RELACIONAMENTO 4 de setembro de 2017

Retrospectiva – Fazendo um bootie call pra chamar um lanchinho

transportation and vehicle concept - man using phone while driving the car

O post abaixo foi publicado por mim há dez anos, quando ainda tinha meus vinte e poucos anos. Foi um dos quais as leitoras pediram que eu colocasse no livro. Eu não iria publicá-lo, pois não é um dos meus favoritos, farei diferente e comentarei o meu ponto de vista hoje sobre o texto.

Então vamos à metalinguagem, Cafa responde ao Cafa:

 

“Esse fim de semana era mais um daqueles que eu não tinha grandes planos e no final acabou sendo bem produtivo.

Como de costume, estava na casa dos meu pais em Santos curtindo o fim de semana. Era sábado à noite e não queria pegar balada, logo fui à internet ver o que ela poderia me brindar.

Cafa > Naquela época, a única fonte online para conseguir uma saída casual eram sites suspeitos como Par Perfeito, salas de bate-papo do UOL e mais uma meia dúzia de páginas cheias de gente esquisita e problemática.  Quem reclama hoje do Tinder e Happn não sabe a treva que era há 10 anos ou já esqueceu.

Nunca me arrisquei naqueles sites, mas consultava a minha agenda eletrônica (MSN) onde estavam os contatos que tinha feito no mundo real, o risco era menor.

Apareceram 3 contatos interessantes de lanchinhos.

O primeiro era uma garota que conheci em Porto Seguro na minha formatura de colegial. Vez ou outra ela vem pra minha casa em sampa a pretexto de ver um filminho e no final é só sexo mesmo. Como estava no litoral, a chamei pra pegar uma praia comigo no domingo.

Ela estava bem a fim, mas precisava inventar uma boa desculpa pra mãe dela, pois já eram 23:00. Tentei ajudá-la, mas nada criativo surgiu e acabou não rolando. Parti pra segunda.

Cafa > Essa menina é um daqueles casos que com mais maturidade você pensa, que demônios eu fazia com ela? A menina era boazinha, mas uma porta a coitada. Sempre viveu encostada no pai, fez uma faculdade por obrigação social e sei lá que fim levou. Tivemos uma paixonite de uma noite de beijos à beira-mar na duvidosa cidade de Porto Seguro e o tempo fez com que pouca lembrança ficasse.

A segunda era a garota que tinha a tatuagem do ex (Rômulo) na lomba que conheci na balada. Depois de ver as novas fotos que ela postou no Orkut, digamos que me reacendeu a vontade de “revê-la”. Nem preciso dizer que ela topou na hora o convite, mas disse que iria demorar uma hora pra se aprontar e que gostaria de comer em algum lugar antes. Fiz as contas e não valeria a pena. Já tinha transado com ela, em casa não dava pra eu levar, pois meus pais

estavam lá, logo teria que pagar um motel. Ai veio a conta na cabeça “Restaurante + motel + figurinha repetida = muito desgaste. Bom, não dispensei, deixei na geladeira e parti pra terceira.

Cafa > Mais um caso que hoje eu penso, como consegui levar essa menina pra cama? A história com ela estará no livro, mas resumidamente ela enfiava o ex-namorado em quase todos os assuntos. E mesmo conhecendo mais sobre o Rômulo que ela, levei-a pro motel e na transa dei de cara com o Rômulo tatuado na lomba. Foi quase uma experiência homossexual de transar com Rômulo psicologicamente. Credo.  Eu deveria tê-la excluído dos meus contatos.

Essa terceira eu conheci na época da faculdade, mas nunca tivemos muito contato. Ela namorou durante 3,5 anos e depois de terminar, nesta semana voltou a conversar comigo. Já era uma da manhã e eu perguntei se ela não gostaria de ir até minha casa em sampa ver um filme (técnica-clichê, mas infalível). A garota é inteligente e logo se ligou das minhas intenções e disse que aquilo estava cheirando a bootie call (o ato de entrar em contato com uma pessoa conhecida em horários impróprios com o único intuito de transar).

