RELACIONAMENTO 4 de outubro de 2017

Pessoas interessantes e inconvenientes

Quem acompanhou o blog na primeira fase sabe das desventuras que eu passava saindo com algumas improváveis. Lembro-me de que após os posts sempre apareciam leitoras que agradeciam as risadas, mas me perguntavam quais características faziam uma mulher interessante pra mim, já que eu só relatava estrupícios.

Como eu sempre falei, é mais fácil criticar o que não parece certo a enaltecer o que é bom. Porém, dia desses, batendo um papo com o pessoal do trabalho e amigos online, me dei conta de alguns assuntos e comportamentos que tornam pessoas interessantes ou simplesmente inconvenientes.

Listei alguns:

 

Espontaneidade – Talvez uma das melhores qualidades que vejo nas pessoas que me relaciono. Hoje, todo mundo tem que ser engraçadão, inteligente, simpático, sociável, delicado e tal. Só que é impossível aglutinar tantas qualidades em uma pessoa só. Há mulheres que não são engraçadas, há homens antipáticos. Nenhum problema nisso. O problema é querer mostrar-se com uma pessoa sem defeitos algum e no final da noite parecer um robô.

Tem um cara no meu trabalho que sempre está reclamando de algo, mas é tão natural como sai a reclamação que acaba sendo divertido conversar com ele. Tem uma portuguesa que está sempre acelerada, toda estabanada a coitada, mas é o charme dela, e o que a torna única.

 

O fagocitador de assuntos – Na minha opinião, um defeito intolerável de uma pessoa “normal”. Tenho um parente próximo que o diálogo praticamente não existe, ele está sempre dominando os assuntos. Ao tentar introduzir os meus, ele se distrai fácil com coisas ao redor, não faz nenhuma pergunta e fica com aquele olhar atônito como se eu estivesse conversando com alguém hipnotizado.

A única exceção é quando ele utiliza o meu assunto para fagocitar o dele. Por exemplo, falo que meu trabalho está pesado, ele solta uma frase idiota de falsa compreensão (“ai que ruim”) e logo emenda: “Falando em trabalho, ontem meu chefe me chamou pra conversar e blablabla” (mais 10 minutos falando apenas dele).

 

Extremistas– O mundo está uma bagunça, é maluco do Trump nos EUA, o gorducho fogueteiro na Coréia do Norte, Lula e Bolsonaro como possíveis futuros presidentes no Brasil, exposição com piroca interativa, zoofilia…..é a casa da mãe Joana. Nesse cenário espera-se que as pessoas tenham opiniões fortes. Porém, assim como religião, evita-se trazer este assunto à mesa com desconhecidos, pois a chance de gerar stress é grande.

Mesmo com conhecidos, os extremistas conseguem ganhar a antipatia de qualquer um que não compartilha suas ideias quadradas e tolas. Tenho um amigo no Brasil que virou um extremista de direita a ponto de defender intervenção militar e controle migratório (como se isso algum dia fosse um problema em um país miscigenado como o nosso). Ou seja, virou um idiota (na minha opinião). Do outro lado tem uma inglesa que às vezes senta perto de mim e acredita que o socialismo seria a solução para as mazelas do mundo, mas que não abre mão de comprar sua roupa na Zara e financiar a exploração capitalista em países miseráveis como Bangladesh e Camboja.

O extremista não consegue ver nuances, é tudo branco ou preto. A conversa com essas pessoas vira aquelas mesas redonda insuportáveis de comentaristas de futebol, todo mundo é o dono da verdade e no final da discussão não se chega a lugar nenhum.

 

Detalhista – Aqui é importante diferenciar o detalhista do perfeccionista, o primeiro atenta-se às pequenas coisas, o segundo quer que elas sejam perfeitas.

A pessoa que se atenta a pequenos detalhes vai lembrar que você estava gripada semana passada e perguntar como está agora, perceberá que você cortou o cabelo, que está mais triste que o comum, que está usando um sapato bonito e por ai vai. Essa lembrança de pequenas coisas ganha muitos pontos no quesito empatia.

 

Levar-se a sério demais – Esse item está bastante relacionado com a Espontaneidade. Todo mundo tem defeitos, tropeça, derruba prato, solta pum, entra no banheiro errado, pede prato em restaurante fino e vem uma coisa intragável e por ai vai. O segredo das pessoas interessantes é saber levar seus deslizes com humor e não se levar tanto a sério. Rir de si mesmo mostra maturidade, segurança e bom humor, excelente qualidades em uma pessoa.

