Dia desses estava assistindo um dos únicos programas que presta na tv aberta, o 1 contra 100, quando fui fisgado pelo programa que veio na sequência, o SBT repórter (que a despeito da apresentação fúnebre do César Filho, tem matérias interessantes). Fui fisgado, pois a temática era sexualidade feminina e a chamada do programa antecipou algumas cafonices da matéria que eu não poderia deixar de assistir.

O ponto máximo foi quando o repórter visitou uma espécie de templo feminino onde mulheres infelizes, reprimidas, algumas encalhadas e outras jabiracas se expunham ao ridículo para “encontrar a sua feminilidade perdida”.

O conceito do lugar é até interessante e já o abordei aqui algumas vezes. Basicamente, eles pregam que as mulheres após a revolução feminina se perderam com a liberdade que conquistaram e quiseram se igualar aos homens, quando na verdade deveriam se diferenciar. Muito bacana a idéia do templo, se não pecassem na venda do resgate de feminilidade de uma forma tão esdrúxula.

Olha, eu não sei quanto aquelas mulheres pagam para brincar naquele templo, mas a julgar pela localização e pelo jeito de perua da dona, deve ser uma bica. Vou tentar resumir mais ou menos a mecânica do lugar.

Determinada mulher foi orientada desde pequena a ser bem-sucedida na vida (leia-se mercado de trabalho) e em função disso acabou se anulando como mulher e virou um homenzinho de sucesso. Ai ela se vê no auge dos seus 30 anos, sem nenhum relacionamento fixo decente, cheia de idéias fixas sobre homens, com o corpo todo esculhambado e com dinheiro sobrando no banco. O que ela faz? Recorre aos orixás, ou melhor, ao templo que liberta a deusa de dentro das mulheres para torrar o seu dinheiro e encontrar uma forma de atrair os homens.

No templo, a dona se veste com umas asinhas brancas, balangandãs no corpo e mantém uma pose de a deusa suprema do templo da libertação feminina. A coitada do parágrafo anterior toda r(d)eprimida recebe algumas aulinhas para seguir a deusa mor e se libertar. Ai ela passa umas maquiagens cafonas na cara com alguns strass vagabundos colados na testa e faz algumas odes ao além. Há diversas “dinâmicas de grupo” onde as outras coitadas se unem, dão as mãos e começam a passear pelo bosque com o vestido ao vento, pés na terra deixando a natureza possuí-las. Um lance bacana é que há também um momento em que elas compartilham frustrações, uma espécie de psicologia em grupo. Porém, falta um elemento fundamental nesse teatro, o homem. Como elas vão saber que tipo de merda tão fazendo se só tem mulher para avaliá-las?

Algumas vezes não é necessário ter a presença masculina para encontrar algumas respostas. Ler um livro ou simplesmente assistir um filme já ajuda bastante e não é preciso gastar rios de dinheiro. Só que para isso é necessário paciência e/ou capacidade de interpretação, qualidades que parte das mulheres hoje em dia não tem. E quando tem, muitas vezes interpretam de forma errada. Lêem o livro ou assistem um filme (a la “Ele não está a fim de você”) e acham que estão “imunes” aos homens, como se homem fosse uma doença.

Se vocês repararem nos meus posts, quase todos têm uma coisa em comum, o uso do bom senso. Não se transforme de garota ingênua enrolada pelos homens, em uma mulher mala desconfiada dos homens.