da próxima estação, isso é saber conversar sobre(quase) qualquer assunto.
A aparência de um CV – O seu cv é o cartão de apresentação para quem for te contratar. Ele precisa ser impecável, bem formatado e coerente. Se ele estiver todo mal ajambrado, provavelmente a pessoa será igual e você não será considerada no processo.
Ou seja, a aparência conta muito. Você não precisa ser o broto do pedaço (como diz a minha mãe), mas se não cuidar do cabelo, pele, unha, roupa, etc mostrará que você não se cuida como um todo e nenhum homem (que preste) te considerará como uma boa opção.
Saber onde anunciar – Depois de ter uma base teórica bacana e deixar o cv arrumadinho, é hora de procurar onde anunciá-lo. Se você colocar seu cv em sites de emprego vagabundo ou enviar para qualquer anúncio de emprego que aparece, muito provavelmente só aparecerão umas porcarias de vaga.
Ou seja, um relacionamento bacana dificilmente começará em lugares improváveis como micareta, baladas e botecos risca-faca. Geralmente os melhores empregos vêm por indicação, assim como relacionamentos.
Estágio – Depois de desenvolver a teoria e começar a anunciar é hora de estagiar, isso é, colocar na prática tudo o que você aprendeu. É fundamental procurar um estágio que agregue conhecimento, que não faça com que você execute apenas trabalhos braçais, é preciso uma troca, onde os dois lados ganham. Nesse momento errar não é um grande problema, pois você não tem grande vínculo com o lugar e está se desenvolvendo. Se perceber que o estágio é uma porcaria, saia logo de lá e vá atrás de outro, pois do contrário você perderá seu tempo precioso com algo que não te acrescenta e desqualifica o seu currículo.
Ou seja, é hora de começar a se relacionar com alguém. E para esse relacionamento ser bacana, ele não pode se limitar a atração física e sexo, pois se isso ocorrer, não é relacionamento, é putaria. O cara precisa contribuir para o seu crescimento como pessoa e você para o dele, é uma troca onde os dois lados ganham. Por ser o início de uma relação, não tem problema se não der certo, afinal você está apenas no início de um envolvimento, é possível terminar antes que evolua para algo mais sério. Se perceber que o cara é uma meleca, vaza. Homens assim vão te deixar pra baixo, fazer mal e você poderá perder ótimas oportunidades ficando com um cara tosco.
Pular de emprego em emprego – É interessante você acumular algumas experiências práticas, pois poucas empresas terão saco de treinar um funcionário nas coisas mais simples. Por outro lado, você ter uma grande quantidade de experiência no CV picadas e com pouco tempo de duração, mostra que você tem algum problema de adaptação pra ficar em um ambiente só por muito tempo e ai você acaba se queimando no mercado.
Ou seja, é interessante você ter relacionamentos prévios com outros caras, pois poucos terão saco para ensinar as coisas mais simples de sexo ou de um relacionamento para uma pessoa que nunca teve experiência com outros homens. Por outro lado, você ter uma quantidade imensa de experiências com dezenas de caras e com baixa duração, mostrará que você não consegue se manter fiel a uma pessoa e não inspira confiança e ai você acaba se queimando com outros homens.
Foco na área que pretende atuar – Você precisa ter foco no seu objetivo profissional e moldar seu currículo com base nisso. Se você, por exemplo, quer trabalhar como engenheira automobilística, estágios em engenharia de alimento vão praticamente minar a oportunidade de você trabalhar com carros, pois toda sua experiência mostrará que você não é apta para esse tipo de trabalho.
Ou seja, se você gosta de homens mais bonzinhos, quietinhos, românticos e certinhos, dificilmente você atrairá esse tipo de homem vestindo roupas sensuais, indo pra balada ou com uma vasta experiência sexual.
As vezes o maior não é o melhor – Não se admire com estágios em grandes multinacionais que pagam um excelente salário, possuem renome, muitos benefícios e aparentemente excelentes oportunidades de crescimento. Muitas vezes nessas grandes empresas você será apenas uma pequena peça da imensa engrenagem, você não será relevante para ela e assim que você cair um milímetro no rendimento, ela te põe na rua. As vezes uma pequena / média empresa que tem planos ambiciosos, que se preocupa com o desenvolvimento dos seus funcionários e os valoriza, bem como permite seu crescimento, te dará melhor oportunidade que uma multinacional.