Cafa > Essa garota exemplifica porque alguns relacionamentos não vão adiante quando somos mais novos. Eu não tinha cabeça alguma pra namorar naquela época, estava apaixonado pelo meu trabalho, acabado de conseguir minha independência financeira e dividia apartamento com um amigo (o aprendiz de cafa).

Essa garota era inteligente, trabalhadora e simpática. Tínhamos tudo pra dar certo, mas nos conhecemos na época errada. Ao invés de manter contato com ela, sair pra bater papo e tal. Chamei-a do nada no MSN na quase madrugada de Sábado e convidei-a para a Cafa-house. Tudo errado.

Enfim, depois de muito convencimento ela topou. Fui pra São Paulo as 2 da matina.

Engraçado quando as mulheres tentam se passar por castas nessa horas e falam “olha, mas não vai rolar nada viu”. Como se estivessem tentando convencer a si mesma que é uma santa. Com ela não foi diferente.

Cafa > Essa é uma mudança de comportamento feminino que vi nos últimos anos. Ou a hipocrisia de pagar de santa acabou ou passei a me relacionar com mulheres mais maduras. Não vejo problema de sexo no primeiro encontro, apesar de ainda achar que depende da circunstância. Uma coisa é começar no restaurante e terminar no motel, a outra começar na pista e terminar no banheiro da balada. Óbvio, cada um trepa onde quiser, mas o desenrolar do relacionamento pode ser diretamente afetado pela primeira vez.

Já em casa, como não tinha vinho, servi whisky mesmo. Não deu 3 rodadas de whisky pra começar os amassos quentes, não deu 3 minutos para eu cair na mesinha da sala ao tentar  “içá-la” no meu colo pra levá-la ao quarto. Nada que tenha broxado, mas foi uma situação um pouco constrangedora. O sexo foi ótimo (pelo menos na minha opinião), mas nunca mais nos voltamos a ver”.

Cafa > Como eu disse, essa era uma menina bacana, mas não me recordo como foi que perdemos o contato. Talvez, na minha cabeça de solteiro e com minha opinião forte a respeito de sexo no primeiro encontro, simplesmente a coisa foi esfriando, nem na famosa geladeira ela entrou.

Devo ter perdido outras oportunidades de me relacionar com mulheres mais interessantes como essa última, mas na fase que eu estava, só caiam (e ficavam) no meu colo Rômulos e Portas.

  • Marília

    “…mas na fase que eu estava, só caiam (e ficavam) no meu colo Rômulos e Portas.” É bem aquilo que dizem, a gente atrai o que a gente oferece. Eu achava que isso não fosse tão real, mas vendo você comentar e nos últimos tempo muita gente admitir, realmente a gente só arruma embuste porque ou a gente também é, ou a gente caça apenas isso para suprir algo que nem sabemos o que é.

    Na verdade Cafa, essas coisas de fazer doce pra transar no primeiro encontro ainda tem e MUITO. Eu que ando com muitas mulheres hoje em dia, tanto na faculdade quanto nos grupos femininos que participo nas redes sociais, vejo demais, é o primeiro assunto que rola. Eu acho que como você passou a se valorizar mais, passou também a ter relacionamentos de qualidade com pessoas mais maduras, por isso não viu mais com tanta frequência esse papo. Voltando para a minha reflexão no outro parágrafo.

    Eu vejo um monte de menina ao meu redor dizer que se valoriza por não transar no primeiro, nem segundo e nem terceiro. Passei a me fechar inclusive pra não contar as relações que tive, que eram basicamente só casualidade. Em contrapartida, essas mesmas vivem às voltas em relacionamentos falidos ou homens que nunca assumem. Nós e nossa velha hipocrisia.

  • Valeria Castro

    ´ Foi quase uma experiência homossexual de transar com Rômulo psicologicamente.´ Rindo até amanhã! kkkkkkkkkk
    Foram posts como esse que me fizeram abrir os olhos para detectar os esquemas dos cafas e assim evitar ou aceitar consciente!
    Sinceramente, acho que seu livro (com os posts antigos, quando você era um cafa nato!) deveria ser de utilidade pública!!
    Você agora está muito maduro e isso não te torna muito didáctico para as mais lentas… kkkkkkk
    Obrigado por fazer parte de uma transformação importante na minha vida!