 

Vive no mundo online – Há pessoas que necessitam de auto-afirmação e mostrar que estão felizes e por cima, ai precisam postar cada momento no Facebook ou Instagram. Se nada acontece de novo para que ela gere um conteúdo alto-astral, vai lá e ressuscita uma foto da viagem passada com alguma frase babaca de efeito. Essas pessoas reduzem a chance de encontrar alguém bacana, pois estão sempre imersas em seus celulares em momentos de interação social como almoço, área pública (transporte, praia, parque, etc) e eventos. Isso sem contar em encontros que a pessoa deixa o celular em cima da mesa e a cada distração do parceiro, vai lá e dá uma fuçada nos últimos updates toscos do Snapschat.

 

Pouca-pilha – Esse da preguiça até de olhar. É aquela pessoa desleixada, que anda arrastando uma corrente tal qual uma assombração, falta viço pra tudo, parece que está na vida por obrigação. Você cumprimenta e recebe aquela mão-mole em troca, pergunta como está e recebe aquele fastidioso “é…vamos levando”. Qualquer assunto que puxa não dá continuidade, pois o pouca-pilha tem preguiça de iniciar uma conversação ou simplesmente não tem nada relevante pra acrescentar.

 

Sabe muito sobre um assunto – As pessoas mais interessantes que conheço possuem algum hobby ou conhecimento específico sobre algo que as torna únicas.

Não entendo um caralho de moda, quando saio pra trabalhar e minha namorada pergunta onde vou com uma camisa que parece um pijama e tênis de corrida, volto chateado para o armário e visto algo mais adequado, pois sei que ela domina essa área melhor que eu. Quando tenho dúvida sobre restaurantes, tenho um amigo que sempre tem uma opção na manga, outro entende tudo sobre história e perco bons minutos do dia absorvendo o que ele conta.

Você não precisa dominar todos os assuntos, mas tendo paixão sobre um já te torna especial.

 

Claro, os perfis que citei dizem respeito à minha opinião sobre pessoas interessantes e inconvenientes. Há casos, por exemplo, de homens pouca-pilha que ficam apaixonados por fagocitadoras de assunto, pois um não tem nada pra falar e a outra tem tudo.

O importante é saber identificar seus defeitos para arrumá-los ou utilizá-los a seu favor.

  • Sagitariana

    Cafa,
    Sobre os fagocitadores de assunto, difícil achar meio termo, rsrsrs. Gostei do post pq favorece a autocrítica, essas dicas sempre ajudam a melhorar.Gosto de ler, tenho amigos que só chegam pra me falar sobre a vida dos outros, bate uma preguiça :/. Falta de assunto mesmo
    Continue postando.
    Bj

  • Indiara Furtado

    nao consegui me ver em nenhum desses ai, eu fico muito calada, ouço mais do que falo. Mas também não me atento muito a ponto de ser detalhista… Ai que droga cafa, nao sei msm… kkkkkkkkkkk
    Merece outro post pra ver se me identifico.

  • Karla T. Machado

    Eu achava que só eu entrava em banheiro errado! 😂

  • Milena

    “O fagocitador de assuntos” Procure por transtorno de personalidade narcisista. Se ele for um (ao que parece), ignore, não dê atenção e faça alguma crítica.. eles odeiam críticas! hahahaah conheço bem o perfil 😉
    No mais concordo com vc. Existem milhares de perfis e realmente bem melhor quem é interessante do que aquele que deixa a vida levar.

  • Marília

    Dos perfis que você citou (os negativos) conheço uma fagocitadora de assunto que é minha colega de faculdade. Foi muito doloroso aguenta-la, tive que dar distância. É o tipo de pessoa que você começava um assunto e não conseguia concluir pq ela falava de tudo da própria vida e da família. E na hora de você falar, ela cortava. Isso me fez ser ainda mais ouvinte do que eu ja sou, que é uma qualidade que valorizo em mim. Sou boa ouvinte e boa perguntadora.
    Mas cafa, tu falou ali em cima sobre viver online. Eu vejo muito dos caras que conheço que eles só vivem online. Direto. Muitas vezes preferem viver de atenção virtual do que uma boa conversa cara a cara. Daí um amigo meu me fez a cabeça pra que eu passasse a postar mais fotos minhas nas redes sociais pois os homens gostam disso, segundo ele. Isso seria uma forma de networking. Eu duvido ainda muito desse tal poder que uma foto postada teria, até pq eu postar uma foto e fazer o cara se ligar da minha existência talvez mostrasse que ele é volúvel, pois se outra menina postar uma foto mais atraente, o interesse por mim acabaria. Isso é um pensamento questionador que tive sobre o assunto. Mas o que de fato tirei de conclusão, ainda mais na conversa desse amigo que é casado e segue um monte de menininha no Instagram, é que os homens especificamente estariam perdendo mais tempo em redes sociais se iludindo com fotos felizes manipuladas no facetune do que vivendo a realidade.
    Não sei se responderá meu comentário, mas gostaria de saber sua visão.