Ou seja, não se admire tanto com aquele cara boa pinta, rico, com um ótimo emprego, que te enche de presentes caros e a leva para bons restaurantes, o que aparentemente mostra que ele se preocupa com você. Muitas vezes você será apenas mais uma “coisa” na vida dele, não terá tanta relevância e assim que você não atender mais as necessidades dele, o cara termina sem mais nem menos. As vezes um cara mais simples, que não tem tanto dinheiro, mas é inteligente, ambicioso e que se preocupa com o seu bem estar (que não está relacionado a presentes e restaurantes, mas carinho e atenção), vai te fazer muito mais feliz.
E os consultores? – Muitas pessoas não suportam a ideia de ficar presas em um escritório ou mesma companhia a vida inteira. Não querem a mesmice de fazer praticamente o mesmo tipo de trabalho sempre, de saber que dia seguinte verá as mesmas pessoas, rotina e stress. Querem algo dinâmico, fazer o seu próprio horário, comer a hora que quiser, dormir a hora que quiser e se não estiver satisfeita com determinado trabalho, recusá-lo e mandar passear. Essas pessoas são os consultores. Apesar dos benefícios que esse trabalho possui conforme citado, o consultor não tem segurança sobre o dia de amanhã. Hoje, ele pode ter centenas de trabalhos divertidos, amanhã ele não tem nenhum. Se ele adoece, não tem nenhuma empresa para ampará-lo e se ele para, não ganha, se complica. Além disso, por estar cada hora em um trabalho diferente, ele não cria laços fortes com as pessoas ao seu redor e nesse momento de fraqueza ele acabará esquecido e contará no máximo com alguns amigos pessoais, mas que nem sempre conseguirão ajudá-lo.
Ou seja, muitas mulheres não suportam a ideia de ficar presas em um relacionamento. Não querem ter que transar com o mesmo cara a vida inteira. A mesmice de ter praticamente o mesmo sexo, cair na rotina e ter o mesmo tipo de discussão sobre a sogra que vive enchendo o saco, por exemplo. Querem experimentar diversos tipos de homens, não dar satisfação sobre a sua vida, explicar por que ficou na casa da fulana até tarde. E se o cara encher muito o saco, manda passear e abraço. Apesar dos benefícios que uma vida assim traz, a pessoa não tem segurança sobre o dia de amanhã. Se ela estiver pra baixo, depressiva, brigado com alguma amiga ou familiar, não vai ter alguém ali 100% com ela. No máximo uma amiga para consolá-la, mas que nem sempre conseguirá ajudá-la.
A leitora Edileuza me procurou angustiada, pois não sabia o que fazer (como 90% das mulheres que me procuram) com a escassez de homem interessante. Ela é o típico caso de mulher que começa a ficar na seca e põe em xeque se não está sendo exigente demais ou chata.
“Eu sou uma curva de rio! Meu primeiro namorado dizia me amar, mas gostava de
sair sozinho para “paquerar” (!?), do tipo “eu não presto mas eu te amo”.
Cafa > Não. Ele não te amava e me admira você ter um relacionamento com
alguém com essa mentalidade. Na primeira já era pra botar o cara pra rodar.
Em seguida conheci uma cara legal, inteligente, bem vivido e tals, mas ele
morava em outra cidade e porque tinha um nível social altíssimo já viu, ne?
Claro que não deu certo! Ele até tentou me fazer de lanchinho, mas não cai
na dele. Resolvi desencanar e ficar sossegada.
Cafa > Não entendi a relação do dinheiro e não dar certo. A pessoa ter
muito dinheiro é ruim? A não ser que ela seja uma ameba. Agora se ele te
tratava como mais uma e não queria namoro, ai sim você fez certo em sair
fora.
Desde então eu conheço alguém que parece ser legal, começamos a namorar,
mas ai vejo que o cara não tem nada a ver! Ou o camarada fala “para mim
fazer” e “estou brincano” e coisas do tipo e/ou quer casar daqui dois meses
e ter filhos. Se não é isso acabo saindo com umas tranqueiras nada a ver
que, ou usam drogas, ou bebem horrores…
Cafa > Nossa, quanto extremo. Onde você está saindo? Na sambão risca faca
da vila?
Enfim, não consigo encontrar ninguém legal. Até já encontrei um cara bem
legal, mas ele disse que a química não rolou apesar de ter ficado um bom
tempo me perturbando querendo namorar…Não tenho nenhuma dificuldade para
arrumar alguém, mas justamente o cara que eu escolho é uma tranqueira ou se
o cara é legal “não rola química”. E tem mais: não consigo me apaixonar por
mais ninguém! Não tenho mais paciência, mas ao mesmo tempo quero ter
alguém. Por que será que eu arrumo caras tão diferentes? Será que estou
(sempre estive) em crise?Hahahahahaha. Beijos e obrigada!”
Cafa > Relaxa, esse é um mal que eu também passo.
A gente vê casais por ai aos montes, pessoas que terminam um namoro e já
encaixam em outro, namoros começando com uma semana de relacionamento,
enfim, parece que é muito fácil encontrar uma pessoa bacana e que o problema
está em nós. E ai costumamos a nos perguntar, “será que estou fazendo algo
errado?” “Será que estou sendo muito exigente?”.
De fato algumas vezes o problema é com a gente que não percebe que não
existem pessoas perfeitas e completamente moldadas de acordo com os nossos
gostos e vontades. Porém, o principal problema aqui (que na verdade não é
problema) é que investimos demais em nós mesmo. Veja você (a leitora me contou seu histórico), foi estudar fora,
deve falar várias línguas, ter um emprego bacana, fez mestrado, é bonita,
blábláblá. E ai consequentemente o seu nível de exigência aumenta. Você sabe
do valor que tem e um cara que fala errado é simplesmente inaceitável.
Aquele que te trata como uma qualquer e vai pegar maloqueira na balada que
mal tem fluência no português, também não merece você. Enfim, filtros vão
sendo criados e ai o número de homens que te agrada reduz drasticamente. E
qual a solução? Baixar o seu nível para não ficar sozinha ou continuar
buscando alguém bacana? Eu sugiro a segunda opção. Você não precisa de
alguém que te complete e sim alguém que some.
Só toma cuidado para não ficar buscando alguém sem defeitos e ficar sozinha
ad aeternum. Todo mundo tem defeitos, o problema é que alguns são
intragáveis, outros você consegue conviver
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ps2 Quer tentar participar da Sexta das Leitoras? Envie sua história para cafa@manualdocafajeste.com. Quer ter a certeza que sua história será comentada pelo cafa? Conheça a coluna Cafa Responde.
Uma pergunta muito recorrente que me fazem a respeito do Manual é por que um blog com um layout fraquinho, pouco atualizado e sem recursos visuais nos posts é tão acessado e comentado considerando que há milhares de blogs do gênero por ai.
Acredito que são 3 os principais motivos. O primeiro é a participação das leitoras que por meio dos comentários ajudam a enriquecer os textos e geram uma relação escritor / leitor raramente vista em blogs. A segunda é a eterna busca feminina em saber o que os homens pensam. E a terceira (que está diretamente relacionada com a segunda) é a transparência e objetividade com que exponho os temas. Não me preocupo em agradar determinado grupo de mulheres ou em ser politicamente correto em temas mais delicados. Procuro sempre passar uma visão fria e racional dos assuntos, a visão de boa parte dos homens.
Só que relacionamento, amizade, amor, etc não são uma ciência exata. Por mais que eu queira procurar a objetividade e racionalidade nos temas, tudo pode mudar. Além do que, e por mais clichê que isso possa parecer, sou humano. As vezes pela forma como exponho os assuntos, parece que sou uma pessoa que não erra, uma máquina, que tenho a resposta na ponta da língua e firmeza em todos os assuntos abordados. Mas não sou assim.
Faço toda essa introdução porque esse período em que estive afastado da minha namorada me ajudou a repensar algumas atitudes e rever a forma de encarar os relacionamentos.
Como eu havia falado, dei um tempo, sai com os amigos solteiros, segui as 6 dicas para me manter afastado da minha ex e estava decidido no meu propósito.
Só que em uma bela sexta-feira, a saudade bateu. Ainda assim me mantive firme, pois poderia ser um sentimento de posse que estava me tomando ou apenas algo físico. Fui ao supermercado comprei um vinho, pistache e decidi passar a noite inteira bebendo, comendo porcaria e trabalhando para tirar a ex da cabeça. Só que ao chegar em casa me deparei com uma carta dela.
Não quis abri-la. Pensei em queimá-la sem ler. Mas tomei banho, jantei e decidi abrir de uma vez. Não entrarei no detalhe do conteúdo da carta, mas digamos que me tocou profundamente. Não tinha pieguices, lugar-comum, perfume ou demais patetices que mulher apaixonada enfia em carta romântica. Tinha rasuras, letra torta e alguns erros, mas o conteúdo era sincero e de alguém que havia reconhecido seus erros, apontado os meus e mostrado que a vida / um relacionamento não é uma fórmula matemática. Pensei, repensei e decidi que deveria dar “uma chance” pra nós.
Sim, eu sei que pode parecer incoerente, pois há dois posts eu disse que não acreditava em chances. Mas, como eu mencionei nesse post, é muito fácil tomar uma decisão apenas pensando racionalmente, seguir uma fórmula e esquecer a emoção.
Talvez amanhã eu possa ver que errei, que deveria ter queimado a carta e partido para outra. Só que eu também poderia olhar pra trás e falar “eu deveria ter dado uma chance”. E o que fazer? Não sei vocês, mas eu prefiro relevar alguns dos meus princípios e pecar por ter tentado a ter desistido na primeira dificuldade.
(continuação)
(…)
“Sexo – Como deu pra notar, não espero que você se case virgem. Isso foi uma das coisas mais idiotas e retrógradas que a Igreja enfiou na sociedade e que muita gente quadrada prega. Isso não quer dizer que você deve sair dando pra qualquer um por ai. Saiba usar a liberdade sexual que sua avó e mãe tanto brigaram e se desgastaram da melhor forma possível. Quando você vê filme de romance na TV, parece que para um casal ser feliz basta fazer coisinhas meigas um para o outro, acordar o parceiro com um café da manhã na cama, enviar um buquê de flores e demais melações. Isso até faz parte de um relacionamento bacana, mas não corresponde a metade do que ele é de verdade. O peso do sexo é enorme na relação e se for meia boca, imagine ter que ficar anos com alguém meia boca do seu lado? Vira amiguinho. Por outro lado, provavelmente você encontrará alguém que te faça ver estrelas e que role uma química incrível, porém nem sempre essa pessoa terá outros atributos (como carinho por você, respeito, amizade, etc) e só vai querer te comer. Você será apenas mais uma. E não caia nos modismos de seriados como o Sex and The City (que pra você já será velho) em que fazer sexo é como abrir porta, onde transar com o porteiro é o maior sarro, dar para o cara no cinema é ser descolada e fazer um oral no estacionamento da balada é ser moderninha. Pelas costas você será conhecida como uma vagabunda.
Homem – Esse tema daria pra escrever um livro pra você tamanha a complexidade e conselhos que eu deixaria, mas tentarei ser sucinto e direto ao ponto. As mulheres geralmente evoluem intelectualmente muito mais rápido que os homens conforme vão crescendo, por isso você deve achar a maioria dos garotos da sua idade um bando de bobo. Porém, a malandragem e inteligência emocional é muito mais forte e desenvolvida neles. Isso será um problema. Enquanto a garota falará orgulhosa para amigas que conquistou o garoto mais popular da classe, ele vai se gabar por ter beijado a garota mais gostosa e ter passado a mão na bunda dela. E isso se repetirá conforme os anos passarem (guardadas as devidas proporções). Muitas garotas de 20 e poucos anos vão achar que está indo pra cama, porque o cara gosta dela, mas no dia seguinte metade da turma estará sabendo até a cor do ovário da coitada e ele nem lembrará seu nome. Sendo bem direto, para a grande maioria dos homens você será apenas um buraco onde eles tentarão enfiar os seus pipis. Eles serão amigos, gentis, solidários e muitas vezes farão juras de amor que te deixará desconcertada, mas é só te levar pra cama para que apareça a verdadeira pessoa por trás da máscara e que você vire apenas mais uma. Não caia no papinho que se você não der de primeira vai perder o cara, se ele gostou de você irá te procurar mais vezes. Lembre-se, mulher é quem coloca o freio na relação e conhecendo o cara ao longo do tempo conseguirá identificar se ele ainda te enxerga como um buraco ou como uma mulher.
Feminilidade – Esse é um dos principais conselhos que eu deixo pra você, nunca perca a sua essência feminina. Apesar de relativamente novo, eu cansei de ver centenas de mulheres levantando a bandeira de que são iguais aos homens, que podem fazer tudo o que eles fazem. E podem, mas conseguem ser no mínimo patéticas. Você não é igual a um homem nem nunca será. Ainda bem. Se fosse igual, você não teria nascido e eu estaria casado com um homem, pois me entenderia e não teria DR´s. O que atrai os homens nas mulheres é a fragilidade, o apego aos detalhes, a dedicação com o parceiro, a perspectiva de ver as coisas de uma forma emotiva, enfim, a sensibilidade. Espero que na sua idade o feminismo seja uma causa vazia e que ele dê espaço à feminilidade.
Não estenderei mais essa carta, pois não quero que isso vire um tratado e que você guie todas as suas ações como se dependesse de um manual. A sua maior escola será a experiência prática. Muita das coisas que eu falei você não irá cumprir e provavelmente aprenderá sofrendo. Mas, como um bom pai, gostaria que isso fosse minimizado.
Um grande beijo de alguém que ainda nem te viu nascer, mas que já se preocupa com o seu futuro”.
Essa é a carta que eu deixaria à minha filha. Talvez no futuro e com mais maturidade eu revisite alguns pontos e adicione outros, mas creio que já será um bom ponto de partida.
Calma. O namoro do Cafa vai bem, mas ele ainda não será papai, nem está prestes a bater as botas. Explico o motivo do post.
Desde pequeno eu nunca pensei em ter filha. Tinha em mente aquele pensamento machista, “não quero ter filha e saber que algum homem vai comê-la”. Porém, com o passar do tempo, amadurecimento e analisando os comentários femininos aqui do blog, percebi que filha mulher tem muitas vantagens e qualidades que raramente há nos homens e que eu nunca tinha parado pra pensar. Por isso, além de um cafinha eu pretendo ter uma mocinha.
Só que tenho observado que com toda a liberdade feminina (seja comportamental, financeira ou sexual) muitas mulheres se perderam no caminho. Ao invés de usar essa liberdade a seu favor, trocaram os pés pelas mãos, procuram se igualar em tudo aos homens e depois ficam chorando pelos cantos tentando entender onde que erraram e no fim jogam a culpa nos próprios homens e nessa sociedade machista.
Nesses dois anos e meio de blog recebi centenas de e-mail de leitoras e comentários aqui no blog me agradecendo por ter aberto os olhos delas e feito compreender que o mundo não é assim tão rosinha e simples como um conto da Cinderela e um Sex and The City que no final tudo é resolvido com umas comprinhas em loja de grife e uma putaria com um desconhecido. Portanto, assim que minha filha completar 15 anos, vou fazer questão que ela leia os textos que escrevi neste blog (que provavelmente não existirá mais), mas antes mostrarei uma carta pra ela. Segue-a abaixo.
“Querida filha,
Escrevo essa carta muito antes de você nascer e espero que com seus 15 anos de idade você já tenha maturidade e inteligência suficientes para encarar todos os problemas e desafios que virão daqui pra frente.
Essa carta poderia conter várias dicas escolares e/ou profissionais, vários lugares comuns e declarações kitsch de amor, mas isso são coisas que em simples conversas de pai pra filha se resolvem e em alguns gestos de carinho. Porém, há certos assuntos que nem sempre são fáceis de resolver em uma conversa devido a timidez e vergonha em relação a temática, mas que são importantes para o seu desenvolvimento emocional. Além disso, quero evitar que você sofra em vão e chore por coisas (e gente) que não valem a pena. Dividirei por tópicos (coisa de um chato metódico).
Popularidade – Espero que você não seja a garota popular do colégio ou faculdade. Geralmente essas garotas são fúteis e ocas por dentro. Acreditam que conseguirão tudo na vida dando apenas um sorriso e mostrando a bunda, mas quando ficam velhas não conquistaram nada (no máximo um marido rico). Quando jovens, pessoas inteligentes e com senso crítico não são muito valorizadas pela maioria e consequentemente não são populares. Não se preocupe com isso.
Amigas – Você deve conhecer muitas garotas e as julga amigas. Mas cuidado, mais da metade delas não pensará duas vezes se tiver que pisar em você pra conseguir algo. Muitas delas ficarão com garotos que você paquera, outras falarão mal e tirarão sarro de você pelas costas. Não se nivele a elas, não brigue, trate-as como colegas. A vida se encarregará do resto. Suas melhores amigas você contará dos dedos da mão (e talvez as encontrará apenas quando for mais velha) e as valorize muito, elas são a família que você pode escolher e você aprenderá muito com elas.
Balada – Espero que você aproveite as baladas tanto quanto seu pai curtiu quando era mais novo. Dance bastante, beba (só depois dos 18) e se divirta com as suas amigas. Se aparecer algum cara bonitão e principalmente com bom papo e algo na cabeça (que não seja gel e boné), dê uns beijos. Sua avó não teve essa liberdade, sua mãe teve um pouco e você terá bastante. Porém, não entre em ondinhas que os homens colocam como “super descoladas” e depois te chamam de vagabunda pelas costas. Alguns exemplos: beijar mulher na balada, transar na primeira noite que conheceu o cara, encher a cara até vomitar, etc. Na hora tudo parece muito bom e divertido, mas nos dias seguintes, em grande parte das vezes, é só decepção.
Virgindade – Se você já perdeu a virgindade, espero que ao contrário de grande parte das garotas, ela tenha sido prazerosa e com alguém especial. Se ainda não perdeu, mantenho a expectativa de que ela seja boa. Se não for, saiba que melhores (e muito melhores) virão. Porém, quero que você entenda que provavelmente o garoto que transar pela primeira vez com você, não será o homem de sua vida, mas você jamais se esquecerá dele. E cá entre nós, não seria bacana ter a recordação de um abobado para o resto da vida, por isso saiba escolher essa pessoa especial.
Namoro – Seu pai não teve muitas experiências em relação ao namoro (quando escrevo essa carta estou com 26 anos e namorei apenas 3x), mas aprendeu bastante com a terceira namorada. Nunca namorei, pois sempre que ficava com alguma garota, sentia que algo faltava nela. Se rolava química, a garota era uma mula. Se era inteligente, não rolava química. A união dos dois sempre foi um problema e acredito que será para você também. Por isso, não comece a namorar até você ter certeza de que encontrou alguém bacana e “completo”. Conheço vários casais que começaram a namorar por mera convenção e um vivia traindo o outro (algo que eu espero que você nunca faça) e insatisfeito. Se você não encontrou alguém bacana, gerencie a sua geladeira com pessoas especiais e vai curtindo sua solteirice até achar alguém que desperte algo diferente em você e que isso seja recíproco. E muito importante, não se desespere mesmo se com seus 20 e poucos anos não encontrar alguém interessante. Não há nada mais deprê que uma mulher solitária atirando pra tudo quanto é lado pra ver se fisga algum homem. Uma parte significativa dos homens só está a fim de curtição e completamente desencanado de algo sério, mas se você for especial para algum deles (que não seja um acéfalo), pode ter certeza que ele continuará na curtição, mas com você do lado. (…)
(continuará no próximo post)